pov. Eris
Enquanto todos conversavam a mesa minha mente vagava por mentes, medos, indecisões, paixões. Um turbilhão de sentimentos me invadia sem pedir permissão, pensamentos alheios me chacoalhavam fortemente, eu nunca tinha estado tão vulnerável. Sentia como se fosse explodir a qualquer momento, como se o mundo inteiro estivesse entrando em minha cabeça.
- Eris? Está ouvindo? - foi Leticia que me tirou do transe, as vozes e os sentimentos ainda se rebatiam contra mim fazendo minha cabeça latejar, forcei um sorriso para ela e assenti. Eu estava ouvindo tido na verdade só não conseguia distinguir sua voz das outras. - Ótimo, vamos para o ginásio. Ruby está impaciente hoje.
Ela revirou os olhos se levantando, notei que o Luiz não estava mais entre nós, Antony e Felipe agora trocavam ofensas e Lorena estava em outra mesa. Tentei segui-los pelos corredores mas o caos de pemsamentos e emoções estavam me sufocando, eu estava começando a ficar louca, não notei que minhas unhas estavam cravadas nos braços os arranhando com força. Sem que notassem entrei na primeira porta que vi.
Sentei na arquibancada da grande sala gemendo pela dor de cabeça, minhas mãos agora apertando as têmporas em uma tentativa falha de calar as vozes escandolosas. Algumas lágrimas despencavam sem aviso algum, a agonia parecia interminável até que uma voz conhecida sobressaltou todas elas.
Eris, abra os olhos. Abra-os, agora.
Era uma ordem, a voz estava sumindo em meio as outras, me esforcei para busca-la naquele temporal qie estava meu interior. Eu não tinha força alguma para abrir os olhos, precisava daquela voz que mesmo conhecida eu não sabia identificar. Eris, eu estou aqui. Abra os olhos. Quando a encontrei me agarrei tão forte aquela voz que senti todo o resto ser sugado para longe subitamente, abri os olhos levantando o olhar até me chocar com aqueles olhos castanhos.
- Você está bem? - Luiz estava de pé no meio da sala, as mãos nos bolsos estavam fechadas em punho e o rosto contorcido em preocupação, o olhar não se desviou do meu.
- Se importa? Você gosta que os outros se machuquem. - cuspi as palsvras vendo a preocupação ir embora e dar lugar a um sorriso em seu rosto.
- Eu nunca disse isso. - ele começou a se aproximar devagar como se eu fosse impedi-lo de o fazer, embora essa fosse minha intenção.
Pare!
Porque?
Fique longe quando estivermos sozinhos!
Ele gargalhou e parou a pouco menos de dois metros de distância, ele me vasculhava procurando humor mas não encontrou.
- Você ainda não me entendeu, Eris. A dor que eu falo é muito diferente. - alguns passos e ele estava sentado perto de mim.
- Disse que queria me machucar. - fiz bico, o rosto dele se contorceu. Meus braços estavam agarrados ao corpo em uma forma estranha de proteção.
- Nunca disse isso, falei que correria o risco. - explicou desviando o olhar de mim e encarando o nada a sua frente.
- Disse que gostaria de me machucar. - suas mãos foram ao rosto, ele fechou os olhos fortemente e passou os dedos longos na ponte do nariz arrebitado.
- Não, eu não disse. Falei que se fizesse meu jogo com você provavelmente gostaria. - suspirou pesado. - A dor que eu estou falando é uma que te traz prazer, Eris. Isso dói?
- Ai! Luiz, é claro que dói! - seus dedos se entrelaçaram em meu cabelo e ele os puxou para trás com brutalidade, empurrei seu braço enquanto ele ria.
- Se eu estivesse te beijando não doeria. - deu de ombros descansando os braços sobre os joelhos.
- Porque? Sua língua é mágica? - ele gargalhou mas a emoção não subiu aos olhos.
- Não, ela não é. Mas, muitas pessoas vêem prazer nisso. Para mim a dor e o prazer andam lado a lado. - sentido não fazia, não para mim, aquele puxão de cabelo doeu pra caramba e eu duvido que um beijo mudaria essa sensação.
- E como se tornou assim? - tentar entender sua lógica seria impossível no momento, minha mão ainda massageava o local onde ele puxou.
- Depois que eu encontrei minha mãe amarrada na cama... eu estava dormindo quando alguns barulhos me acordaram, eu sai do quarto depressa para olhar o que estava acontecendo no quarto dos meus pais. Ela gostava daquilo... foi quando comecei a ver o prazer na dor e percebi que não era o único que via as coisas dessa maneira. - ele não parecia arrependido ou triste, Luiz gostava de ser do jeito que era.
- Hm... e gostaria que alguém fizesse isso com sua irmã? - ele voltou a me encarar, um monstro estava espelhado em seus olhos mais escuros.
- Se alguém encostar nela eu mato. Leticia é doce, meiga e romântica demais para isso. - era um amor pulsante que esvaia dele. - Mas, mudando de assunto. O que está fazendo aqui?
- As vozes... os sentimentos... a loucura. - abaixei o olhar sentindo as lágrimas inundarem meu rosto novamente, ele levantou e retirou a jaqueta da farda ficando apenas de camiseta.
- Vamos treinar. - sua voz chamou minha atenção, mais rápido do que eu pude processar ele já estava distante de mim. - Levante.
- Bater em você não vai me ajudar muito. - mesmo assim levantei e tirei o moleton ficando apenas com a regata, me posicionei a sua frente o encarando.
- Estava perdida, quando eu cheguei você voltou ao normal, porque? - parei para pensar mas ele não me permitiu responder. - Você se concentrou em uma coisa. Esqueça o que eu falei mais cedo, eu quero que abra sua mente e se concentre apenas na minha voz.
Aquilo não parecia tão difícil até as vozes me invadirem novamente. Meu corpo tremeu e minha cabeça latejou com força tentando expulsar os pensamentos de mim.
Abra os olhos, Eris. É em mim que deve prestar atenção.
Em obediência abri os olhos focando minha mente apenas nele como eu tinha feito minutos atrás, os outros pensamentos não foram sugados mas estavam tão baixos que eu m*l podia ouvi-los.
Bom, agora vou te atacar. Se concentre em desviar, mantenha sua mente aberta e focada.
Sacanagem. Uma esfera de terra se formou ao lado do Luiz, seria lindo se ela não tivesse acertado meu braço em cheio. Gritei a segunda me derribou no chão, ele estava bufando de raiva.
Está adorando isso não é?
Já mandei esquecer o que conversamos, se concentre! Desvie delas ou me ataque, seus sentimentos são gatilhos que você não pode depender.
Porque?
Porque até agora a raiva foi a única coisa que fez suas atribuições aparecerem, mas esse sentimento é destrutivo. Você não consegue controlar, acredite eu não quero ver você fora do controle, ninguém quer.
Respirei fundo esvaindo minha raiva com dificuldade, as vozes ainda puxavam minha atenção e os sentimentos não paravam de jorrar. O encarei vendo mais duas esferas se formarem a sua volta, minha mente trabalhava para manter os pensamentos e sentimentos alheios longe e manter conexão com a mente do Luiz. Foquei meus olhos nas esferas em minha direção, desviei de uma delas girando meu corpo para a esquerda mas a segunda me pegou em cheio. O cansaço já estava me matando, meus músculos doíam com as pancadas e o esforço.
Não está se concentrando, sua força não vem dos músculos vem da mente. Use apenas ela e seu corpo agirá sozinho. Não vou mais pegar leve.
Como se estivesse pegando. Sentia que iria desabar a qualquer mometo, estavamos ha horas nesse mesmo empasse. Respirei fundo novamente, era difícil controlar a raiva, ela queria me dominar e mandar o Luiz para o espaço. As vozes já não incomodavam tanto quanto os sentimentos, eles batiam em meu corpo dolorosamente. Dessa vez ele fez cinco esferas, firmei os pés ao chão e me desliguei dos meus músculos focando apenas em minha mente, não sei quando ou se ele lançou as esferas mas nenhuma me atingiu. Meu corpo desabou no chão tremendo, quando levantei o olhar em direção a Luiz ele estava chocado.
Co..como?
As esferas pairavam ao meu redor como se eu fosse uma dominadora da terra, se enfileiraram em minha frente e um sorriso sacana brilhou em meus lábios, lancei as esferas contra Luiz que se protegeu com um escudo. Me apoiei na parede para conseguir ficar de pé, ele se aproximava gargalhando.
- Gostou de me machucar não foi? - perfuntei erguendo minhas costas e o encarando em desafio.
- Já disse que não é disso que eu gosto, vou te mostrar. Sem sentimentos apenas prazer. - não cheguei a formular uma frase, sua mão esquerda passou por baixo da minha regata e agarrou minha cintura com força, a mão direita puxou meus cabelos como fez mais cedo, sua boca tomou a minha de um jeito selvagem.
Seu corpo me esmagava contra a parede, o aperto na cintura ficaria muito bem marcado e minha cabeça dolorida mas no momento entendi o que ele estava tentando dizer todo esse tempo, era realmente prazeroso, o sabor dos seus lábios em contraste com a dor fazia meu corpo responder de imediato e acabei por gemer em seus lábios, sua boca deixou a minha e deslizou por meu pescoço e ele mordiscou ali. Devagar ele me soltou me encarando com luxúria.
Idiota.
Posso ser i****a, mas você gostou.
Cruzei os braços e fiz bico, ele mordeu meu lábio com um pouco de força e se afastou. Chocada e surpresa por causa das novas sensações apenas desviei o olhar. Ficamos assim por um tempo quando as luzes começaram a piscar, ele me olhou assustado.
- O que foi isso? - meu corpo tremeu com a suspeita de uma possível invasão.
- Luta de Eletrons. Não é um bom sinal. - pegou a jaqueta a vestindo com rapidez.
- Porque? - era óbvio? Talvez, mas ele estava assustado demais.
- Só dois Eletrons tem um poder capaz de fazer isso, Tavarres e Garcia, o regente. - pânico tomou conta dos nossos rostos, não é um bom sinal.