CARLOS
Eu sabia que não podia cobrar dela aquilo que eu não podia dar, sabia que Amanda era uma mulher livre e, por mais que eu a quisesse para mim desde sempre, não podia impedi-la de viver sua vida. Mas ver aquele playboyzinho ficar todo se fazendo para cima dela fez meu sangue ferver… Quem ele pensa que é e por que estava falando com ela daquele jeito?
Aquilo não saiu da minha cabeça, o tempo inteiro, o dia todo, só conseguia pensar que, talvez, para minha desgraça, Amanda finalmente começou a chamar atenção dos caras ao seu redor e eu não teria mais chances.
— Pô, cara — Farias falou, me dando um t**a nas costas, me tirando do mundo da Lua. — O que tá acontecendo com você? Tá viajando hoje!
— Desculpa, tava pensando em algumas coisas — respondi, suspirando e balançando a cabeça, eu tinha que me concentrar nos problemas sérios, minha vida amorosa não podia influenciar no meu trabalho.
— Aquela morena lá ainda fode tua cabeça, ne? — ele perguntou, dando uma gargalhada. — Cara tu tem que se decidir, ou investe nela ou desencana!
Apesar das brigas por causa do trabalho, Farias e eu eramos bons amigos. Desde que eu entrei nos negócios do morro, ele me deu uma baita confiança e sempre andamos juntos. Era um homem rígido, mas comigo deixava a postura de dono de tudo e se tornava um homem normal, pronto pra me aconselhar com o que eu precisasse.
— Os moleques aprenderam a lição, mas o que eles pegaram vai ter que ser devolvido aos moradores — Farias continuou falando. — Além disso, um dos olheiros lá de baixo disse que viram uma movimentação estranha mais cedo, umas viaturas, eles acham que os caras estão sondando o lugar.
— Espero que não… — comentei, passando uma das mãos na cabeça. — O pessoal daqui não tá preparado pra enfrentar tiro se vier. Mas os moleques ficarem de olho!
— Já fiz isso, vamos dar uma parada no "comércio — Farias falou, era assim que ele falava quando queria se referir ao tráfico. — Só maconh4, o resto a gente paralisa pelos próximos dois dias e esconde caso resolvam fazer uma busca.
— Fechado — respondi, assentindo para ele e me levantando.
— Agora, cara, eu to falando sério — Farias voltou a falar, me acompanhando enquanto eu caminhava para a porta. — Se resolve com aquela mina antes que outro passe no teu lugar, ela é muito gostosa e não vai demorar pra algum moleque chegar nela.
— Não fala merd4, Farias — resmunguei, saindo dali e caminhando para a rua, descendo a ladeira em direção a entrada do morro.
Enquanto eu caminhava, as palavras do meu amigo ficaram ecoando em minha mente, realmente não ia demorar para alguém tirar Amanda de mim, já havia até um candidato na fila.
Eu tenho que fazer alguma coisa.
AMANDA
— Cê tá bem? — Lay perguntou, enquanto seguíamos em direção a lanchonete. — Tá meio sem norte hoje.
Olhei para ela e sorri, colocando a mão na nuca e esticando o corpo, o dia de aulas estava bem pesado hoje, mas realmente não era aquilo que me incomodava. O comportamento de Carlos e a pergunta de Thomaz ficaram na minha cabeça o dia todo, m*l consegui prestar atenção nos conteúdos das aulas.
— Lay… Hipoteticamente falando — comecei, vendo os olhinhos dela brilharem com curiosidade. — O que você faria se gostasse de um cara desde sempre, mas se ele tivesse uma vida muito... perigosa hoje em dia? Tipo, você ia tentar?
Lay pareceu em dúvida, chegamos à lanchonete e ela ainda estava em silêncio, nos sentamos e, depois que a garçonete deixou nossos salgados na nossa mesa, ela finalmente respondeu:
— Ah, depende muito do tipo de perigo — minha amiga falou, dando de ombros. — Eu gosto de me aventurar, talvez eu tentasse alguma coisa.
Assenti para minha amiga e suspirei pegando o copo de plástico e bebendo um gole do cafezinho quente que a moça havia deixado para a gente. Mesmo naquele calor desgraçad0 do Rio, eu amava meu cafezinho.
— Ei! Oh novata — ouvi a voz de Thomas nas minhas costas e, quando me virei, ele estava vindo com um outro rapaz.
Lay ficou meio pálida quando os viu e, depois, suas bochechas coraram totalmente e ela pareceu extremamente sem graça com a aproximação dos garotos.
— Eu já te disse que tenho um nome — reclamei com ele, revirando os olhos.
— Trouxe suas apostilas — ele falou, jogando uma pilha enorme de papel sobre a mesa. — Ah, a propósito, esse aqui é o Matheus.
Acenei para o menino e vi Lay dando um risinho tímido para ele, então me toquei do que estava acontecendo. Apontei para minha amiga e, com um grande sorriso, falei:
— E aí, essa aqui é minha amiga, Lay.
— Oi! — ela falou, se levantando e abraçando Matheus, ainda meio sem jeito.
Percebi que o menino ficou claramente mais animado com a presença dela ali.
— Obrigada, temos um teste na próxima semana, essas apostilas vão ser muito bem vindas — falei, juntando os papéis e vendo Thomaz assentir.
— Se quiser — Matheu se manifestou pela primeira vez — , podemos ajudar a estudar.
— Oqu… — Thomaz começou, mas percebi seu amigo pisar no pé dele, o que me fez rir. — Claro, podemos sim!
— Seria ótimo! — Lay falou, bastante animada com a possibilidade.
— Pode ser na casa do Thomaz, na sexta, o que acham? — Matheu tomou a frente, marcando o encontro que eu nem sabia se ia aceitar.
Mas, antes que eu falasse qualquer coisa, Lays respondeu por nós duas:
— Tá marcado então!
***
Pessoal, estou editando os capítulos, vou por uns três por dia para vocês não precisarem esperar muito! A história precisava de uma revisão.
obrigada mesmo pela leitura de vocês! Os comentários são incríveis, amo muito isso tudo! Me digam qual o favorito de vocês, Carlos ou Thomaz? Hoje saem dois capítulos ainda.