Doeu-me não ter lhe dado um pai. Doía pensar nele. Doeu-me imaginar a reação dele se soubesse que ela existia. — Perdoe-me, meu amor… Sussurrei contra a sua cabecinha. — Mamãe não sabe como fazer. Ela não sabe como dar isso a você. Eu a balançava de um lado para o outro, como se ela fosse um recém-nascido novamente. Ela estava calma e feliz. Para ela era apenas uma palavra nova. Para mim, um abismo. Eu não sabia se Arte reagiria com raiva, com medo, com indiferença. Eu não sabia se ele correria para abraçá-la ou se fugiria. Eu não sabia se queria saber. Eu não sabia se podia arriscar. Mas, a minha filha, o meu pedacinho do céu, tinha acabado de me lembrar que eu não podia esconder ela do mundo para sempre. Que mesmo que eu permanecesse em silêncio, seu sangue falava. Que mesmo estando

