(...) A sala de jantar havia ficado em silêncio profundo depois da partida dos nossos pais. As luzes fracas da sala de estar ainda brilhavam com aquele calor aconchegante que não conseguia esconder a tensão que apertava o meu peito. Arte havia limpado a louça enquanto eu colocava Amira para dormir. Agora, com ela dormindo no berço, o mundo parecia um pouco mais silencioso... e muito mais pesado. Parei na porta do quarto dela e a observei por um momento. Ela dormia tranquilamente, com o seu bichinho de pelúcia agarrado aos braços e o cabelo desgrenhado no travesseiro. Aquela paz infantil era a única coisa que me mantinha sã. Ao me virar, encontrei Arte encostado no corredor, com as mãos nos bolsos e o rosto sombrio. A luz do candelabro lançava sombras suaves nas suas bochechas e fazia os

