Laura Eu estava bem vestida, o meu blazer cinza perfeitamente passado e o meu cabelo preso num coque que me fazia parecer mais velha e me dava personalidade. Trabalhei durante semanas a fio naquele projeto. Os meus cálculos eram impecáveis, a minha apresentação era clara e, no entanto, lá estava eu, com as mãos frias e a garganta seca, pronta para enfrentar uma sala cheia de executivos milionários que só me olhavam quando eu falava de números. Ou quando ele olhava para mim. Arte estava na cabeceira da mesa. Como de costume. Elegante, com a sua camisa branca enrolada até os antebraços, um relógio que valia mais que o meu salário anual e aquele ar de domínio natural que eu nunca consegui ignorar. Como recusei o seu perdão, ele permaneceu distante, mas atento. Ele nunca interferiu. Ele nun

