Marcas na Alma

1166 Words
POV Lily A escuridão ao meu redor é acolhedora. Entre sonhos e realidade, sinto meu corpo afundar no colchão macio, cercado por um calor reconfortante. Há vozes distantes na minha mente, fragmentos de uma noite que ainda ecoam: a música da festa, o som das taças tilintando, o olhar intenso dele. Mas, aos poucos, sinto um desconforto. Meu corpo se remexe sozinho, buscando uma posição mais confortável, mas uma estranha sensação percorre minha pele—como se estivesse sendo observado. Como se alguém estivesse passando a mãe em mim. Meus olhos piscam lentamente, pesados ​​de sono. A clareza da lua projeta sombras suaves. E então, ele está ali, parado sentado da cama, os olhos vidrados, pupilas claramente dilatadas, a respiração irregular. Há algo errado nele. Seu rosto não tem o mesmo ar confiante de antes. Seu olhar está perdido, enevoado, como se lutasse contra algo dentro de si. Meu coração abre. — O que pensa que está fazendo? Ele não respondeu imediatamente. Apenas passa as mãos pelo rosto, bagunçando os cabelos, antes de desviar o olhar. Algo brilha sobre a mesa – garrafas vazias. Seu cheiro invade o meu nariz, deixando claro o efeito predominante nele. - Lily... eu posso explicar... eu gosto de você... o que você acha? Estou lúcido vai ser rapidinho... Ele diz subindo na cama e se aproximando de mim, desespero toma conta de mim, lágrimas involuntárias caem pelo meu rosto. Ele segura minha pernas com força e diz: - Se você gritar eu mato você e todas as pessoas que você conhece, principalmente sua mãe, vou fazer ela sofrer muito. - ele diz com um tom na voz que não está blefando. - Por favor Rodrigo, não faça isso. - lágrimas incansáveis saem de meus olhos. - Cala a boca! Não quero ouvir mais nada, se você falar de novo, corto sua língua. Ele tira sua camisa e abre o botão da calça liberando seu m****o. Percebe que estou chorando muito e me dá um tapa no rosto, levanta meu vestido e me preenche de forma rápida e veloz, aperto firme o colchão com minhas mãos. Ele estoca umas duas vezes e pára, um son de gritaria preenche todo o corredor e a música acaba. Pessoas gritando por socorro, ele se levanta rapidamente, se veste e sai do quarto. Com minhas pernas tremendo lembro da cama, falo pra mim mesma, preciso sair daqui. Antes de sair do quarto procuro a carteira de Rodrigo e pego algum dinheiro para voltar para casa, saio do quarto e ouço umas pessoas comentando sobre o pai do Rodrigo ter tido um ataque do coração, com todas as pessoas distraídas sai da mansão rumo a minha casa. ... O silêncio confortável é instalado dentro do táxi. Meus sentidos agora estão alertas, para qualquer pessoa. Chego em casa por volta das cinco da manhã, em silêncio e sem dizer nada, entro em casa, meu pai dormindo no sofá, bêbado como sempre. Entro no chuveiro com roupa e tudo, aumento a temperatura no máximo para tentar tirar toda a situação da minha pele, deixo as lágrimas saírem até não sobrar nenhuma gota. Não sei quanto tempo fique no banho, troco de roupa e ouço uma batida na porta: - Lily está tudo bem?, minha diz com um certo desespero em sua voz. - Está tudo bem mãe, daqui a pouco faço o almoço, não se preocupe.- digo tentando não chorar mais uma vez. Faço uma maquiagem pesada no rosto para tentar esconder tudo. - Bom dia mãe, está tudo bem, não aconteceu nada, o senhor Rodrigo teve um problema no coração e teve que ir para o hospital, eu fiquei dando suporte. - digo rápido antes que ela questione algo. Faço um almoço simples e rápido e vou para o trabalho de meio período a tarde. ... Chego em casa a noite no horário de sempre, meu pai já está dormindo, dou graças a Deus por isso. Depois desse dia segui minha rotina de sempre, trabalhar de manhã, tarde e a noite ir para escola, precisava pensar em fazer uma faculdade, só assim conseguiria sair desse lugar. Terminei meus estudos, faço cursos de línguas estrangeiras online, faço faculdade de economia no período da noite, alguns cursos complementares. Os espancamentos do meu pai diminuíram, depois que cresci tenho força para enfrentar ele, minha mãe apanha quando não estou em casa. ... Fazem três anos que meu pai saiu de casa e não voltou mais, cheguei em casa e minha mãe estava desacordada no chão com um corte na cabeça, está no hospital até hoje, ainda não acordou, fazem seis meses que os médicos disseram que ela precisa que uma cirurgia neurológica, por causa das pancadas na cabeça. Estou fazendo de tudo para conseguir o dinheiro para o hospital para a faculdade, tranquei faltando seis meses para concluir, pois não conseguia trabalhar e estudar ao mesmo tempo, precisava ganhar mais dinheiro. Trabalho como garçonete a noite em um bar e faço faxina durante o dia, percebi que trabalhar com faxinas ganho mais dinheiro, termino e serviço e já ganho o dinheiro. ... Gosto de trabalhar na casa dos Davis, trabalho com ele faz uns seis meses, pois pagam bem e no trabalho sozinha, possuem outras empregadas fixas que aqui, outro dia me disseram que o filho deles sofreu um acidente de carro e fixou em estado vegetativo para sempre. Pensei em minha mãe, que também está no hospital. Nunca vi o filho deles, ele está no último andar da casa, no terceiro andar, tem praticamente um hospital lá em cima, uma equipe para fazer tudo. Limpo a casa toda como rotina e quando estou prestes a sair ouço alguém me chamar. - Senhorita Lily, posso falar com você em meu escritório por um instante? - Augusto Davis, dono da casa, me pergunta. - Claro. - Acho estranho, mas o acompanho até o escritório. No escritório, a esposa dele, dona Amélia, já aguardava. - Pode sentar, senhorita, Luana me disse que sua mãe está no hospital e precisa de uma cirurgia muita cara, é verdade? - Pergunta curiosamente dona Amélia. - Sim, é verdade. - Gostaria de fazer uma proposta para você, se você não tiver nenhum namorado é claro? - Que proposta? - Estou procurando uma eposa para meu filho, você sabe não existem mulheres boas como você hoje em dia. - ela colocando a mão na mesa e mostrando suas belas unhas. Levanto da cadeira para sair do escritório e digo: - Desculpe, não tenho interesse. - abro a porta do escritório e Amélia me diz algo que me faz paralisar. - Eu lhe dou o dinheiro para a cirurgia da sua mãe, Luana me disse que sua mãe precisa da cirurgia o mais rápido possível, pois já se passaram três anos, não pode esperar mais, o quadro dela poderá ser irreversível. - ela diz com um sorriso sarcástico no rosto. - Lhe dou a resposta na próxima faxina!? - Claro lhe aguardo no fim de semana.
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