Tenho direito a viver.

1898 Words
Matteo observou Camillo de cima a baixo e, pela expressão corporal dele, sabia quais eram suas intenções, mas não estava disposto a deixá-lo fazer o que queria. — Camillo, suas intenções estão claras em seu rosto, mas agora não vou te dar esse gosto. Não tenho intenção de brigar com você, especialmente enquanto estou carregando meu filho, e além disso, não tenho tempo para perder com isso — declarou calmamente, afastando-se e caminhando para longe de Camillo. — Você me deve uma! — exclamou, indignado. — Você é meu amigo, mas o que fez com minha irmã eu não vou deixar passar. Você poderia ter sido honesto com ela, não teria custado nada, mas preferiu enganá-la e a transformou em motivo de piada para todos. » Quando você se casou com minha irmã, eu te disse que não era uma boa ideia, porque você não a amava. Sempre esteve obcecado por Helena, ela foi sua fixação desde sempre, e agora, assim que ela apareceu, você correu para ela, sem se importar com sua família, com o sofrimento que causou, e nem sequer considerou a gravidez de Gálata. » Eu te achava mais homem, pensei que você era um cara de verdade. Por que se comportou assim? Você realmente ama tão pouco a minha irmã? Matteo passou a mão pela cabeça, em um gesto de frustração, mas não queria se explicar. Estava cansado de dar tantas explicações e evitou a pergunta. — Sua maneira de exigir explicações não está correta. Estamos falando da minha vida privada, e você não tem o direito de se intrometer, mesmo que seja a respeito da sua irmã. Quem deve me pedir explicações é Gálata. Se ela fizer isso, aceitarei, mas os outros devem se abster de enfiar o nariz onde não são chamados — respondeu com evidente raiva. — Adeus, Camillo. — Tudo bem, Matteo, por enquanto vamos esperar. Mas eu te aviso, da próxima vez, nada vai impedir que eu quebre sua cara — disse Camillo, seguindo seu caminho em direção à casa. Matteo colocou seu filho no banco de trás, prendeu o cinto de segurança e subiu no lugar do motorista. Assim que se acomodou, o pequeno começou a falar, parecendo um papagaio. — Papai, sinto muito a sua falta. Eu te amo — disse, batendo palmas animadamente. — Eu te amo mais, meu campeão, e também senti sua falta — Matteo ficou pensativo por um momento. Não parecia certo fazer isso, mas Xavier era o único que poderia contar como estava Gálata. » Xavier, quero te fazer uma pergunta. Sua mamãe está bem? — perguntou, esperando que o menino de três anos entendesse e pudesse responder corretamente. — Minha mamãe estava muito triste, ela chorava e disse "maldito Matteo" — imitou o menino o gesto de raiva que sua mãe fez. Matteo se sentiu m*l com as palavras do filho e se perdeu em seus pensamentos. Não sabia como acalmar a raiva de sua esposa. Nesse momento, o telefone tocou, e ele atendeu no viva-voz. — Alô, Matteo, você está bem? — perguntou uma voz feminina do outro lado da linha, sem esperar resposta. — Tenho te ligado, mas você não atendia. Estou preocupada com você. Está sendo muito difícil para mim, as pessoas me atacaram, até jogaram ovos em mim na rua e me xingaram de coisas horríveis. — Helena! — exclamou, sentindo suas mãos suarem. Sua boca secou, e ele não pôde controlar o arrepio frio que percorreu seu corpo ao ouvir a voz dela. — Estou bem, obrigado por se preocupar. — O que Gálata disse? Imagino que ela ficou indignada ao ver aquele vídeo. Não deve ser fácil para ela passar por essa situação — comentou Helena, com a voz trêmula. — Gálata me deixou, Helena. Ela nem me deixou explicar — respondeu, sem esconder sua tristeza. — Matteo, se você precisar que eu explique para Gálata, posso fazer isso. Ainda estou em Roma, no mesmo hotel. Na verdade, estou procurando um lugar para alugar, porque vou ficar na cidade. » Mandei meu currículo para vários lugares há alguns dias, e ontem me chamaram. Tenho uma entrevista na segunda-feira... Se precisar de mim, não hesite em me ligar. Vou te enviar meu endereço... Não se esqueça que sempre estarei aqui para o que você precisar. — Obrigado, Helena, mas não precisa se preocupar. Estou bem. Agora estou com meu filho, Xavier, e passarei o dia e talvez a noite com ele. Não precisa se preocupar comigo. Adeus, Helena. Do outro lado da linha, ouviu um suspiro, e a voz de Helena quase num sussurro. — Adeus, Matteo — despediu-se Helena, que, ao desligar, fechou os olhos, tentando controlar suas emoções. — Eu te amo tanto, Matteo, que isso me machuca. Sofro junto com você. Nunca quis te causar nenhum problema. Se soubesse que você tinha construído uma vida feliz, nunca teria voltado a aparecer na sua vida — afirmou, em voz alta. ***** Depois de encerrar a ligação, Matteo ouviu a voz de seu filho. — Papai, quem é Helena? — perguntou Xavier, com o cenho franzido e uma voz tão clara que quase fez Matteo engasgar. Depois de parar de tossir, ele respondeu. — Helena é uma amiga — respondeu ele. — Tudo bem. Papai, canta uma música para mim? — pediu Xavier, esquecendo o assunto sobre Helena. Matteo começou a cantar músicas infantis até chegarem em casa. Ao chegar, tirou o filho do carro, o levou para o quarto de brinquedos, e ficaram brincando de montar blocos. Depois, o levou para brincar no quintal com um carrinho elétrico. Quando já tinham brincado por horas, Xavier começou a chorar. — Estou com fome — disse o menino, passando a mão na barriga. — Vamos ver o que temos na geladeira, mas antes, vamos tomar um banho. Depois de um banho rápido, Matteo tentou cozinhar, mas a massa que preparou ficou intragável, queimada e grudenta. Sentou Xavier no balcão, e, ao ver a comida, o menino fez uma careta de desgosto, cobrindo a boca. — Papai, agora não estou mais com fome. Passou — disse Xavier, tentando não ofender o pai. Matteo jogou a comida fora e, em seguida, falou para o filho: — Que pena, porque eu estava pensando em pedir uma pizza — comentou sorrindo, e o filho caiu na gargalhada. — Ah, papai, agora estou com fome de novo, mas só de pizza — respondeu o menino com um olhar inocente. Matteo se aproximou e o beijou. Depois que a pizza chegou, comeram e se prepararam para dormir. Por volta das seis da tarde, Matteo recebeu uma ligação de Anabella. — Matteo, em vinte minutos eu venho buscar Xavier. A mãe dele não está de acordo com ele dormir com você à noite, ainda é muito pequeno — disse a mulher, com um tom sério. — Eu posso cuidar dele. Por favor, diga a Gálata que, se ela não quiser me atender, podemos falar por mensagem. O bebê está dormindo, seria desconsiderado acordá-lo. Eu sou o pai dele, nunca faria m*l a ele — sua voz falhou, sem conseguir controlar a emoção. Anabella sentiu pena, mas sua voz continuou firme. — Matteo, essas são as consequências dos seus atos. Você terá que aprender a viver com isso. Toda ação tem uma reação — disse com determinação. Matteo suspirou, sentindo-se impotente. Doía deixá-lo ir, mas não queria criar conflitos com Gálata, especialmente por causa da gravidez. Ela já estava sofrendo o suficiente. — Tudo bem, venha buscá-lo — disse ele, com seriedade. Após desligar, beijou a testa do filho e acariciou seus cabelos. — Eu te amo, filho. Prometo fazer de tudo para ter nossa família unida novamente, mesmo que isso me custe a vida — disse ele, antes de acordá-lo, escovar seus dentes e penteá-lo. Quando Anabella chegou, Xavier já estava pronto. Matteo o entregou e ficou na calçada, observando até que o carro desaparecesse. Mais uma vez, lágrimas escorreram por seu rosto, sem que ele pudesse controlar. ***** Gálata vestiu um vestido azul, justo na parte superior do b***o e solto a partir daí, até a altura dos tornozelos, combinado com sandálias prateadas. A peça fazia com que seus olhos cinzas parecessem ainda mais vivos. Ela se maquiou em tons nude, destacando seus belos traços latinos. Ao sair de seu quarto e descer para a sala, encontrou seus pais entrando com Xavier, que dormia nos braços do pai. Ela se aproximou, beijou a testa do filho e não pôde evitar sentir o suave aroma de madeira e frutas cítricas, o mesmo cheiro de Matteo. Um suspiro escapou dela, enquanto seu coração acelerava e uma leve sensação de frio no estômago a dominava ao recordar. — Aonde você vai, Gálata? — perguntou seu pai com seriedade. A mulher olhou para sua mãe, um pouco nervosa. — Fui convidada para sair — respondeu, hesitante. Viu a expressão interrogativa do pai e esclareceu suas dúvidas. » É alguém com quem esbarrei, e ele me convidou para sair. O nome dele é Adriano Colombo Bellini — suspirou, tentando aliviar a tensão. — Gálata, não acho correto você sair com alguém, considerando que você acabou de se separar há poucos dias. O que vão dizer? Por acaso você estava esperando se separar de Matteo para sair com outros homens por aí? — perguntou Sebastián, claramente irritado. — Pai, eu não estou saindo para me envolver emocionalmente. Só quero me distrair. Tenho o direito de viver o que não pude antes, de sair, de me divertir. Passei muito tempo praticamente enterrada em vida. Confie em mim — respondeu com firmeza. — Tudo bem, filha, mas tenho algumas perguntas. Você realmente deixou de amar Matteo? O tirou assim, tão rápido, da sua vida e do seu coração? Não vai voltar para ele? — perguntou, incrédulo com a mudança tão radical da filha. — Matteo faz parte do passado, pai. Estou decidida a apagar qualquer vestígio dele da minha vida, e o que aconteceu entre nós não tem volta. Nossos únicos laços serão nossos dois filhos, não há mais nada entre nós — declarou com convicção. — Entendo, mas quero que leve sua vida sentimental com calma. Não quero te ver sofrendo por amor, nem ser motivo de fofoca para os outros — disse seu pai, acariciando seu rosto com ternura. — Isso não vai acontecer, pai. Minha prioridade agora é crescer profissionalmente. O amor não faz parte dessa equação. Uma vez o escolhi e o resultado foi me perder. Não vou cometer o mesmo erro novamente. » Agora, eu serei quem joga e quem colocará o amor aos meus pés — respondeu, erguendo o queixo com um gesto de determinação, ao que todos ficaram em silêncio. — Ele vem te buscar? — sua mãe quebrou o silêncio. — Não, vou no meu próprio carro para poder voltar quando quiser — despediu-se e foi de carro até o local do encontro. Assim que entrou no restaurante, Adriano saiu para recebê-la com um sorriso nos lábios, estendendo a mão para ela, que a tomou. — Nos encontramos de novo, sexy e bela dama — disse ele, com uma voz rouca. — Olhar para você é um prazer maravilhoso. — O prazer é meu, por ter a honra de estar na companhia de um homem tão galante — respondeu, sentindo os batimentos de seu coração acelerarem com o toque de suas mãos.
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