Tudo contra

1429 Words
Matteo segurava os desenhos contra o peito, as lágrimas rolavam sem controle enquanto seu corpo tremia por causa dos espasmos do choro. Sentia que as lágrimas formavam um nó grosso na garganta, a ponto de impedi-lo de engolir. Ele limpou o rosto com impaciência, estava muito irritado consigo mesmo, sem entender como pôde ter sido tão cego em relação ao seu casamento. Fechou os olhos, e de repente teve uma ideia. Abriu os olhos rapidamente, pegou o telefone e ligou para um de seus consultores financeiros, que atendeu no primeiro toque. — Gael, preciso que investigue as cinco maiores empresas de extração de esmeraldas, pedras preciosas e semipreciosas, metais preciosos. Compre todas! Mas use meus fundos pessoais, não importa o custo. E também as empresas mais destacadas na indústria de corte e polimento. Compre-as todas! » Quando localizar as empresas, chame o advogado para preparar os documentos de compra e venda. Só uma coisa: mantenha minha identidade em sigilo. Após dar a ordem, encostou a cabeça na parede, enquanto um leve sorriso se desenhava em seu rosto. — Ah, minha Gala, talvez eu não tenha percebido seu sonho de ser ourives, mas agora, vendo como você guardava tudo isso com tanto cuidado... Com certeza, você vai realizar seus sonhos, e eu estarei lá para ajudá-la a alcançá-los. » Serei seu melhor fornecedor, me dedicarei a explorar as pedras preciosas, pérolas, as mais belas, metais preciosos, e assim estarão sempre disponíveis para você. » Embora você não possa saber agora que estarei por trás dessas empresas, vou cuidar de você nas sombras. Farei o impossível para reconquistá-la, farei você se apaixonar por mim novamente, e nem vai perceber. Minha pequena Gala. Nesse momento, memórias do passado o inundaram, memórias que haviam permanecido no fundo de sua mente até agora. Os Ferrari tinham ido visitar sua casa, e todos decidiram jogar futebol nas quadras de sua residência. Camilla e sua prima Lía, junto com ele, tinham treze anos, sendo Matteo o mais velho de todos. Os gêmeos e Alondra tinham doze, enquanto Gálata era a menor, com apenas seis anos, e todos se recusavam a deixá-la jogar. «— Ela é muito pequena, não pode jogar — disse Camilla. — Você pode cair, princesa, e meu pai vai ficar bravo conosco — acrescentou Taddeo, tentando convencê-la. — Vocês são malvados! Eu quero jogar! Eu quero jogar! Vou chorar e gritar! — choramingava a menina de forma descontrolada. — Alguém tem que ficar com ela para acalmá-la. Vamos decidir na sorte ou quem se voluntaria? — perguntou Camillo, olhando para os outros. O rosto dos outros garotos indicava que não estavam dispostos a ficar. Enquanto isso, Gálata continuava chorando como se tivesse sido ferida. Matteo se comoveu ao vê-la desconsolada, suspirou profundamente e se aproximou dela. — Eu fico com ela! Venha, Gálata, não chore. Eu vou cuidar de você — disse ele, sentando-se ao lado dela e limpando suas lágrimas, enquanto a pequena sorria de felicidade. A menina abriu uma pequena maleta de fios e cordões que carregava consigo. — Vou fazer uma pulseira de couro para você... assim você sempre poderá usá-la, nunca vai tirá-la... Quando eu crescer, vou me casar com você e fazer até um anel de ouro puro — o menino sorriu diante das palavras da garotinha. — Você é muito pequena, e eu sou muito grande para você. Quando crescer, deve encontrar um namorado mais próximo da sua idade. Entendeu? — A menina começou a chorar novamente. — Você é muito mau, meu Mattiu! Você não me ama, e vou morrer de tristeza — disse ela dramaticamente, enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto. — Não chore! Eu não gosto de ver você assim — disse ele, para evitar mais lágrimas —. Tudo bem, eu serei seu Mattiu, e você será minha Gala. Quando crescer, nós nos casaremos, e eu nunca vou deixá-la partir. — Então, eu serei a famosa Gala, para que você sempre se lembre de mim e possa me encontrar.» — Minha Gala, minha pequena, onde estará essa pulseira? — pensou ele, levantando-se e correndo até o carro para ir à mansão Sebastini. Assim que entrou na casa, viu que havia visitas: Lucca, Valeria, Camilla, Felipe, sua irmã e seus pais estavam presentes. Ao vê-lo, uma expressão de desagrado apareceu nos rostos deles. — Bom dia — cumprimentou ele, recebendo resposta apenas de Felipe e Lucca, enquanto os outros permaneceram em silêncio. Ele se aproximou para beijar sua mãe, mas ela virou o rosto, e foi inevitável sentir-se ferido. Seu coração se apertou no peito, mas ele manteve uma expressão indiferente. Ao se endireitar, viu seu pai em frente a ele, que, sem dar tempo para reação, e sem se importar com a presença das visitas, deu-lhe um soco no rosto, desequilibrando-o e rompendo seus lábios no ato. — Me desculpem, mas eu precisava dar os socos que não dei quando ele era criança — depois voltou sua atenção para Matteo —. Você é uma vergonha para a família Sebastini. Não sei como pude ter um filho tão desprezível como você. » A partir de hoje, você está fora da presidência de todos os meus negócios: vinícolas, construtoras, redes de hotéis, e nem tem o direito de se hospedar neles. Não quero vê-lo em minha casa ou em nenhuma das minhas propriedades. — Eu não esperava nada menos de você, Nickolás. Primeiro bate e depois investiga. Você sempre foi assim. Não se preocupem, não os incomodarei mais. Só vim buscar algo. Com licença — disse ele friamente, sem deixar transparecer nenhuma emoção em seu rosto. Quando começou a subir as escadas, Alondra o deteve. — Matteo, por favor, nos diga, por que fez isso com Gálata? — ela viu um gesto de frustração no irmão e uma suspeita surgiu —. Se você tem uma razão, é hora de nos contar. — Não se preocupe, Alondra, não tenho nada a dizer. Todos já têm sua própria opinião, e não vou arar no mar. Ele subiu as escadas e entrou no que foi seu quarto de juventude. Começou a vasculhar as gavetas da penteadeira, do closet, e passou horas procurando até encontrar o que procurava. Quando teve em suas mãos, sentiu seu coração aquecer, beijou o objeto e pensou. Tinha chegado o momento de ver seu filho. Ele tinha todo o tempo do mundo para estar ao lado do menino, mas esperava também poder ver Gálata. Saiu do quarto e desceu as escadas. Quando chegou à sala, não havia mais ninguém por ali. No entanto, não valia a pena procurá-los. Entrou no carro, e foi impossível deter as lembranças, especialmente o que havia acontecido momentos antes: a indiferença de sua mãe e a raiva de seu pai. Ele então prometeu a si mesmo que nunca julgaria seus filhos sem primeiro ouvir a versão deles. Ao chegar em casa, talvez fosse t**o, mas esperava que Gálata tivesse voltado. No entanto, ao entrar, a realidade fria o atingiu novamente. Ele tomou um banho, pois sua aparência deixava muito a desejar, com uma barba de três dias, coisa que nunca havia deixado crescer antes. Após se barbear e se vestir, entrou no carro mais uma vez. Antes de dirigir, recebeu uma ligação de um dos advogados das empresas Sebastini, que também era seu assessor jurídico pessoal. Ao atender, o homem foi direto ao ponto. — Matteo, estou ligando por dois motivos importantes. O primeiro: seu pai mandou destituí-lo da presidência das empresas da família. A partir de agora, você não tem mais controle sobre elas — o advogado esperava uma reação de Matteo, mas este não emitiu nenhum som diante da notícia. — E qual é o segundo motivo importante? — perguntou com tranquilidade, sem demonstrar qualquer hesitação. — Tenho conhecimento de que você está prestes a iniciar um processo de divórcio. Não pode comprar bens durante essa situação, pois tudo o que adquirir fará parte do patrimônio conjugal — disse o advogado, com um tom de superioridade. — Prepare os documentos de compra e venda. Se eu quisesse outra consultoria, teria pedido — respondeu com voz fria. Enquanto isso, o advogado não conseguia parar de pensar nos rumores sobre Matteo. Ele era mais frio do que um réptil, sempre foi. No entanto, qualquer um esperaria mais calor depois de ver os vídeos com seu amor de juventude. Parecia que Matteo tinha uma dupla personalidade: a que mostrava a todos e a que revelava apenas para Helena. Essa era a impressão de todos que o conheciam, especialmente de Gálata, que alimentava sua raiva com essa ideia.
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