Hideo observava com uma enorme carranca no rosto Oksana e Aurélio à sua frente. Ele não esperava que a sua amiga sairia do seu país para puxar a sua orelha no Japão, mas ela fez isso — e, naquele momento, andava de um lado para o outro na sala, lhe dando um sermão. Hideo podia ver os olhos sombrios de Aurélio sobre ele, por Oksana estar ali.
Aquilo era algo que ele entendia. A loira estava grávida de gêmeos e já na metade da gestação, então Aurélio estava cada dia mais protetor — o que ele já esperava.
— Seu i****a! Se me der um susto desses de novo, eu te mato, Hideo! — diz ela, parando finalmente e se sentando ao lado dele, encostando a cabeça no seu ombro.
— Eu estou bem, não precisa ficar preocupada — responde ele, acariciando o seu braço para confortá-la.
— Tira a mão, ou quem vai te matar sou eu — diz Aurélio, puxando Oksana para si.
Hideo apenas mostra o dedo do meio para ele e ri. Aquele era um aspecto de Aurélio que nunca mudaria. Ele amava a loira ao seu lado com tudo o que tinha, e isso estava evidente na forma como a segurava. Ver aquilo lhe fazia desejar o mesmo. Ele queria alguém para cuidar e que também cuidasse dele, assim como os seus amigos tinham. Mas ele não sabia onde estaria aquela que dominaria o seu coração.
— Eu te avisei, Hideo. Podia ao menos ter me ouvido. Sabe que me preocupo com você — insiste Oksana.
— Eu sei, e não vai acontecer de novo — diz ele, com olhos sombrios. — Já que está aqui, poderia me ajudar com algo, Aurélio.
Os olhos de Aurélio se desviam de Oksana para Hideo.
— O que deseja, j**a? Pede enquanto estou de bom humor — diz, enquanto beija o pescoço de Oksana, fazendo-a rir.
— Dá pra parar vocês dois? — diz ele, bufando.
— Não ligue para ele, amor. Está apenas com ciúmes porque é um encalhado — diz Aurélio a Oksana.
— Mas não vai ser por muito tempo — responde ela, rindo da expressão chateada dele.
— Vocês são insuportáveis — diz ele, se levantando para sair.
— Não seja chato. Apenas me diga do que precisa que eu vou cuidar disso — diz Aurélio, sério.
— Suas conexões são melhores que as minhas. Quero que descubra onde estão as pessoas que me atacaram. Tenho contas a acertar — diz ele, com olhos sombrios.
— Não vai precisar esperar. Antes de vir, fiz uma busca — diz Aurélio, sorrindo. Hideo o olhava com surpresa. — Não me olhe assim. Jamais permitiria que alguém que te atacou saísse livre. Somos família e cuidamos dos nossos.
As palavras de Aurélio eram calmas enquanto falava, e Hideo estava grato pelo carinho que eles tinham por ele.
— Obrigado. Mas me diga: quem são? — pede ele.
— Infelizmente chegamos atrasados, Hideo. A sua noiva chegou primeiro — diz Oksana, com um sorriso sugestivo nos lábios.
— O que houve? — pergunta, mudando a sua postura.
— Ela mandou matar todos que te atacaram — diz Aurélio.
— Na verdade, ela os usou para alimentar os tubarões. Vimos os vídeos — diz Oksana.
Hideo tinha os olhos arregalados ao ouvir aquilo. Ele não imaginava que Sayuri faria isso. A cada nova coisa que descobria sobre ela, a sua curiosidade aumentava.
— Se eu fosse você, andava na linha, j**a. Ou o próximo será você — diz Aurélio, rindo da cara chateada de Hideo.
— Sem graça — responde Hideo, arremessando um travesseiro em Aurélio.
Hideo apenas se permite aproveitar aquele tempo ao lado dos seus amigos. Conversava com Oksana enquanto ela e Aurélio preparavam o jantar. Aquela era uma visão dos amigos que ele jamais esqueceria. Hideo nunca havia considerado Oksana uma pessoa que faria o jantar, mas parecia que estava enganado. A sua mãe tinha ido vê-lo rapidamente; ao perceber que ele estava com visitas, apenas trocou o seu curativo e partiu, sabendo que o filho estava seguro.
Aurélio e Oksana passaram dois dias com Hideo, e ele estava grato pelo cuidado deles. Era daquele tipo de família que ele sentia falta — algo que não tinha na casa dos pais.
— Me ligue se precisar de ajuda — diz Oksana, se despedindo.
— Ficarei bem — responde ele.
— É sério, j**a. Sabe que temos olhos por aqui. Se precisar de algo, basta avisar — diz Aurélio.
— Sei disso, mas não vai acontecer nada. Estou perfeitamente seguro — diz ele.
— Fique bem — diz Oksana, lhe dando um abraço rápido e rindo quando Aurélio pragueja ao seu lado.
— Cuide das minhas afilhadas — diz ele, com um sorriso brincalhão nos lábios.
— Ainda não sabemos quem vai vencer essa — diz Aurélio, rindo. — E lembre-se que teremos a luta de Max com Vito no próximo encontro.
Hideo observava o sorriso de Aurélio, achando divertida a forma como falava.
— Está se divertindo com isso, não é mesmo?
— Claro. Max só garantiu que não pegaria leve com Vito como Ricardo fez. As apostas estão ficando altas.
— Essa eu não perco — responde ele, rindo.
— Vocês têm que parar com isso — diz Oksana, balançando a cabeça.
— Não diga isso, loira. Essa é nossa única diversão — diz ele, abraçando-a por trás.
— Então só isso te diverte, moreno? — pergunta Oksana, com a sobrancelha arqueada. Ela podia ver os olhos de Aurélio em brasa sobre seu rosto.
— Até mais, j**a. Vamos nos falando — diz ele, pegando-a nos braços e entrando no carro, sem esperar que Hideo dissesse algo. Ele apenas ria daquele comportamento de Aurélio.
— Senhor Hideo Shinoda? — pergunta um homem se aproximando.
— Sim?
— Temos uma encomenda para o senhor — diz o homem, retirando um envelope n***o da bolsa e entregando-o.
Hideo observava o envelope à sua frente com curiosidade, seu nome escrito à mão. Assim que o abre, encontra um convite de aniversário requintado, com letras em dourado. E, para sua surpresa, o nome da aniversariante: Sayuri Matsumoto.