A fugitiva

1857 Words
Maria Luiza Azevedo A rotina de faculdade e estágio estava acabando com Malu, mas ela deseja se formar como a primeira da turma. Quer dar esse orgulho à sua mãe que a criou sozinha, e quer trabalhar na maior empresa da cidade. Para atingir seu objetivo, ela se mata de estudar na parte da manhã e, na parte da tarde, de trabalhar. Quando chega a noite só resta o ** da garota. Abre a porta do seu apartamento que divide com uma amiga de faculdade, a Patrícia, sonhando com a maciez da sua caminha depois de um bom e relaxante banho. — Nossa, que cara de morta é essa, Malu? — Ouve a voz da amiga e, pela animação, já sabe que vai sair. — Estou morta de cansada, Paty. — Arrasta seu corpo cansado para dentro de casa e tranca a porta. — Ah, não vem com essa. Vai tomar um bom banho e vamos badalar essa noite! Ela ergue as mãos e requebra em felicidade. — Vai você, amiga, eu tô só o ** da rabiola. Larga a bolsa no sofá e vai para o seu quarto, com a intenção de pegar uma camisola bem fresquinha porque o calor está de m***r um assado. — Amiga... — Ela sente seus dedos circularem o pulso. Então se vira na direção da amiga, já sabendo o que vinha a seguir. — Você não pode se esconder do mundo, dos homens. Acha que não sei que isso é pelo o que aconteceu no primeiro semestre da faculdade? Maria Luiza estala a língua e se solta do aperto da amiga. Anda com passos duros em direção ao seu quarto. — Não viaja, Paty. — Não foge de mim, Malu. Eu sei que o que Marcus fez não foi certo, você confiava nele, o amava, e o cara te chifrou com a Nandinha. Mas nem todos os homens são como ele... — Tem razão — fala cortando a amiga e viro-se bruscamente — São piores do que ele. Chifram, pisam, humilham, batem... Não, amiga, muito obrigada, mas estou muito bem sozinha. Entra no cômodo que fez questão de decorar usando algumas coisas na cor verde, a sua cor favorita. As cortinas e colcha são dessa cor, já o tapete fofo e redondo é de cor creme. Abre o armário pegando uma camisola de algodão bem deliciosa. — Então pelo menos curte a solteirice. Deve ter se tornado virgem novamente se depois do Marcus não pegou mais ninguém. Três anos, amiga, três anos sem s**o é tempo demais. Nem sei como aguenta. — Aguentando — responde indo para o banheiro com cheiro de pinho, do jeitinho que gosta — Agora, me deixe em paz e vai para a sua balada. Sente um roçar na canela e um ronronar. Sansão está se esfregando em suas pernas. — Olha só, até o Sansão sabe que está carente e precisa sair pra namorar. — Quem está carente é ele, Paty. Pego o bichano cinza peludo e dou para a minha amiga depois de dar um abraço apertado nele. — Fica com ele até eu sair do banho — pede e tranca a porta ao entrar no cômodo pequeno. Ah, como era delicioso um jato de água gelada naquele calorão. O Rio de janeiro já é conhecido por ser quente, imagine durante o verão que é ainda pior. Ela se veste com a roupa leve e já pode sentir o seu corpo relaxar só com o banho, agora só estava faltando a caminha gostosinha e o ar condicionado no máximo, e então, a noite seria maravilhosa na companhia do Sansão. Ela sai do banho e ao entrar no quarto, vê Patrícia brincando com o gato. — Bom, se você não vai, eu vou — fala entregando o animal. — Vá e se divirta por nós duas. — Ela sorri para encorajá-la a ir, e só desejava se jogar na cama e assistir a um filme de terror daqueles bem pesados que com a Paty no apartamento não podia nem pensar em colocar, pois a mulher morre de medo. Tem até pesadelos. — Se mudar de ideia é só avisar. — A amiga lhe dá um beijo na testa e se vira para ir embora. — Não vou mudar. — Então se contorça com as assombrações de seus filmes malucos — ela grita da sala — Beijo! Um segundo depois ouve a porta bater e sabe que a amiga saiu. Ela coloca o filme que quer ver já há um bom tempo, carrega o gato para a cama consigo e apaga a luz. O filme começa, mas as palavras da amiga não saem da sua cabeça. Três anos que sua vida é estudar e trabalhar. Marcus a traiu com a Nandinha, mas continuou galinhando por aí. “d***a, minha amiga tem razão, deixei de viver por causa do canalha. Sair e dançar um pouco não significa que vou ficar com alguém, muito menos começar um relacionamento.” Sansão esfrega a cabeça e pula da cama como se quisesse confirmar seu pensamento. Olha para a tela no exato momento que a assombração aparece com seus olhos injetados de ódio e a boca em um “O” sobrenatural e um grito desesperado da pessoa que fugia dele no filme irrompe pelo quarto. Ela nem sabe o que aconteceu. Nem o filme está vendo de verdade. Resolve se levantar e me arrumar. Manda uma mensagem para a Paty, dizendo que mudou de ideia e ela festeja do outro lado da linha dizendo que vai esperar a amiga do lado de fora da casa de shows. Ela vai pegar uma roupa, mas descobre que nem tem roupa pra usar. Então, vai até o guarda roupas de Patrícia e pego um vestido preto tubinho brilhoso. Faz uma maquiagem leve, prende os cabelos castanhos escuros para cima, bagunçando-o um pouco e calça um salto não tão alto. Pega a chave do carro e sai de casa determinada a dar um basta nessa vida monótona, mas só um pouco, nada tão radical como Patrícia. Nada de homens, só queria sair e dançar um pouco. A rua está um caos, o trânsito na cidade de Arraial dos Anjos costuma ficar um caos devido ao turismo nessa época do ano. Os hotéis à beira mar ficam lotados. Ela está quase se arrependo de ter saído de casa. O sinal abre, mas o caos é tão grande que os carros m*l começam a se movimentar. Soca o volante, começando realmente a se arrepender de sair de casa. O trânsito finalmente começa a fluir, mas justamente quando vai passar o sinal fica amarelo. Antes que vá para o vermelho, ela acelera, mas no momento que faz isso bate no carro que estava na frente que teve o instinto totalmente diferente do seu. “Qual i*****l reduziria a velocidade no amarelo?” O som da batida irrompe pelo interior do carro, a assustando. Suas mãos tremem e seus olhos estão arregalados devido ao susto causado pelo impacto. Ela dá um t**a na própria testa, definitivamente se arrependendo de ter saído de casa. Um homem lindo de morrer sai do carro esportivo na sua frente, o mesmo que bateu. “Estou ferrada.” Liga o pisca alerta para sinalizar aos motoristas que algo de errado aconteceu. Ela sai do carro e os outros começam a buzinar atrás deles, protestando porque o trânsito parou novamente. — Você quebrar a minha lanterna, vai pagar! O homem fala com um sotaque enrolado, mas ela consegue compreender. — Vou pagar porcaria nenhuma, você pega a sua lanterna e pode colocar no seu... onde quiser. — Hein? — A sobrancelha do cara franziu em confusão, mas só durou um segundo. Logo ele se recompôs. — Seus documentos, please. Ela começou a rir da cara do b****a. “Que arrogante! Até parece que vou colocar meus documentos nas mãos dele.” — Tá achando que é quem, gringo de uma figa? Não vou dar documento nenhum, filho! — Vai pagar prejuízo! Ela teria que admitir que o jeitinho que ele disse “prejuízo” era muito fofo, mas Malu nunca diria isso a ele, é claro. Os motoristas fazem manobras estranhas para passar por eles quando o sinal abre, alguns os olham com raiva, mas não falam nada. O homem estende a mão e se apresenta. — Allan . Ela aperta a mão dele e responde. — Maria Luiza. — Seu e-mail, please? — E-mail? — A jovem fica um tempo processando por que o cara pediria o seu e-mail, mas logo se ligou. — Ah, seu filho da mãe. — Ela entrou no carro e ligou o motor, roncando para que ele saísse da frente. — Dá pra ver que você tem muito dinheiro, querido, você que pague a sua lanterna. Deu a ré no carro, manobrou e passou por ele sem nem olhar na cara do b****a. — Abusado! — Resmungou consigo mesma, deixando o i*****l para trás. Gargalha quando vê que o gringo dava o dedo do meio e a xingava, mas então o viu anotar a placa do carro. “p**a m***a!” — Ainda bem que nunca mais verei esse homem na minha vida. Qual a chance de reencontrar um gringo em uma cidade tão grande? — fala consigo mesma. Acelera e segue para a casa de shows na qual a amiga estava a esperando. Estaciona o carro e pela primeira vez observa que o para-choque está amassado. — m***a! Ainda vou sair no prejuízo — resmunga — Maldito gringo! — Malu! — ouve a voz da amiga gritando seu nome. — Por que você demorou tanto? — Ai, amiga, nem te conto. Ela engancha o braço no seu, guiando-a para dentro do local. — Hum, tá gata no meu vestido, hein! Mas conta tudo, tudinho mesmo. — O trânsito estava uma m***a, Paty. Acabei batendo no carro de um gringo e quebrando a lanterna dele. E no processo amassei meu para-choque. — Que m***a! Mas, e aí, entrou em acordo com ele? A jovem para de andar e encara a minha amiga. — Acordo? É um carro importado, imagina o preço daquela lanterna! Nem se eu juntar meu salário até os quarenta anos de idade eu pago aquilo. — Então, o que você fez? — Fugi, né! Deixei o gringo me xingando na beira da estrada e meti o pé. A amiga começou a gargalhar. — Você é maluca, Malu. E se ele processar você? Vai ser pior! É melhor procurar esse homem e tentar consertar as coisas. — Ele anotou a placa do meu carro, essa é a única preocupação. — Mas que d***a, amiga, não devia ter feito isso. — É, mas eu fiz, e agora só me resta curtir. Foi pra isso que saí de casa, não foi? — Isso aí. Vamos sacudir o esqueleto! — Patrícia anda balançando os braços e fazendo uma dancinha estranha. Malu começa a rir, pois o que está feito, está feito, agora era esperar se ele iria fazer um boletim de ocorrência contra ela ou não, e torcer para nunca mais encontrar esse homem na vida!
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