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Eu estava em meus aposentos enquanto pensava sobre as palavras de Koboa. As vezes eu queria que fosse apenas isso, um sonho. Eu queria muito que tudo se resolvesse deste modo, sem muita cerimônia, apenas que as coisas voltassem a ser como há cem anos, mas isso quase destruiu o mundo. O que seria diferente quando nos juntássemos novamente? Nós iríamos guerrear e acabar com tudo novamente? Deus já interveio e nos ajudou como pôde uma vez, não achei que nos ajudaria de novo se fosse necessário.
Alguém bateu no porta, me livrando de meus devaneios.
- Pode entrar. - eu me endireitei na cama e coloquei uma almofada por sobre as pernas. Rick entrou e me transmitiu um caloroso sorriso. - Oh, é você.
- Está tudo bem, Z? Não te vi hoje.
- Eu não tive um sonho muito agradável, eu estou um pouco ansiosa hoje, preferi ficar e descansar um pouco mais.
- Pensar sobre essas coisas sozinha nunca é bom, sabe disso.
- Eu sei.
- Trouxe algo para te animar. - ele me entregou um embrulho marrom e eu o recebi, timidamente.
- O que é isso?
- Abra e descobrirá.
Eu rapidamente rasquei o embrulho e percebi um livro grosso e que parecia ter sido feito à mão. Em sua capa dizia "Monstros e Animais Selvagens".
- Rick, isto é...?
- Sim, é uma enciclopédia dos animais que já foram localizados e estudados do lado de fora da muralha. Eu e Khali já demos uma estudada neste livro e o estamos passando à você.
- Obrigada, isso será muito útil.
- Sim, ao menos manterá sua mente ocupada. - ele me deu um beijo na testa e se levantou. - Estou indo agora, Z. Qualquer coisa estarei na biblioteca.
- Está bem.
Ao ficar sozinha com o enorme livro, de início tive medo. Eu não sabia o que encontraria naquelas páginas ou se eu teria coragem de encara-las no mundo exterior. Qualquer um diria: "Nossa, mas você pode jogar fogo pelos dedos.", mas eu não me acho pronta para nada disso. Eu nem mesmo sei controlar esta minha parte, eu nunca sei quando ela aparecerá, ou se aparecerá.
Eu respirei fundo e abri a primeira página.
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Eu me esquivei para dentro do salão onde todos lanchavam e riam e acredito que minha expressão pálida tenha chamado a atenção que eu esperava. Todos pararam com o que estavam fazendo e me encararam, tendo seus sorrisos apagados. Eu olhei por todo o salão, procurando por alguém.
- Khali! - exclamei, já correndo em sua direção. - Precisamos conversar.
- Tudo bem...
Eu a puxei para dentro e parei em frente à biblioteca.
- O que pode me dizer sobre este livro que o Rick me deu para ler? - eu a mostrei a grossa enciclopédia e ela me olhou sem entender.
- Você já leu tudo?
- Esta não é a questão, Khali. Esses monstros ainda estão lá fora?
- Primeiro se acalme. Respire fundo, você está hiperventilando.
Eu não queria respirar mais de vagar, eu estava apavorada
- Zahra, muitos destes seres retratados neste livro foram entrando em extinção conforme os anos foram passando. Este livro foi feito há muito tempo e todo ser diferente era documentado ai, não significa que todos eles ainda estejam por lá. Muitos não conseguiram sobreviver por falta de alimento. Eles se devoraram uns aos outros. A maior parte que vive ainda lá fora em abundancia são herbívoros, inofensivos. Os animais mais perigosos são os das cinco ultimas páginas, são predadores que ainda vivem por lá, embora em menor número agora.
Neste momento Richard apareceu com sua cara de preocupação.
- Z, está tudo bem?
- Ela só ficou assustada com o livro. - respondeu Khali.
- Eu estou bem. Eu estou bem, só fiquei preocupada de como vamos convencer o povo a sair da p******o da cidade tendo monstros lá fora.
- Mas a maioria nem existe mais, só te demos o livro pra você saber que há uma possibilidade bem baixa de encontrarmos um deles, é para você se preparar para qualquer evento que posso ocorrer no caminho, mas eles não são vistos há anos pelas redondezas. - explicou Rick. Ele então me abraçou. - Venha, vou te levar de volta ao quarto. Khali, consegue pedir que levem algo para comermos lá?
- Claro.
Richard me levou meio que arrastada para o quarto, eu ainda me sentia pálida e sem expressão. Ele abriu minha porta e a fechou atrás de si.
- Você precisa comer algo, Zahra.
- Eu sei, é que eu estive tão preocupada com tudo que...
- Se esqueceu de viver?
- Por aí. Eu não queria que as coisas fossem assim. Queria que eu fosse normal, ou melhor, que nada disso tivesse acontecido. - ele suspirou e apertou minha mão.
- Se você fosse como deveria ter sido, loira dos olhos azuis e sem quaisquer poderes, nós nunca teríamos nos apaixonado. Nós nunca poderíamos ter a oportunidade de ficar juntos.
- Rick, o que está dizendo?
- Eu te amo, Z. Eu quero me casar com você.
Eu prendi a respiração no exato momento em que ele se aproximava de mim e me dava um caloroso beijo. Seus braços me prendiam nas costas e um calor inexplicável tomou o meu corpo. Ele me beijava apaixonadamente, como nunca imaginávamos ser possível e eu o retribuía.
A batida na porta nos fez nos separar instantaneamente e nos endireitar, devidamente. Eu respirava muito profundamente, assim como ele.
- Pode entrar. - avisei. Para a minha surpresa, quem veio nos trazer o lanche da tarde era meu pai e o seu sorriso sumiu assim que ele nos olhou. - Papai... - comecei.
- O que vocês estão fazendo? Achei que estava passando m*l, Zarah.
- E ela está. - me defendeu Richard.
- Eu estou falando com a minha filha, que tem dezessete anos e tem um pai muito protetor. - disse ele o fuzilando com os olhos. - Por favor, saia.
- Sim, senhor.
Richard foi mandado embora e saiu cheio de vergonha de si mesmo do que havia acontecido, mas fechar a porta, eu o vi sorrindo. Ele tinha amada o que tinha feito. Eu suspirei e não consegui esconder minha felicidade.
- Você sabe o que veio fazer aqui, não sabe, filha?
- Sim, pai. Desculpe por isso.
- Vocês podem pensar em casamento e em relacionamentos depois que isso tudo acabar. Agora não é o momento pra isso. Se algo acontecer, se seu coração se quebrar, eu não sei a cena catastrófica que se tornaria.
- Me desculpe por ser egoísta, pai.
- Eu sei filha, que você é jovem e já tem uma grande responsabilidade das costas, mas não deixe que nada a tire do seu real objetivo. Alta Lane nos disse que você teve um sonho com Koboa, o que ele lhe disse?
- Como vocês sabem? Eu ainda não disse pra ninguém...
- Alta Lane sabia deste contato antes mesmo que você o ter tido. Agora me diga.
- Ele me mostrou o rosto e o nome dos escolhidos que habitam em outras cidades.
- Oh... - ele ficou pensativo por um instante.
- Ele te mostrou alguma estratégia de como sair daqui?
- Não, ele disse que não podia me mostrar muitas coisas, que eu deveria descobrir sozinha. Tudo que sabemos até o momento é que haverá uma invasão em nossa cidade, que se não sairmos a tempo, todos morreremos. Mas não sabemos que tipo de ataque seria este, nem de onde virá. Eu estou com medo, pai.
- Eu sei filha, todos nós estamos.
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