Por alguns segundos, Matteo permaneceu ali, inerte, apenas observando e gravando aquela imagem em seu coração. No entanto, não teve coragem de armar um escândalo, chegando à conclusão de que não faria sentido. Seria apenas um ato de desespero absoluto. "O que eu ganharia com isso? Me humilhar? Envergonhá-la? Fazer com que me odeie ainda mais?", pensou, angustiado e com o coração despedaçado.
Olhou uma última vez para o casal e saiu dali como se estivesse sendo perseguido por centenas de demônios. Sentia um vazio em seu peito, as lágrimas nublavam sua visão, e ele estava prestes a desmoronar. Não estava acostumado a perder o controle. Quando estava saindo, esbarrou no corpo de uma mulher, que teria caído de cara no chão se não fossem mãos familiares para ela que a seguraram.
—Matteo! —disse a voz da mulher, surpresa ao ver o estado do homem.
Matteo, ao ouvir seu nome da boca da mulher, saiu do tipo de transe em que estava.
—Helena! —exclamou, olhando para ela, incapaz de esconder sua dor—. Desculpa, eu deveria ter te escutado.
Dito isso, começou a caminhar em direção ao carro com passos longos e firmes. Helena ficou confusa com as palavras dele, perguntando-se por que ele as estava dizendo agora. Mesmo que tivesse prometido manter distância, ao vê-lo tão perturbado, ela não teve coragem de deixá-lo sozinho. Talvez ele precisasse dela, então, sem hesitar, o seguiu.
—Matteo, o que está acontecendo? —perguntou enquanto o via sentando-se no carro e tentando, sem sucesso, colocar a chave na ignição. Ela o viu chorando, o que a comoveu profundamente.
—Nada, Helena! Não está acontecendo nada —respondeu com a voz quebrada—. Me deixa em paz. Você veio para destruir minha vida. Eu era feliz com minha família até você aparecer e mexer com o maldito passado.
—Por que você não ficou onde estava? Como você acha que eu passaria quase oito anos sem te ver e ainda ficaria preso a você? Maldita seja, Helena! Você só veio para arruinar tudo! —gritou, batendo com força no volante do carro, em um surto de raiva nada característico dele.
Helena o observava com lágrimas nos olhos, porque cada palavra dele a machucava profundamente. Mesmo assim, ela não ficou calada.
—Talvez porque eu fiz isso... Meu amor por você me deu forças para continuar lutando —sussurrou a jovem.
Por um momento, um lampejo de arrependimento surgiu no interior de Matteo, mas ele logo o reprimiu.
—Desculpa, Helena, mas as circunstâncias não foram as mesmas. Eu achei que você tinha sido infiel, e mesmo que isso seja culpa minha, não posso consertar.
—Não se aproxime mais de mim. Procure outro homem. Se apaixone, Helena. Por mais que você ainda desperte sentimentos em mim, nosso tempo passou, e precisamos aceitar isso com maturidade.
—Matteo, você não está mais com Gálata. Vocês estão separados! Ela te deixou! Você pode me dar uma chance. Estou disposta —implorou a mulher—. Se ainda resta algum sentimento por mim, estou pronta para cultivá-lo.
Matteo passou a mão pelos cabelos em um gesto de frustração. Para ser sincero, seus sentimentos estavam uma bagunça. Ele não sabia o que sentir. Quando viu Gálata beijando outro, ficou furioso, mas, ao mesmo tempo, não podia negar que Helena ainda despertava algo nele. Ela parecia tão vulnerável que ele sentia o desejo de protegê-la.
—Você não entende, Helena. Estou um desastre. Tenho uma vontade imensa de chorar, de gritar, estou com raiva de mim mesmo porque não consigo definir se a amo, se amo você ou se amo as duas. Tudo estava indo bem até você aparecer —disse, batendo no volante novamente, sentindo outra vez aquela angústia interior.
As palavras dele, no entanto, despertaram um sorriso em Helena, que viu uma centelha de esperança renascer. Talvez ela pudesse reconquistá-lo, já que Gálata não estava mais com ele.
Percebendo o estado alterado de Matteo, ela não queria deixá-lo partir sozinho.
—Vou com você! Não vou te deixar ir sozinho. Você não está em condições de dirigir. Deveria me deixar dirigir —sugeriu Helena, fazendo um gesto para ele se mover para o banco do passageiro. No entanto, Matteo recusou.
—Não vou te deixar dirigir meu carro —respondeu firmemente.
—Então serei sua copilota, porque não vou te deixar ir a lugar nenhum sem mim. Você está muito agitado, e tenho medo de que algo r**m aconteça —disse Helena, entrando no carro sem esperar sua resposta.
Matteo aceitou de má vontade e começou a dirigir, mas estava a toda velocidade, como se quisesse apagar todos os seus pensamentos e sentimentos com a velocidade do carro. As lágrimas começaram a fluir, e sua visão começou a ficar embaçada.
Helena sentiu medo ao notar a velocidade em que estavam.
—Por favor, Matteo, diminua a velocidade. Podemos sofrer um acidente —disse ela, assustada.
—Quem te mandou entrar aqui, Helena? Me deixa em paz! Se quiser, posso te deixar em algum lugar. Se não, mantenha sua boca fechada! —gritou.
—Eu deveria ter voltado e quebrado a cara daquele filho da p... —suspirou impotente—. Mas sei que não tenho o direito de reclamar, porque ela me deixou, e eu nem fui atrás. Tenho medo de que ela me rejeite, mas também tenho medo de perdê-la.
—Não, eu não posso te amar, Helena. Porque, se fosse assim, meu coração não estaria sangrando ao ver Gálata beijando outro homem. Que tipo de i****a sou eu, que não consegue entender quem eu realmente amo?!
Naquele momento, um carro apareceu na frente deles. Matteo girou o volante para evitar a colisão, mas o carro derrapou e perdeu o controle. Ao frear bruscamente, o carro colidiu com uma árvore. Os airbags se ativaram, e ambos perderam a consciência, enquanto um fio de sangue começava a escorrer da testa de Helena.