Arte A mansão estava silenciosa quando entrei, com as luzes acesas apenas na ala direita, onde o meu pai costumava passar as noites lendo perto da lareira. Caminhei sobre o mármore encharcado, deixando um rastro de água. A minha garganta estava apertada e as minhas mãos estavam frias. A imagem de Laura na chuva, com o cabelo grudado no rosto e o olhar cheio de raiva e dor, ainda ecoava na minha mente. Ela gritou que não precisava de mim. Ela me disse que não queria me ouvir. E mesmo assim eu a beijei. Como se ainda me pertencesse, como se esse ato pudesse consertar tudo o que quebrei. E ela não me empurrou, mas também não me abraçou. Ela simplesmente me deixou fazer isso e foi embora, me deixando ali, encharcada de água e remorso. O meu pai levantou os olhos da cadeira quando me viu atr

