Sem repouso

948 Words
JASMINNE NARRANDO Eu ainda estava sentada naquela cadeira gelada, sem saber se minhas pernas iam me obedecer para levantar. O cheiro forte de álcool da sala da clínica parecia entrar no meu nariz e travar minha respiração. A Naiara, do meu lado, já começava a levantar o tom de voz, a respiração ofegante, e os olhos arregalados. Naiara — Como assim, doutora?! — ela quase gritou, batendo a mão na mesa. — Você tá dizendo que… que… que colocou o embrião nela?! — apontou pra mim como se eu fosse a pior notícia que ela podia receber. A médica respirou fundo, ajeitou os óculos e respondeu com uma calma irritante: Doutora — Houve um erro de identificação no momento do procedimento. Eu implantei o embrião na Jasmine. Agora… o que nos resta é aguardar. Naiara — Aguardar? — deu uma risada debochada. — Você tá maluca! Isso não podia acontecer! Esse filho era pra ser meu! Doutora — Agora é orar para não dar certo — a médica disse, encarando nós duas. — E, se não houver fecundação, tentamos novamente. Eu vou colher outro material do Perigo e faremos o processo correto. Eu senti um frio subir pela minha espinha. O nome dele ecoou na minha cabeça como uma sentença. O Perigo. Se ele descobrisse… se ele descobrisse que o filho dele estava no meu ventre… não, eu não podia nem pensar nisso. Foi quando minha mãe, que estava sentada quieta no canto, se inclinou pra frente. A voz dela saiu baixa, mas firme, com aquela autoridade que eu conhecia desde criança: Carla — De qualquer jeito doutora , você não vai falar nada pro Perigo. Se ele perguntar, você diz que deu tudo certo. Diz que a inseminação foi feita na Naiara e que ela tá bem, saudável. E que agora vai tomar todos os cuidados pros três primeiros meses, que são os mais delicados. — Mãe, você não tá pensando em mim?! — eu virei de repente, sentindo o coração disparar. — Se ele descobrir que eu tô carregando o filho dele, ele vai me matar! Ela me olhou como se eu fosse uma criança reclamando de um castigo. Carla — Cala a boca, Jasmine. Vamos orar pra não vingar. Pra essa criança não vir. No mês que vem, quando fizer o teste de gravidez, que dê negativo. — E se der positivo? — minha voz saiu quase num sussurro, mas eu sabia que todo mundo tinha ouvido. A doutora ajeitou de novo os óculos e respondeu antes que minha mãe pudesse falar: Doutora — Então… vamos ter que esperar até o fim. Porque se eu contar pro Perigo que cometi esse erro, ele vai me matar. Literalmente. Meu estômago embrulhou. A sensação era de estar presa numa armadilha com as paredes se fechando. Enquanto a médica ainda explicava algo sobre repouso e cuidados, a Naiara pegou o celular e começou a digitar, com os dedos nervosos, até que eu percebi que ela estava mandando mensagem pra alguém. Poucos minutos depois, ela levantou. Naiara — Vamos embora .. preciso ir arrumar minha mala — a Encarei sem entender — chegou uma notícia que vou ir mora na casa do perigo , quando o vapor chegar já quero estar em casa .. Minha mãe abriu um sorriso largo , segundos depois segurou no meu braço e seguimos pra casa Carla — Vai trabalhar Jasmine , nada de repouso e nem cuidados — franzi o cenho — precisamos fazer de tudo pra esse bebê não vingar — engoli em seco .. Naiara — Vou arrumar minha mala — disse seca, me olhando de cima. Não deu nem meia hora ela apareceu na porta do meu quarto, com duas malas grandes, maquiada e vestida como se fosse pra uma festa. Pela janela, vi um carro preto parado na frente da casa, um vapor do Perigo encostado no capô, fumando e olhando pro celular. Antes de sair, ela parou na minha porta. Naiara — Olha aqui, Jasmine — disse, encostando a mão na lateral da porta. — Não atrapalha minha vida. Fica caladinha na sua, porque se eu souber que você abriu essa sua boca pra falar alguma coisa, eu não vou pedir pro Perigo ter misericórdia de você. Eu só fiquei encarando. Não porque queria desafiá-la, mas porque minha mente ainda estava tentando processar o tamanho do buraco em que eu tinha caído. Ela sorriu, um sorriso que não tinha nada de alegria, mas transbordava satisfação. Naiara — Agora eu vou virar patroa — ela disse, ajeitando o cabelo. — Gerando um herdeiro do Perigo. Eu senti o sangue subir pro rosto. As palavras saíram antes que eu pudesse segurar: — Mas não é você que tá gerando — Ela travou. Largou a mala no chão e veio até mim em passos firmes. Antes que eu pudesse recuar, senti o tapa ardido no meu rosto. Naiara — Nunca mais repita isso. — A voz dela saiu baixa, mas com uma raiva que me fez estremecer. — Você nunca vai gerar um filho dele. Eu levei a mão ao rosto, sentindo o calor da pele arder. Ela pegou as malas de novo, passou por mim como se eu fosse invisível e saiu pela porta da frente. O som da porta batendo ecoou pela casa, e eu fiquei parada ali, sentindo que algo muito maior que eu estava prestes a acontecer. Meu coração ainda estava acelerado, a palma da minha mão ainda sentia o formigamento do tapa, e dentro da minha cabeça a única pergunta que rodava era: e se essa criança vingar? OBS: PARA MAIS CAPÍTULOS COMENTEM E DEIXEM BILHETES LUNARES .. AMORES VOTEM E COLOQUEM O LIVRO NA BIBLIOTECA..
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