CAPÍTULO 27 Narrativa do Autor A casa na Rocinha se tornava, dia após dia, um refúgio seguro para Marília e os gêmeos. Fantasma não conseguia desgrudar os olhos dela, nem dos filhos. Cada movimento de Aurora ou do menino recém-nascido disparava uma avalanche de sentimentos dentro dele: amor, medo, devoção, fúria contida. Era como se o mundo inteiro tivesse se resumido àquelas pequenas vidas nos braços de Marília, e ele sentia a responsabilidade pesar sobre o peito, tornando cada respiração intensa e dolorosa. Marília ainda estava se recuperando do parto, cansada e vulnerável, e cada gesto de Fantasma demonstrava cuidado e delicadeza. Ele segurava os gêmeos com firmeza, trocava fraldas com precisão, embalava-os nos braços e, mesmo assim, parecia que cada movimento que ela fazia aumentav

