- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Eu caminhava lentamente pela cidade, as pessoas olhavam para mim enquanto compravam seus mantimentos no comércio dos Intothis e cochichavam algo. Eu me sentia neutra, quase com repulsa. E então, eu parava de andar, ao ver p corpo de Ricky no chão, todo torto de uma maneira não muito humana e com os olhos vermelhos quase pulando para fora das órbitas.
Eu achei que eu fosse chorar, mas eu caí de joelhos no meu do caminho das pedras, me machucando no processo e fechando meus olhos, como que uma maneira de desviar meus olhos daquele cena desastrosa e h******l. Por que me mostravam aquilo?
Foi ela. - eu ouvi uma criança dizer. Ao olhar na direção de sua voz, eu percebi que era uma criança, m*l tinha seus cinco anos, talvez.
Sim, filho. Ela matou o filho do líder do Concelho. - dizia sua mãe, tentando abaixar a mão do menino que apontava seu dedinho em minha direção.
Um grupo de jovens do colégio que estiveram estudando comigo pararam diante de mim.
Olha só o que você causou, bruxa.
O Richard está morto agora. Está vendo?
Eles riam e apontavam para o corpo disforme do meu melhor amigo.
Eu podia sentir o meu corpo ferver de ódio, sim, literalmente ferver. Eu me levantei, com meus olhos em puro ódio e por algum motivo, eu comecei a gritar. Um grito que fez todos se abaixarem de repente com surpresa e tensão. Eles olhavam ao redor como se, de repente, não pudessem mais me ver. Da planta de meus pés eu pude sentir as chamas que se formavam e iam atrás das pessoas as meu redor, como se sondasse quem era merecedor de seu calor escaldante.
De um grito de dor e ódio, veio uma gargalhada sinistra que eu mesmo não soube entender.
Enquanto os corpos gritavam e se contorciam ao meu redor, eu gargalhava. Uma imensa nuvem de fumaça dos corpos carbonizados subia e deixava todo o vilarejo nublado.
Eu havia enlouquecido afinal?
Z. - um sussurro que fez todo o meu ser se contorcer surgiu da fumaça.
Quem..?
Já se esqueceu de mim?
Nunca!
Então por que tentou se m***r?
Eu... eu...! Me desculpe! - eu gritava com lágrimas nos olhos. No que eu havia me transformado?
Você acreditou mesmo?
Eu arregalei meus olhos ao comentário inesperado. O que ele queria dizer... não seria possível que ele...
Sim, eu estou vi...vo. - sua voz ficou disforme e eu percebi então... eu estava sonhando.
Zahra. Zahra?! - eu abri meus olhos.
Meu irmão - a pessoa que eu menos esperava ver em meu quarto em plena manhã de sábado - estava me sacudindo que nem um saco de batatas. Quando eu arregalei meus olhos assassinos em sua direção, ele deu um pulso para trás.
Achei que você não fosse mais acordar. - ele então olhou em direção à porta e berrou - Mãe! Ela já acordou!
Eu me recostei na parede atrás da cama e suspirei, alisando meu pescoço onde a corda quase havia tirado minha vida.
Tinha que ser um sonho... - suspirei baixinho.
Era nítida a minha frustração. Minhas sobrancelhas estavam juntas e eu meditava sobre o que eu havia acabado de sonhar. E eu tinha quase certeza que havia levado a história de "princesa do fogo" um pouco à sério demais. Eu achava que minha mãe apareceria, mas meu pai colocou o seu rostinho no batente e sorriu, reluzente.
Vejo que minha princesa acordou do seu sono de beleza.
Antes fosse de beleza. - reclamei. Kobe saiu do quarto com a cara fechada e desceu as escadas rapidamente.
Como está se sentindo?
Um trapo. Me sinto principalmente envergonhada. E os pesadelos...
Você ainda o vê não é mesmo?
Pai, por que tinham que matá-lo? E eles podiam fazer algo assim com o filho de alguém tão importante? O senhor tem certeza de que ele morreu?
Ninguém tem como ter certeza. Mike pareceu bem transtornado no primeiro dia.
Ele me parecia perfeitamente bem ontem. - meu pai suspirou e se levantou.
Vamos tomar o café?
Já vou descer.
Ele se retirou, fechando a porta e me deixando à sós com a minha privacidade. Me levantei lentamente de minha cama e me encarei no imenso espelho perto da porta do banheiro. Meu pescoço ainda estava roxo e vermelho e dolorido ao toque. Nem maquiagem esconderia aquilo. Me lembrar o motivo por tudo aquilo me fez transbordar em lágrimas novamente e me agachei tentando me controlar, embora fosse inevitável.
Ricky... seu i****a.
Ouvi a porta se abrir lentamente, mas não consegui levantar o rosto para ver quem é, continuei com minha cabeça baixa enquanto chorava baixinho.
Oh, minha princesa... não chore... - ouvir sua voz me despertou um gatilho e acabei esbofeteando sua mão que vinha em minha direção, me consolar.
Fique longe de mim. Sua falsa máscara de me intimida mais. Eu sei muito bem que tudo isso não passa de fingimento e...
Um grito surgiu de sua garanta e meus olhos cegos pelas lágrimas puderam ver o que acontecera. De algum jeito... de alguma forma... eu havia lhe queimado com o t**a dado.
Eu sabia que devia ter te sacrificado, você não passa de uma aberração.
Ela saiu do quarto carregando sua mão avermelhando e gemendo de dor. Afinal... o que eu era?
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -