Capítulo 11

1028 Words
Hideo observava com uma enorme carranca no rosto Oksana e Aurélio à sua frente. Ele não esperava que a sua amiga sairia do seu país para puxar a sua orelha no Japão, mas ela fez isso — e, naquele momento, andava de um lado para o outro na sala, lhe dando um sermão. Hideo podia ver os olhos sombrios de Aurélio sobre ele, por Oksana estar ali. Aquilo era algo que ele entendia. A loira estava grávida de gêmeos e já na metade da gestação, então Aurélio estava cada dia mais protetor — o que ele já esperava. — Seu i****a! Se me der um susto desses de novo, eu te mato, Hideo! — diz ela, parando finalmente e se sentando ao lado dele, encostando a cabeça no seu ombro. — Eu estou bem, não precisa ficar preocupada — responde ele, acariciando o seu braço para confortá-la. — Tira a mão, ou quem vai te matar sou eu — diz Aurélio, puxando Oksana para si. Hideo apenas mostra o dedo do meio para ele e ri. Aquele era um aspecto de Aurélio que nunca mudaria. Ele amava a loira ao seu lado com tudo o que tinha, e isso estava evidente na forma como a segurava. Ver aquilo lhe fazia desejar o mesmo. Ele queria alguém para cuidar e que também cuidasse dele, assim como os seus amigos tinham. Mas ele não sabia onde estaria aquela que dominaria o seu coração. — Eu te avisei, Hideo. Podia ao menos ter me ouvido. Sabe que me preocupo com você — insiste Oksana. — Eu sei, e não vai acontecer de novo — diz ele, com olhos sombrios. — Já que está aqui, poderia me ajudar com algo, Aurélio. Os olhos de Aurélio se desviam de Oksana para Hideo. — O que deseja, j**a? Pede enquanto estou de bom humor — diz, enquanto beija o pescoço de Oksana, fazendo-a rir. — Dá pra parar vocês dois? — diz ele, bufando. — Não ligue para ele, amor. Está apenas com ciúmes porque é um encalhado — diz Aurélio a Oksana. — Mas não vai ser por muito tempo — responde ela, rindo da expressão chateada dele. — Vocês são insuportáveis — diz ele, se levantando para sair. — Não seja chato. Apenas me diga do que precisa que eu vou cuidar disso — diz Aurélio, sério. — Suas conexões são melhores que as minhas. Quero que descubra onde estão as pessoas que me atacaram. Tenho contas a acertar — diz ele, com olhos sombrios. — Não vai precisar esperar. Antes de vir, fiz uma busca — diz Aurélio, sorrindo. Hideo o olhava com surpresa. — Não me olhe assim. Jamais permitiria que alguém que te atacou saísse livre. Somos família e cuidamos dos nossos. As palavras de Aurélio eram calmas enquanto falava, e Hideo estava grato pelo carinho que eles tinham por ele. — Obrigado. Mas me diga: quem são? — pede ele. — Infelizmente chegamos atrasados, Hideo. A sua noiva chegou primeiro — diz Oksana, com um sorriso sugestivo nos lábios. — O que houve? — pergunta, mudando a sua postura. — Ela mandou matar todos que te atacaram — diz Aurélio. — Na verdade, ela os usou para alimentar os tubarões. Vimos os vídeos — diz Oksana. Hideo tinha os olhos arregalados ao ouvir aquilo. Ele não imaginava que Sayuri faria isso. A cada nova coisa que descobria sobre ela, a sua curiosidade aumentava. — Se eu fosse você, andava na linha, j**a. Ou o próximo será você — diz Aurélio, rindo da cara chateada de Hideo. — Sem graça — responde Hideo, arremessando um travesseiro em Aurélio. Hideo apenas se permite aproveitar aquele tempo ao lado dos seus amigos. Conversava com Oksana enquanto ela e Aurélio preparavam o jantar. Aquela era uma visão dos amigos que ele jamais esqueceria. Hideo nunca havia considerado Oksana uma pessoa que faria o jantar, mas parecia que estava enganado. A sua mãe tinha ido vê-lo rapidamente; ao perceber que ele estava com visitas, apenas trocou o seu curativo e partiu, sabendo que o filho estava seguro. Aurélio e Oksana passaram dois dias com Hideo, e ele estava grato pelo cuidado deles. Era daquele tipo de família que ele sentia falta — algo que não tinha na casa dos pais. — Me ligue se precisar de ajuda — diz Oksana, se despedindo. — Ficarei bem — responde ele. — É sério, j**a. Sabe que temos olhos por aqui. Se precisar de algo, basta avisar — diz Aurélio. — Sei disso, mas não vai acontecer nada. Estou perfeitamente seguro — diz ele. — Fique bem — diz Oksana, lhe dando um abraço rápido e rindo quando Aurélio pragueja ao seu lado. — Cuide das minhas afilhadas — diz ele, com um sorriso brincalhão nos lábios. — Ainda não sabemos quem vai vencer essa — diz Aurélio, rindo. — E lembre-se que teremos a luta de Max com Vito no próximo encontro. Hideo observava o sorriso de Aurélio, achando divertida a forma como falava. — Está se divertindo com isso, não é mesmo? — Claro. Max só garantiu que não pegaria leve com Vito como Ricardo fez. As apostas estão ficando altas. — Essa eu não perco — responde ele, rindo. — Vocês têm que parar com isso — diz Oksana, balançando a cabeça. — Não diga isso, loira. Essa é nossa única diversão — diz ele, abraçando-a por trás. — Então só isso te diverte, moreno? — pergunta Oksana, com a sobrancelha arqueada. Ela podia ver os olhos de Aurélio em brasa sobre seu rosto. — Até mais, j**a. Vamos nos falando — diz ele, pegando-a nos braços e entrando no carro, sem esperar que Hideo dissesse algo. Ele apenas ria daquele comportamento de Aurélio. — Senhor Hideo Shinoda? — pergunta um homem se aproximando. — Sim? — Temos uma encomenda para o senhor — diz o homem, retirando um envelope n***o da bolsa e entregando-o. Hideo observava o envelope à sua frente com curiosidade, seu nome escrito à mão. Assim que o abre, encontra um convite de aniversário requintado, com letras em dourado. E, para sua surpresa, o nome da aniversariante: Sayuri Matsumoto.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD