CONHECENDO MARÍLIA

1300 Words
CAPÍTULO 2 Narrativa da Marília Me chamo Marjorie, mas todos me conhecem por Marília — nome que adotei depois que resolvi entrar nessa vida de prostituta. Vou contar um pouco da minha história. Me casei aos dezesseis anos. Namorava um rapaz chamado Francisco. Não o amei logo de cara, mas sempre tive muito carinho por ele. Linda era sua irmã, que tem a mesma idade que eu. Sempre que eu ia para a casa dela, acabava encontrando com ele. O amor foi nascendo aos poucos. Moça nova, sem saber das consequências… Um dia dormi na casa da Linda. Meu pai não queria deixar, mas minha mãe insistiu até que ele cedeu. Eu tinha apenas quinze anos e ele, dezenove. Naquela madrugada, ele me chamou para o quarto. A mãe e o pai dele não estavam em casa. Fomos para o quarto dos pais dele. Tive minha primeira vez ali. Para mim, não foi bom. Não senti prazer, só dor. Muita dor. Sangrei bastante. Ele ficou assustado, e eu também. Mas deu tudo certo. Nos levantamos cedo, lavei o lençol, botei na corda e voltei para o quarto onde estava dormindo no início da noite. Depois daquele dia, eu quase não o via. Hoje sei que ele estava se escondendo de mim. Mas eu, ingênua, achava que era porque ele estava muito ocupado. Sempre que a Linda podia, pedia para minha mãe deixar eu ir com ela até uma casa que seus pais tinham em Niterói. Sempre que ficávamos lá, ele me chamava para o quarto dele e eu, boba, ia. Quando foi um sábado, minha cunhada me chamou para o seu aniversário de dezesseis anos. Minha mãe e meu pai foram também. Papai percebeu a movimentação e logo notou meu sumiço. O bolo nem tinha sido cortado e ele já me chamou para irmos embora. No caminho de casa, meu pai, que não era bobo, me perguntou: — Você está namorando o filho do Sebastião? — Não, pai. Ele é só meu amigo — respondi. Meu pai me olhou sério e disse: — Se você estiver namorando e não contar para nós, quando acontecer alguma coisa eu mesmo vou ter o prazer de matar ele. Dois meses depois daquela conversa, a primeira bomba estourou: eu estava grávida de três meses e não sabia. Sentia enjoos, tonturas, minha menstruação tinha parado… mas não sabia que era gravidez. Chamei a Linda e contei. Ela ficou pálida e perguntou: — Meu irmão já sabe? — Não. Ela falou: — Então conta, porque ele está namorando uma garota da Bahia. Ela é da idade dele, de uma família conhecida da minha mãe. Foi prometida para ele ainda no ventre da mãe. Fiquei sem chão. Mesmo assim, quando ele chegou, Linda falou para ele o motivo de eu estar ali. Mas eu não esperava ouvir o que ele me disse: — Você está esperando filho? — perguntou, como se fosse impossível. Transávamos todo final de semana, sem proteção. Eu nem sabia que existiam remédios e camisinhas para evitar isso. Ele me olhou com ódio e disse: — Dá seu jeito. Eu não quero esse filho bastardo. Estou noivo, você não sabia? Meus olhos se encheram d’água, mas não deixei cair. Segurei. Fui para a varanda. Minha amiga estava lá, me esperando, e perguntou ansiosa: — E aí, o que meu irmão disse? Respondi seca: — Ele disse que não quer o bebê. Não sei o que vou fazer. Minha mãe vai me matar e meu pai vai matar seu irmão. Linda ficou paralisada. Perguntei por que não me disse que ele tinha uma prometida. Ela respondeu que ele não deixou, porque queria tirar meu cabaço. Disse isso na maior cara de p*u. Falei para ela que não sabia o que fazer. Fomos falar com a irmã mais velha dela, Joana. Ela disse para eu tirar. Olhou para mim e falou que a mãe não iria aceitar a gravidez porque Francisco já era comprometido. Como se eu soubesse! Não tive escolha e contei para a mãe dele. Linda sempre do meu lado, se sentindo culpada por ter deixado ele me enganar. A tal noiva apareceu. Eles nunca tinham se visto, só por fotos. A mãe dele contou o acontecido e botou ela para dormir com ele — e ele aceitou. Quando descobri, entrei em desespero e contei para minha mãe que estava grávida. Minha mãe contou para o meu pai. Aí o caldo engrossou. Meu pai me pegou pelo braço, me arrastou rua abaixo e me jogou no portão da casa dos pais dele, dando dois tiros no portão. Seu Sebastião, que ainda não sabia de nada, veio ver o que estava acontecendo. Meu pai contou. Meu sogro na hora me acolheu e chamou Francisco, que estava na sala tratando do casamento com seus sogros. E falou, sério, na frente de todos: — Essa menina é menor de idade. Ela disse que se deita com você desde os quinze e você nunca deixou sua irmã contar que já tinha um casamento arranjado. Você fez m*l para essa moça e ela está grávida. Estou desfazendo agora esse acordo. Daqui a dois meses, no máximo, Francisco, por sua crueldade, vai estar casado com a filha de dona Malvina e seu Aristaco. E pronto, falei. Está desfeito o acordo, lembrando: por sua culpa. Minha sogra me olhou com raiva e disse: — Você, menina… Tanto que esfregou isso aí na cara do meu filho, que agora deu nisso. Não vou poder honrar minha palavra com meus amigos por sua causa e desse bastardo que você carrega no bucho. A tal noiva, que estava sentada assistindo tudo calada, de repente se levantou, olhou para todos e disse para minha sogra: — Não rejeite esse bebê, dona Maria. Ele é seu neto. E essa criança que estou esperando não é dele. Quando vim para o Rio naquele dia que a senhora me mandou a passagem, eu estava me deitando com o pai desse bebê. Ele não é do seu filho e nem foi meu primeiro. Eu amo o pai desse bebê que carrego. E, pelo contrário do que seu filho fez com a moça, ele me ama e estava disposto a ir embora para outro estado comigo. Meu pai me olhou, saiu e voltou a me chamar, com o rosto triste e abatido. Pediu ao meu tio para preparar o casamento no civil. Um mês depois, eu estava casada com Francisco, morando na casa dos meus sogros e sendo maltratada por ele. Tive meu filho. Ele nunca olhou para o bebê. Arrumou uma amante de quinze anos. Eu sabia, mas não falava nada para não perder o amor da minha vida. Minha sogra dizia que eu tinha que me calar porque ele era homem. Quando meu filho fez quatro meses, na cidade onde morávamos teve um surto de meningite. Nessa leva, eu perdi meu bebê. Minha vida se tornou um caos. Apanhava dia sim, dia não. Nos separamos. Foi quando minha mãe soube do que eu estava passando. Ela infartou. Meu pai se casou outra vez. A mulher dele não deixava que ele me ajudasse. Foram cinco longos anos nesse sofrimento, até que um dia, por causa de uma pneumonia m*l curada, ele também se foi. Todos viraram as costas para mim. Procurava emprego, mas não sabia fazer nada. Nessa busca, conheci uma moça chamada Mel. Ela me falou de um lugar que chamava de termas. Aceitei o convite e fui para esse lugar, que hoje sei que é uma boate — ou zona, dá no mesmo. Comecei a aprender a ser esperta. Guardei meu coração. Nunca gozei, nem com meu marido. Não sei o que é prazer na cama. Estou nessa vida desde meus vinte são quatro anos não sei como quantos homens fiquei só sei que prazer nunca senti.
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