Gálata havia saído cedo com sua mãe e já tinha encontrado o instituto onde cursaria seus estudos de design. Voltou para casa emocionada, mas, ao entrar, a assistente que cuidava de seu filho estava quase chorando junto com ele, que estava em um estado de histeria, e a expressão da moça não era muito diferente.
— Quero o meu papai! — soluçava o pequeno, com tanto sentimento que comovia todos que o ouviam.
Ele viu sua mãe e estendeu os braços em sua direção, sem parar de chorar, com uma expressão de tristeza em seu rostinho.
— Calma, meu doce menino, não chore, senão vai ficar todo enrugadinho como uma uva passa — falou Gálata com carinho para acalmá-lo.
— Se eu ficar adugadinho, posso ver meu papai? — perguntou o menino, cheio de esperança.
— Logo você verá o seu papai, ele vai vir para ver seu menino lindo — respondeu ela, sem ter certeza se o que dizia era verdade. Subiu com ele para o quarto e o abraçou forte contra o peito.
Menos de vinte minutos depois, sua mãe bateu à porta e entrou.
— Gálata, você tem uma visita — a jovem franziu o cenho de forma interrogativa, pois não estava esperando ninguém.
— Quem é?
— É o Matteo.
— Não quero vê-lo! Diga que vá embora pelo mesmo caminho por onde veio — disse ela com ressentimento.
— Filha, ele realmente não perguntou por você, mas sim pelo Xavier — ao ouvir essas palavras, duas coisas aconteceram ao mesmo tempo: Gálata sentiu uma pontada de decepção no coração, e, em segundo lugar, o pequeno se levantou da cama, pulando de alegria.
— Papai! Papai! Quero ver o meu papai!
Gálata o olhou com tristeza, sentindo-se despedaçada por ter um filho que, para ela, parecia um traidor. Sabia que isso não fazia sentido, mas não conseguia evitar esse sentimento.
— Quer ir com seu papai passar o resto do dia? — o pequeno balançou a cabeça afirmativamente — Mamãe, leve-o até o pai, porque eu não tenho o menor desejo de ver o Matteo.
No entanto, uma parte dela queria vê-lo implorando, pedindo perdão, suplicando por uma nova chance, rastejando-se para confessar seu amor e dizer que seu deslize com Helena foi um erro. Ela ansiava ouvir dos lábios dele o quanto era importante para ele, não para reatar o relacionamento, mas para aliviar seu ego ferido de mulher traída.
Porque era assim, quando se sofre uma traição, você começa a questionar sua própria dignidade, faz inúmeras perguntas, se sente tão pequena e insignificante, até se culpa pelo que aconteceu. Milhares de pensamentos e suposições surgem: "Por que isso aconteceu? Onde errei? Eu poderia ter feito algo melhor para evitar?". Mesmo sabendo, no fundo, que a única culpa que tinha era não se amar o suficiente, não conseguia evitar esses pensamentos.
*****
A assistente o levou até a sala de estar. Matteo não parava de olhar para a porta, na esperança de ver Gálata entrar com seu sorriso radiante, seus olhos cinza abertos com aquela expressão de inocência, seus lábios rosados e provocantes como cerejas. Ele fechou os olhos, tentando bloquear esses pensamentos, pois pensar em sua esposa fez com que seu corpo reagisse, e sua masculinidade se erguesse. Mexeu as pernas para aliviar a tensão da calça.
Nesse exato momento, ouviu passos. Ao abrir os olhos, viu Anabella com Xavier nos braços. Não conseguiu disfarçar a expressão de decepção, pois esperava ver Gálata.
— Senhora Anabella — cumprimentou ele, inclinando levemente a cabeça em sinal de respeito —, meu campeão.
Chamou ao ver seu filho, que estava escondido no pescoço da avó. Mas, ao ouvir a voz do pai, o menino pareceu ganhar energia.
— Papai! Papai! — exclamou feliz, estendendo os braços para o pai.
Matteo o abraçou com força, inalando o cheiro de seus cabelos.
— Senti sua falta, meu campeão — disse com a voz rouca. Ao ver a expressão de seu filho, não conseguiu conter um leve brilho de lágrimas em seus olhos.
— Senhora Anabella, quero levá-lo comigo para passar a noite — disse Matteo, esperando a confirmação da mulher.
— Vou avisar depois de falar com minha filha — respondeu ela, com calma, sem tirar os olhos dele —. Você precisa se acostumar, pois a partir de agora, nem todo o tempo será seu para passar com ele.
— E ela, como está? — perguntou ele com a voz quase inaudível. Mesmo tendo se prometido não perguntar por Gálata, não conseguiu evitar.
— Ainda pergunta? Como acha que ela está depois de descobrir que o homem que ela ama e considerava fiel foi para a cama com outra mulher e até gravou o encontro? — perguntou Anabella com evidente irritação.
— Não foi assim! Alguém distorceu essas imagens. Aquelas em que apareço com Helena são de outro… — antes que pudesse continuar, Anabella o interrompeu.
— Não me interessam seus detalhes íntimos, Matteo. Eu te considerava um rapaz íntegro, sincero, e até admirava você. Queria que meu filho Camillo aprendesse a ser como você. No entanto, a maneira como se comportou e enganou minha filha foi o ato mais desprezível de todos.
» Não quero continuar com essa conversa. Você pode sair da minha casa. E, a propósito, lembre-se de que não é mais bem-vindo aqui. Da próxima vez, ligue antes e espere no portão. Lá, alguém vai atender você.
— Está bem, senhora Anabella. Será como a senhora desejar.
Ele saiu com o filho nos braços, um pouco frustrado, pois ninguém parecia disposto a ouvi-lo. Não adiantava tentar se explicar. A partir de agora, deixaria que todos pensassem o que quisessem. A única pessoa para quem ele precisava provar a verdade era Gálata, mas ele sabia que precisaria fazer por merecer. Não bastavam palavras, eram necessários atos concretos.
Ao descer os degraus da casa, de repente um carro parou. Ao olhar com atenção, viu que era Camillo. Assim que o viu, Camillo uniu as mãos e estalou os dedos com força.
— Querido cunhado! Você não tem ideia de como eu desejei te ver e tudo o que imaginei fazer com você — disse ele com um sorriso perigoso, aproximando-se com uma expressão ameaçadora.