Capítulo Quatro — Miguel Bom Forte

1506 Words
— Sabe me dizer alguma coisa da advogada, se ela já chegou, Caio? Estou ansioso para falar com essa mulher, na verdade, para conhecê-la, quem é essa, ninguém em sua perfeita consciência pegaria uma causa no fim do mundo, porque vamos combinar, a Amazônia não é o lugar mais perto, principalmente para uma mulher que está acostumada a morar no Rio de janeiro, quero só ver qual vai ser a desculpa dela, quando eu perguntar sobre isso, porque algum interesse pessoal tem que ter, ninguém decide vir para o fim do mundo da noite para o dia somente por que que seria uma boa Samaritana nisso eu não acredito. — Segundo os meus contatos, ela acaba de chegar neste exato momento à fazenda vizinha, alguma coisa me diz que a mesma vem direto para cá, portanto vá se preparando primo. Não preciso me preparar para nada, aliás seria divertido ver a cara da mesma, quando os meus funcionários dissessem que não vou lhe receber hoje a noite e sim só amanhã de manhã, aliás é isso que vou fazer, quero mostrar para está mulher que ela está brincando com fogo e quem brinca com fogo se queima. — Avise aos meus funcionários que não deixem ela passar da porta, quero mostrar para está mulher que aqui as ordens são minhas e ninguém irá me colocar no bolso, vai Caio, deixem todos avisados sobre isso, não quero que ninguém passe por cima da minha ordem, só irei atender esta pessoa amanhã. Meu primo fala que posso estar mexendo em um vespeiro, não me importa, nunca tive medo de ninguém, ainda mais de mulher, por favor, isso seria uma palhaçada se acontecesse. — Acho que vai criar uma situação por nada, pode muito bem atender essa advogada de maneira amigável, vamos ver quais suas verdadeiras intenções, depois você proíbe a entrada dela na fazenda e pronto, aliás quanto mais rápido nos livrar dela melhor. Claro! De certa forma o meu primo tem razão, se não lhe receber hoje, ela pode achar que estava escondendo alguma prova e já basta a propaganda negativa que isso tudo fez, não posso colocar mais lenha na fogueira sobre isso. — Você tem razão, Caio, esquece está ordem que dei e vai esperar está mulher, assim que ela chegar a traga direto para o escritório. Com cerca de meia hora o meu primo entrou acompanhado de uma bela mulher, pelos saltos da para perceber que não faz parte da roça, porque com certeza este não é o calçado mais apropriado para estar aqui. — Deveria ter trazido um par de botas na mala, o solo daqui não é muito confortável para saltos altos. A mesma me olha de cima para baixo, como se estivesse me analisando. — Não deveria estar preocupado com os meus sapatos, aliás eles não estão me incomodando em absolutamente nada, prazer, advogada criminalista Júlia Ribeiro. Não posso dizer que é um prazer conhecer a pessoa que quer me incriminar, porém é uma obrigação. — Miguel Bom Forte dono das fazendas Bom Forte, como a senhorita já deve saber, mas não estamos aqui para conversar sobre os meus negócios, acredito que veio a mando dos meus vizinhos de divisa da fazenda não? Eles não vão descansar, enquanto não terminarem de infernizar a minha vida por completo. Ela me olha intrigada, com certeza não esperava que fosse sincero em nossa primeira conversa, eles são uns desgraçados, invejosos que não perdem uma oportunidade se quer para querer destruir a nossa imagem de uma empresa séria. — A morte de um jovem que tinha a flor da idade e um futuro pela frente não pode ficar impune, não vejo nada de inferno querer se fazer justiça quanto a isso e eles procuraram a maneira certa que é através da justiça não acha? Claro! Que se tivesse um filho e ele fosse assassinado assim, gostaria que fosse feito justiça, porém com os verdadeiros culpados, não com alguém que eu inventei na minha cabeça que possui culpa. — Não discordo, porém essa justiça tem que ser feita com os verdadeiros assassinos, não com ninguém que não tem nada haver. Ela sorrir como se estivesse acabado de contar uma piada, não estou gostando nada desta mulher, alguma coisa me diz que ela pode se tornar uma pedra em nossos sapatos. — Se são inocentes como falam, não precisam se preocupar comigo, ou com os pais da vítima, só vir aqui, porque os mesmos me informaram que você e o seu primo tem em mãos, um material que mostra alguém entrando na fazenda, arrastando algo que poderia ser um corpo, será que poderia deixar eu dá uma olhada neste material? Vamos irritar um pouco essa mulher, será que ela é tão calma, como estar querendo aparentar ser? — Você tem alguma ordem judicial Doutora? Porque você tem que concordar comigo que é um material de suma importância para provar a minha inocência e a do meu primo, não posso simplesmente sair mostrando para qualquer pessoa. Observo a Júlia respirar fundo, com certeza está querendo me dizer inúmeros desaforos, porém não pode perder calma, porque se não perderá a sua razão. — Não tenho nenhuma ordem judicial, porque como advogada de acusação do caso, tenho todo direito de ter acesso a provas que dizem contradizer as versões dadas pelos meus clientes. Não confio nela, portanto ela não vai colocar os olhos nessa gravação, muito menos os dedos, quem me garante que a mesma não quer manipular essa gravação para nos incriminar, é uma advogada recém formada, até onde pude apurar, pode muito bem estar querendo fama em cima de um caso, que está constantemente na mídia. — Ótimo! Então vou apresentar essas provas na delegacia, caso o delegado ache prudente, ele mesmo irá lhe mostrar, caso contrário eu não preciso lhe ensinar como fazer seu trabalho não é advogada? Porque qualquer pessoa sabe que para ser ter acesso a algum material comprometedor é necessário uma autorização do juiz, portanto se entenda com o delegado depois, porque amanhã mesmo estarei entregando essas filmagens nas mãos dele. A mesma se levanta de forma brutal, olha sabia que esse posso de calmaria não existia, foi só negar o que queria para revelar sua verdadeira face. — Escuta aqui, você acha que sair do Rio de Janeiro para defender este caso, para chegar e ficar de brincadeira? Não brinco em serviço meu caro, posso ser uma advogada recém formada, mas ninguém irá me fazer de b***a, principalmente você, aliás por algum momento cheguei a acreditar que era inocente, porém este seu lado negativo, acabou de me colocar em dúvida. Como assim? Somente porque não quero fazer as vontades da menina mimada, viro automaticamente um suspeito. — Deixa ver se entendi bem, somente porque não quero colaborar com as suas vontades me torno um suspeito é isso? Estar misturando o lado pessoal com o trabalho doutora, não deveria fazer isso, pode afetar na sua defesa. A Júlia afirma que vai voltar e dessa vez com uma ordem de busca e apreensão das minhas coisas, para ver se aprendo a tratar melhor as mulheres, porque tem certeza que se fosse um homem o tratamento não seria esse, ótimo! Era só o que me faltava, a mesma afirmar que a minha atitude é machista. — Nunca levo o meu trabalho para o lado pessoal, senhor Bom Forte, acredite vou voltar e dessa vez com uma ordem de busca e apreensão, quero só ver o senhor negar para os polícias de levar alguma coisa da sua casa, ah! E não se preocupe porque vou fazer questão de vir acompanhar tudo de perto, para que os mesmos não esqueçam de levar absolutamente nada, não pense que não percebi o seu jeito machista comigo, mas quero deixar algo bem claro, faço o meu trabalho melhor do que muitos homens metido a macho. Opa! A moça sabe ser bruta quando necessário, mas não tenho medo das suas ordens, se vier com uma ordem a casa é toda dela e dos polícias, vão poder colocar de cabeça para baixo caso seja necessário, porém somente com conversas bonitas, não vai me ganhar. — Ótimo! Faça isso dê entrada nesta ordem e depois que tiver com ela em mãos, voltamos a conversar, agora se me der licença já estar tarde, gostaria de poder ir dormir e acredito que você também deve precisar descansar, já que chegou direito de viagem e veio para cá. Ela me olha sem entender, deve estar se perguntando como eu sei que veio direto para cá, que só passou na fazenda para guardar as suas coisas, é advogada também tenho os meus meios de saber de tudo. — Como sabe que vir direto para cá? Não lembro em nenhum momento de ter falado sobre a minha chegada. Ninguém precisa me dizer absolutamente nada, eu sei de tudo, às pessoas adoram me contar as novidades, apenas isso. — Não foi você que me falou, sou apenas um homem bem informado, nos mundos dos negócios isso é um fato essencial.
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