Capítulo 9

1778 Words
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Ela precisava me culpar de algo, mas... por que meu pai não saiu da casa também? Aquilo estava errado. Meu irmão tremia muito debaixo de uma toalha e seus olhos eram vazios. - Eu não acredito que foi i****a o suficiente para voltar à casa que ateou fogo, garota. Eu tenho pena de você... voltou para ver se estávamos todos mortos? Azar o seu. Podem levá-la. Eles começaram a me puxar para longe, mas eu não conseguia desviar meus olhos de meu irmão. - Esperem, esperem! Kobe! Kobe, diga a eles! Diga à eles que não fui eu! Kobe! Ele levantou seus olhos cinzentos e amargurados e abriu seus lábios secos, com uma voz rouca ele disse: - Mas foi você, Zahra... - O que...? - Ande logo, sua bruxa. - disse um dos homens que me puxava de volta quando eu tentava me aproximar de Kobe. Quando eles viram que eu não ia parar de resistir, eu senti uma pancada forte atrás da minha cabeça que me fez perder completamente os sentidos. Acordei com uma forte dor de cabeça, mas meu corpo inteiro estava fraco e machucado. Possivelmente havia sido espancada após ficar apagada. Em meus pulsos estava uma algema prateada que me prendia a uma parede de pedra. As correntes eram longas e eu podia me movimentar livremente pelo quarto úmido e vazio. Olhei ao redor e me vi sozinha em um quarto escuro e assustador. Nas paredes existiam fungos e o chão arranhava meus pés descalços. Ao meu ver tudo no quarto era feito de pedra exceto a única porta e uma janela com grossas barras de ferro. Perto da porta existia uma bandeja com um pão velho e um copo com água. Quando comi o pão percebi que estava com muita fome e quando bebi da água notei que estava morta de sede. Meus lábios estavam secos e cortados. Eu me sentei de costas para a parede em frente à janela. Meus olhos negros se encheram com a luz de um sol que acabava de nascer e eu sorri para ele, fechando meus olhos. Fiquei naquela posição ao que pareceram horas, até que me levantei e olhei para além das barras de ferro. Olhei para fora e vi homens marchando na rua, homens tatuados, homens fortes. Um menino de olhos verdes me encarava do meio fio. Olhos que eu achava que conhecia, mas que sabia que não poderiam estar ali. Me afasto da janela por meio segundo e quando volto a olhar, o menino já não está mais lá. Me lancei para longe da janela e me pus no mesmo lugar onde acordei. Eu estava na área dos Autothis, disso eu tinha certeza, mas não sabia como havia chegado ali. As coisas sobre o dia e talvez a semana anterior estavam um pouco apagadas. Teria sido a pancada na minha cabeça? Eu estava na casa de alguém. Se é que aquilo era mesmo uma casa... Ouvi um som vindo da porta e me distanciei imediatamente. Um homem de cabelos ruivos e longos entrou com um olhar assassino. - Chegou a hora, Zahra. Fechei meus olhos e o homem de aproximou de mim. Ele exalava um forte odor de suor e suas vestes eram um pouco sujas. Ele puxou minhas algemas fortemente e as desprendeu da corrente da parede. - Ande logo, garota. Eu abri meus olhos e me levantei rapidamente, enquanto ele me puxava, mas não violentamente, para fora do quarto apertado. O que era aquele sentimento? Ele era o único que não havia me chamado de bruxa. Eu observei o corredor longo e vazio e percebi que não havia ninguém ali também. O que estava acontecendo? - Eu vou ser executada agora, senhor? - o homem nada respondeu. - Ande depressa. Ele tinha pressa e seu rosto estava fechado, atento à tudo que estava acontecendo. Eu estava sendo sequestrada? Bom, novamente? Um figura encapuzada, talvez um pouco mais baixa que eu apareceu do nada e se pôs ao lado do alto homem que me arrastava. - Por aqui, Stefan. - indicou a figura, que agora falava com uma voz infantil. Ela indicou uma passagem pela esquerda que levava à uma escadaria que descia. - Vamos, depressa. Eles virão à qualquer momento. Nós andamos um pouco mais e passamos por diversas passagens estreitas até chegarmos no canal de esgoto da cidade. - Aqui é o máximo que posso ir. - Tudo bem, agradeço muito pela ajuda. - agradeceu a pessoa escondida. - Ele chegará à qualquer momento, você pode ir. - Gwahtu - disse ele batendo no peito. - Gwahtu, Stefan. - disse a pessoa fazendo o mesmo. O homem se afastou rapidamente, fazendo o seu caminho de volta. - Olá, Zahra. - disse. - Não sei se vai se lembrar de mim, já que parece um pouco perdida. Você se lembra de algo sobre ontem? - Ontem? - Você lembra de ter escapado de casa? Você foi gritar... chorar... nas masmorras, se lembra? Eu sabia que eu não queria lembrar, eu não fiz questão enquanto estava presa. Tinha algo lá que eu não queria... lembrar. Infelizmente tudo voltou como uma faca ao me esfaquear várias e várias vezes. A corda, o choro, o fogo, Kobe... - Você é a Khali, certo? A menina retirou o capuz do rosto e abriu um imenso sorriso. - É bom poder te reencontrar, só gostaria que fosse em melhores circunstâncias. - ela olhou ao longe e sorriu novamente. - Oh, ele está aqui. Vamos andando. - Mas para onde nós iremos? Eu não tenho mais onde ficar. - Ora esta, vamos para a minha casa, é claro. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
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