(...) O corredor que levava ao refeitório do hospital parecia mais longo do que o normal. Talvez fosse o peso do que eu acabei de ouvir no consultório do Carlos. Talvez fosse a culpa que estava me consumindo há anos. Ou medo, aquele que se instala no seu peito e não deixa você respirar. A verdade é que cada passo estava me custando o dobro. Meus pais estavam me esperando lá para comermos algo rápido. Era para ser um momento de descanso, um bate-papo tranquilo, mesmo que breve. Mas assim que virei a esquina e vi quem estava sentado com eles, soube que isso não iria acontecer. Camila. O meu estômago fechou como uma armadilha. Lá estava ela, sentada ao lado da minha mãe, sorrindo como se pertencesse àquele lugar, como se não fosse a mesma mulher que ajudou a destruir Laura anos antes. —

