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Eu ia conversando com Khali despreocupadamente, me sentindo um pouco aliviada de ter me livrado das garras do povo Autothi.
- Então, como foi que você me achou?
- O Stefan é um amigo próximo de minha família, as nossas famílias compartilham produtos à anos. Nós damos alimento e eles nos dão p******o, a família dele é boa em acobertar algumas coisas, já que são um pouco influentes no governo e amam nossa culinária, então por vezes fazemos reuniões não oficiais no centro comercial, às escondidas.
- Isso até parece uma história inventada.
- E seria, se não fosse verdade. Ele contou à minha avó na mesma noite que foi capturada. Eu rapidamente me virei para defendê-la e convenci à todos de que deveríamos ajudá-la a sobreviver.
- Isso é incrível, eu sou muito grata.
- Algo em você nos dá a sensação de mudança. Pode ser o seu jeito diferente, ou como nosso líder muda o peso do corpo de pé em pé quando o assunto é você.
- O que quer dizer?
- O nosso povo tem o poder da visão, o que quer dizer que...
- Podem ver o futuro. - ela abriu um sorriso.
- Sim.
- Uau... se eu tivesse esse tipo de poder... eu poderia ter salvo as pessoas que eu amo... - eu abaixei meus olhos, me sentindo impotente, mas tendo o poder para queimar toda a nossa cidade. - Ao invés disso Deus me presenteou com o poder de machucar pessoas.
- Ei... - ela me tocou no braço e me deu um sorriso amigo. - Não devia se cobrar tanto. Sabe que não foi culpa sua o incêndio.
- Eu sei, mas... porque ela está fazendo isso comigo? Por que me odeia tanto?
- No início... - aquela voz me fez levantar a cabeça rapidamente, alguém vinha caminhando ao longe, calmamente. - ela não quis ouvir ninguém, mas quando soube que seus irmãos, que trabalhavam no mesmo local, morreram no incêndio... ela de repente virou outra pessoa. Ela instaurou a lei dos 17 anos. O que ela mais queria era uma oportunidade para te ver sofrer, como ela sofreu.
- Pai. - eu perdi meu fôlego e corri para os seus braços.
- Oi, minha princesinha. - ele me deu um breve beijo na testa e sorriu tristemente.
- Como? Eu achei que estivesse morto.
- Se quer saber de uma coisa... é fácil forjar uma morte nesta cidade quando se tem contatos. Eu soube dos planos de sua mãe e consegui me livrar.
- Mas e o Kobe? Por que não o trouxe junto? Ele acha que o senhor está morto e colocou a culpa e mim! - ele suspirou e encolheu os braços.
- Eu não podia trazê-lo. Sua mãe já estava com ele quando o seu quarto começou a pegar fogo, tudo o que eu pude fazer foi me esgueirar e forjar minha própria morte. Estamos em guerra, querida. Certas coisas são necessárias de aconteceram para chegarmos no resultado final. Eu sempre soube que você havia sido um milagre. Sempre soube que você era o meu presente de Deus. Eu vou lutar contra qualquer um e qualquer coisa e tente te tirar de mim.
O choro estava travado em minha garganta. Eu o olhava com admiração, afinal, ele era realmente meu pai. Diferente de minha mãe e meu irmão - na maior parte de minha vida - me renegaram por eu ser diferente. Temiam o que eu poderia me tornar.
- Mas pai... eu machuquei pessoas.
- Eu tenho certeza que tudo isso Deus já sabia que iriam acontecer, ele não te enviaria com um chamado se não soubesse das consequências de seu nascimento.
- Se eu tivesse nascido em casa... ou mesmo em um hospital... todos vocês poderiam ter morrido.
- Nem todos tiveram esta sorte, no entanto. - comentou Khali.
- O que quer dizer?
- Os outros. Como você. Nem todos tiveram a mesma sorte, de nascerem ao ar livre.
- Se chama isso de sorte...
- Alguns ficaram órfãs no dia em que nasceram, Zahra.
Eu sabia disso. eu podia sentir. Eu queria perguntar, mas provavelmente e pequena Khali tivesse o mesmo dom do líder de seu povo, já que ela tinha tanto conhecimento quanto eu mesma sobre o meu destino e as pessoas que fariam parte do meu futuro.
- Essa guerra que vocês falam... como vamos sair dela?
- Isso vai depender de você, querida. - disse meu pai, me estendendo a pedra escarlate envolta de um tecido grosso que havia ficado em meu quarto.
- Como você...!?
- Por que eu te conheço como ninguém mais. - eu sorri e o abracei fortemente.
- Que bom que está bem, pai. Não sei como faria sem você.
- Você teria dado um jeito.
- Precisamos sair daqui. - advertiu Khali. - Já deram falta dela lá em cima. - eu parei por um momento para ouvir e pude ouvir muitos pés que corriam acima de nós.
- Sim, precisamos ir andando. O Manto está nos aguardando na saída. - Khali franziu o cenho e o olhou confusa enquanto nos movimentávamos para saída.
- Você o trouxe?
- Ele insistiu em vir, achei que a faria bem.
- Espero que não esteja errado.
Eu os ouvia, mas era como se eu não estivesse presente. Confusa, eu perguntei o óbvio.
- De quem vocês estão falando?
O silêncio permaneceu até que pudéssemos ver uma luz fraca vindo do final do túnel que ficava cada vez mais fedido. Eu não via a hora de sair de lá. Um par de olhos encontraram os meus quando passamos pela passagem e seus braços se descruzaram em um abraço caloroso.
Eu fiquei paralisada, como se aquilo fosse impossível. E sem nem mesmo acreditar, eu fui recebida com um beijo. O que poderia me deixar mais surpresa do que sua presença? O seu amor incondicional falava bem mais alto do que qualquer improbabilidade.
Ao recuperar o meu fôlego e com algumas lágrimas se formando, eu pude falar finalmente, novamente, o seu nome.
- Rick.
- Oi Z, eu voltei. - o seu sorriso preenchia todo o vazio do meu coração e me tornava cheia novamente.
De repente, tudo parecia possível.
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