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Uma família para o dono do morro

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Blurb

No alto do morro canta g**o, onde o medo manda e o silêncio guarda segredos, duas vidas completamente diferentes estão prestes a se cruzar.Melissa bandonada pelo marido no momento mais difícil da sua vida, uma jovem mãe solteira luta todos os dias para criar sozinha o filho Miguel de cinco anos, um menino autista que precisa de amor, paciência e cuidados constantes. Sem apoio e com as contas se acumulando, ela aceita a ajuda da irmã e vai morar no morro, onde tenta recomeçar enquanto trabalha duro para garantir um futuro digno para o filho.Mas a vida no morro nunca é simples.Durante uma invasão, tiros ecoam pelas vielas e o caos toma conta de tudo. No meio da correria, um pequeno menino se perde… em crise, assustado, chorando sem parar.É Hugo, conhecido como Fantasma, o temido e respeitado dono do morro, quem o encontra.Acostumado com guerra, poder e sangue, Fantasma nunca esperou ser parado por algo tão simples… quanto o choro de uma criança.Ao levar o menino de volta para casa, ele conhece a mãe dele — e fica surpreendido com a força, a paciência e o amor com que ela enfrenta a vida e cuida do filho sozinha.O que começa como um simples encontro muda tudo. Porque no meio da violência do morro, Fantasma vai descobrir que algumas batalhas não se vencem com armas…Mas com cuidado, proteção e um amor que ele nunca imaginou sentir.Entre perigos, preconceitos e escolhas difíceis, uma mãe que só quer proteger o filho… e um homem temido por todos… vão descobrir que o destino pode nascer nos lugares mais improváveis. E que até o dono do morro pode ter o coração rendido.

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1- Fantasma
CAPÍTULO 1 FANTASMA NARRANDO Acordei com o rádio chiando do lado da cama e já senti que o dia vinha daquele jeito. No morro não existe descanso, quem tá no topo não dorme tranquilo. Quem manda vive atento. Levantei passando a mão no rosto e fui direto pra varanda da minha casa. Dali dava pra ver praticamente tudo. As vielas, os becos, as contenções, os pontos... Tudo que hoje era meu. Acendi um baseado e soltei a fumaça devagar. Muita gente olha pra mim hoje e vê o Fantasma, dono do Morro Canta g**o. Mas ninguém viu o caminho que eu percorri pra chegar aqui. Ninguém viu o sangue. Ninguém viu os corpos. Ninguém viu as noites que eu passei acordado planejando cada passo. Porque no crime não existe herança. Tu não recebe coroa, aqui tu toma e eu tomei a minha. Com dezesseis anos eu já carregava pistola na cintura. Com dezoito já comandava equipe. Com vinte e três derrubei quem sentava nessa cadeira antes de mim. Foi simples? Nem perto. Mas quando a oportunidade apareceu eu não pensei duas vezes. No morro só existe uma lei ou tu manda. Ou tu obedece. Eu nunca fui homem de obedecer. Escutei passos atrás de mim. — Bom dia, chefe. Olhei por cima do ombro. Tigre o meu braço direito. Meu sub. Parceiro de guerra há anos. Um dos poucos caras em quem eu confiava. — Fala. — Movimento tá tranquilo. Os vapor tão tudo no lugar. As cargas chegaram de madrugada. Assenti. — E a polícia? — Rodou lá embaixo mais cedo, mas nem subiu. — Então deixa eles passearem. Tigre riu. — Tá de bom humor hoje. — Tô nada. Joguei o resto do baseado no chão. Bom humor era coisa de gente normal. Eu fazia tempo que tinha deixado de ser normal. Entramos pra dentro do barraco da minha coroa e ela tava sentada na mesa tomando café. A única mulher que eu respeitava nesse mundo. A única. — Bom dia, meu filho. — Benção, coroa. Ela sorriu. — Deus te abençoe. Minha mãe odiava metade das coisas que eu fazia. Mas nunca deixou de me amar e isso era raro. Porque amor de verdade não existe muito por aí. Principalmente vindo de mulher. Mulher só traz problema, aprendi isso cedo. Vi meu pai ser enganado, vi amigo morrer por causa de mulher. Vi parceiro entregar operação por causa de mulher. Vi homem poderoso virar i****a por causa de mulher. Eu não, eu nunca deixei nenhuma chegar perto o suficiente. Pra mim era simples, só servia pra passar tempo, nada mais. Sentimento era fraqueza e fraqueza matava. — Tu precisa casar — minha mãe falou do nada. Quase engasguei com o café. — Tá maluca? — Tô falando sério. — Eu comando um morro, mãe. Não uma novela. Ela revirou os olhos. — Um dia aparece alguém que te coloca na linha. Tigre começou a rir. — Eu pago pra ver isso. — Pode guardar teu dinheiro porque isso nunca vai acontecer. – ela disse, ainda me encarando. — Mulher nenhuma manda em mim. Fiquei sentado na cadeira enquanto minha mãe colocava mais café na minha caneca. Tigre tava se acabando de rir da minha cara. — Vou até anotar o que tu falou hoje. — Anotar o quê? — "Mulher nenhuma manda em mim." Revirei os olhos. — E daí? — Daqui a pouco aparece uma maluca, te dá duas patadas e tu fica igual cachorro atrás dela. Minha mãe começou a rir. — Eu também acho. Balancei a cabeça. — Vocês dois tão usando droga estragada. Só pode. — Tu fala isso agora — Tigre respondeu. — Já vi muito chefe falar a mesma coisa. — Eu não sou eles. — Todo mundo acha que é diferente. — E eu sou. Ele apontou pra mim. — Foi exatamente isso que o Caveira falou antes de casar. — E hoje? — Hoje pede autorização pra mulher até pra respirar. Minha mãe gargalhou. — Tadinho do Caveira. — Tadinho nada. Ele que escolheu. Os dois continuaram rindo enquanto eu terminava meu café. — Vocês tão sem serviço mesmo. — Serviço eu tenho — Tigre respondeu. — Só tô aproveitando que é raro te ver tomando café sem tá ameaçando alguém. Mostrei o dedo do meio pra ele. — Muito engraçado. Minha mãe sentou na minha frente e me encarou daquele jeito que só mãe sabe fazer. Quando ela ficava me olhando assim era porque vinha bomba. — E filho? Fechei os olhos. — Lá vem. — Eu tô falando sério. — Eu também. — Tu já tá com idade. — Idade pra quê? — Pra construir uma família. Dei uma risada sem humor. — Família? — Sim. — Mãe, olha ao meu redor. Apontei pra janela. — Meu trabalho é resolver guerra, invasão, polícia e traição. Tu acha mesmo que eu nasci pra criar uma criança? — Acho. — Então a senhora tá enganada. Ela suspirou. — Tu fala isso porque nunca segurou um filho teu nos braços. — Nem quero. Tigre quase cuspiu o café de tanto rir. — Caralhø, chefe. — Que foi? — Tu tá parecendo aqueles velho amargurado. — Melhor amargurado do que ferrado. — Filho é bênção. — Filho dá trabalho. — Mas vale a pena. — Pergunta pros meus vapores quantas horas eu durmo por noite. Tigre balançou a cabeça. — Um dia eu vou lembrar dessa conversa. — Pode lembrar. — Porque a vida adora fazer o contrário do que a gente fala. Minha mãe apontou pra ele. — Finalmente alguém inteligente nessa mesa. — Tô cercado de maluco. Levantei antes que o assunto continuasse. Peguei minha pistola, conferi o carregador e coloquei na cintura. — Vou dar um giro. — Vai comer alguma coisa primeiro — minha mãe reclamou. — Depois eu volto. — Tu sempre fala isso. Me aproximei dela e dei um beijo no topo da cabeça. — Relaxa, coroa. Ela segurou meu braço por um segundo. — Se cuida. Assenti. Era sempre assim, ela sabia quem eu era. Sabia o que eu fazia e também sabia que um dia eu podia sair por aquela porta e não voltar. Soltei o braço devagar e saí. Lá fora o morro já tava acordado, som ligado, criança correndo, moto subindo e descendo as vielas. Meu mundo. O mundo que eu tinha conquistado, o mundo que eu jurava controlar. Sem imaginar que, em pouco tempo, uma mulher e uma criança iriam bagunçar tudo que eu achava que sabia sobre a vida. Continua..... Lançamento fim do mês de junho 📚❤️ RECADO DA AUTORA: LIvro recomendado para maiores de 18 anos, conteúdo explícito!!! Livro escrito em atualização diária, sendo a obra concluída com a publicação do último capítulo e a sinalização de completo pela plataforma. Avisos importantes: Como o universo é morro, traficantes, a linguagem utilizada não é na maioria das vezes o português escrito no dicionário. Mas sim o português falado no dia a dia com suas abreviações de palavras e gírias. Algumas palavras são censuradas pela plataforma, então aparece a primeira letra e ** mais a última letra, exemplo, s**o, seio, quando a autora lembra, ela pode usar o trema sëio e você terá a palavra escrita com uma acentuação não pertinente. Temos uma janela de publicação curta pois conta o horário dá plataforma em Singapura, para termos nossas metas diárias completas, de forma que fazer uma revisão ortográfica antes de publicar, para mim que escrevo em média 4 livros ao mesmo tempo é impraticável. Caso tenham alguma dúvida, ou não entendam algo escrito, podem sinalizar nos comentários do capítulo que eu terei todo carinho do mundo em esclarecer.

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