Capítulo 4

1102 Words
‌É estranho, mas às vezes sinto como se estivesse olhando para uma jovem madura e outras vezes para um bebê de pouco mais de dois anos. É como se houvesse uma linha tênue entre o que parece ser e o que realmente é. O mais estranho de tudo, no entanto, é a corrente magnética que me atrai na sua direção. Quero segurá-la nos meus braços, abraçá-la e... protegê-la, mesmo sem saber de quê ou de quem. O que está acontecendo comigo? Definitivamente fiquei louca. Leah está certa. Tantos dias sem dormir acabaram roubando a minha sanidade. Acho que estou muito doente. — O meu nome é Stella. A voz doce da menina consegue me tirar dos meus devaneios. — Mas você pode me chamar de Ella, como o papai faz. Você quer ser a minha mãe? — Stella! Ouço o uivo estridente da sua avó enquanto o resto de nós fica boquiaberto de surpresa, inclusive eu. — Você não pode perguntar isso a médica. — Por que não, vovó? A menina pergunta com a testa franzida. Observo o italiano coçando o queixo pensativamente, com o olhar fixo em mim, enquanto fico atordoada, contemplando a cena. Algo me diz que essa família é bem complexa. A minha pele queima com o seu olhar e uma sensação estranha se instala no meu estômago, ansiando por libertação. Ele está me examinando? — Porque... — Você tem um nome muito bonito, Ella. Decido intervir. Agachei-me novamente até ficar na altura dos olhos da garota antes de passar os meus dedos pelo seu queixo. Não sei por que, mas toda vez que a vejo, um sorriso surge espontaneamente no meu rosto. — O meu nome é Cassandra, mas pode me chamar de Cassie. — Alaaaa. Ela prolonga a exclamação enquanto sorri. Covinhas adoráveis ​​se formam nas suas bochechas, deixando-a ainda mais adorável. — O seu nome também é muito bonito. Eu gosto, papai. Você não quer ser a minha nova mamãe? — Ella... A sua avó a repreende novamente. Em vez disso, o pai continua a me observar em silêncio. A atitude dele já é mais que estranha, mas com essa cara e esse corpo eu não conseguiria proibir nada dele. E eu achava que o Dean era bonito! — O que você acha se começarmos como amigas? Eu proponho. — Você gostou da ideia? — Amigas? Ela imita o gesto do pai quando acaricia o queixo, como se estivesse meditando sobre a ideia. Isso tudo é tão estranho...— Nunca tive uma. — Bem, então terei o privilégio de ser a primeira. Só se você aceitar, claro. Esclareço, estendendo a mão. — O que você me diz? — Você sabe ler histórias? — Ah, eu adoro ler. Respondo, em êxtase. — Você gosta de videogames e filmes? — Gosto de filmes e nunca joguei videogame, mas você pode me ensinar. Não é ótimo? — Muito. Ela ri entusiasticamente. Se eu me basear nas suas palavras e atitudes, posso deduzir que ela cresceu sem uma figura materna. Deve ser difícil crescer sem uma. Embora o meu relacionamento com a minha mãe sempre tenha sido difícil, ela esteve lá para mim durante os meus primeiros passos e as minhas primeiras quedas. Além disso, sei que, à sua maneira estranha, ela me ama. — Você sabe como fazer um bolo? Ela continua com o pequeno interrogatório. A cena é um pouco engraçada e não hesito em participar. Esta é uma das razões pelas quais adoro trabalhar com crianças. Aproximo-me da menina lenta e furtivamente, como se fosse lhe contar um segredo. — E farei uns biscoitos de chocolate de lamber os dedos. Sussurro no seu ouvido, depois afasto-me e retorno à posição anterior. — O que você acha? Estendo o meu braço em direção à menina. — Amigas? — As melhores amigas! Ela entrelaça a sua mãozinha com a minha. — Eu gosto dela, papai. — Acho que já deixamos claro o nosso ponto, Ella. Finalmente, o italiano fala novamente. — Obrigado por tudo, Dra. Reid. — Foi um prazer. Dou-lhe um sorriso profissional. — Assim que você puder ver o Frederico, a minha colega lhe avisará. Adeus, Ella. — Te vejo em breve, Cassie. A garota se despede, mostrando as suas covinhas mais uma vez. Eu me viro e me afasto da família estranha, ou talvez eu seja o estranho. Não consigo explicar o que aconteceu. É impossível! Como pude sonhar com um homem que nem conheço? Pode ser apenas o meu subconsciente mexendo com o meu cérebro. O cara é tão bonito que eu o idealizei como o homem dos meus sonhos. A realidade começa a se misturar com a fantasia e a minha cabeça vira uma bagunça. — Cassie! O gritinho da minha melhor amiga me tira do meu devaneio. — Esta é a quinta vez que eu te chamo. Você está sonhando acordada? Sem conseguir evitar, uma risada estrondosa escapa dos meus lábios. Não tenho dúvidas, estou muito doente. — Ah, Leah. Eu enxugo as lágrimas que derramei de tanto rir. — Se eu te contasse, você não acreditaria. — O que? A minha amiga me olha como se eu estivesse prestes a ser transferido para a ala psiquiátrica. A minha aparência agora não deve ser muito eloquente. — Você está doente, Cassie. Muito m*al. Você precisa dormir. — Você está certa. Concordo com um suspiro. — Mas eu tenho que trabalhar. Só me restam dois dias, Leah. Dois dias e a contagem regressiva terminará. — Você não está pensando em voltar para São Francisco, está? — Meu pai fechou todas as portas para mim... mas não se preocupe. Interrompo os seus protestos prematuramente. — Prefiro primeiro, mendigar num parque em Florença para não perder a minha liberdade. — Eu não quero que você volte. Ela declara. — Mas em algum momento você terá que lidar com o seu passado, Cassie. Você precisa pôr um ponto final nisso para que todos possam seguir em frente. — Eu sei, Leah. Suspirei com pesar. — Nunca me arrependerei da decisão que tomei há dois anos, mas há coisas das quais me arrependo. A maneira como tudo aconteceu, as pessoas que machuquei, mas não será hoje. Deixo um beijo na sua bochecha antes de retornar ao meu trabalho com uma pergunta na cabeça. Coincidências existem? ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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