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Eu passei cerca de três semanas em treinamento rígido juntos com os Intothis. Eles me ajudavam a canalizar e controlar a energia que em mim residia.
- É incrível. - disse cerca vez um jovem chamado Ewa. - Você tem um brilho simplesmente lindo.
Ewa era um dos jovens que estavam em treinamento comigo. O clã dos Intothis tinham o poder da visão, embora só Alta Lena possuía o poder de prever o futuro, os seus descendentes conseguiam enxergar auras, energia e identificar quando alguém estava doente, apenas com o olhar. Esses jovens que eram abençoados com tal habilidade entravam em treinamento para que pudesse ajudar na colheita e nas cabanas de cura.
- Deixe disso, Ewa. - falei tentando desconversar.
- Mas é verdade, ninguém tem um brilho como o seu.
- É por que ela é a escolhida, Ewa. - ao ouvir a voz amarga, Ewa se colocou em seu lugar e bateu no peito com a mão direita.
- Gwahtu! Desculpe, professor.
Ewa se encolheu ao ouvir a voz rouca e grave de nosso professor que chegava já com sua expressão séria e cansada. As pessoas costumavam ter medo dele, pois muitos jovens perderam seus dons ao treinar arduamente com ele, talvez muito além de seus limites. O professor Felton dizia que se eles não eram capazes de suportar o treinamento, não eram dignos de terem recebido seus dons.
Eu creio que possa ser tudo psicológico, o fato de terem perdido o dom ao usá-lo demais, isso nem fazia sentido, já que era algo que nascia contigo. O professor parou à nossa frente e todos se levantaram de seus descansos e se alinharam em fila, eu era uma das poucas mulheres naquele treinamento.
Ele gesticulava muito ao falar e as vezes sua voz falhava, muitos diziam que ele costumava fumar, por isso perdeu sua voz. Felton nos ensinou a domar com muito concentração a energia e usá-la para ativar nossos dons, no meu caso eu tinha que treinar longe dos demais para não lhes causar queimaduras, já que por muitas vezes eu perdia a linha de concentração e um fio de chamas quentes se espalhava ao meu redor. Eu me sentia uma raposa de nove caudas em chamas.
Depois de mais alguns dias o meu treinamento começou a ser exclusivo, o professor falava comigo para tentar me desconcentrar enquanto um outro aprendiz me jogava objetos ou até mesmo sacos com água. O meu objetivo era não deixar nenhum desses itens caírem no chão, eu os devia incinerá-los antes disso. Eu, no entanto, demorei semanas para aperfeiçoar e conseguir atingir à todos os alvos.
- Está feito. - disse ele com suavidade naquele dia.
- O que quer dizer?
- Que não há mais nada que eu possa lhe ensinar. Agora você precisa evoluir sozinha, com suas próprias forças e vontades.
Aquilo me abalou e me encheu de um medo que eu não sabia que existia. Eu conseguiria fazer todo o resto sozinha?
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Depois de meses no silêncio, Koboa voltou a me visitar em sonhos. Eu estava sentada em um banco de madeira, esperando talvez o Ricky para ir para casa, o tempo estava frio, mas agradável. Eu estava me sentindo feliz e acomodada quando, sem que eu percebesse, alguém sentou ao meu lado, chamando a minha atenção.
- Oh! - exclamei. - O que faz aqui?
- Esperando outra pessoa? - perguntou ele arrumando suas vestes douradas.
- Talvez. - eu estava travessa.
- Odeio estragar seu humor tão bom, nunca a vi tão feliz. Mas infelizmente trago péssimas notícias.
O chão de repente ficou seco e a terra começou a rachar, como um solo infértil e sem vida. O céu se escureceu, tornando o dia em noite em um só momento.
- E quais são as notícias? - perguntei insegura, já observando ao redor com certa cautela.
- Este dia chegou, afinal. Você precisa tirar o povo da cidade.
- Eu tenho alguma escolha?
- Não. - ele se levantou, fazendo com que o dia ficasse claro novamente e a vegetação reaparecesse. - Use o cristal para se guiar em segurança até a próxima cidade.
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O sonho se foi tão breve quanto ele veio. Mas de uma coisa eu tinha certeza. Já era a hora de haver mudanças. Mudanças que eu não sabia ainda se seria capaz de realizar.
- Zahra. - me chamar Richard. Ele estava no salão-refeitório com uma maça na boca. - Eu já ia te chamar.
- Você já comeu? - eu o vi mastigando a fruta e meu estômago roncou, frutas normalmente eram as sobremesas.
- Sim... teve uma reunião da guarda Intothis e logo depois nós comemos todos juntos. - ele sorri e afagou meus cabelos. - Como você está? Dormiu bem?
- Estou bem. - afirmei. - Eu preciso conversar com vocês, mas antes vou comer algo. Parece que não como há dias.
- Bem, isto é uma meia verdade, levando em consideração que você m*l tocou em tudo que eu levei para você.
- Me desculpe.
- Está tudo bem, desde que esteja bem. Vai comer algo, vou começar a reunir o pessoal.
- Eu agradeço.
Eu me virei para continuar me caminho, mas ele segurou meu braço direito e me puxou em um abraço surpresa.
- Eu te amo, Z. - e deu um beijo rápido em meus lábios.
- Eu também te amo, Rick.
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