CAPÍTULO 11: A VILÃ

699 Words
ISABELLA LIMA Caio não volta pra casa a dois dias, a mansão Montenegro nunca foi tão silenciosa. Eu conseguia ouvir o tique-taque daquele maldito relógio de pêndulo que o Heitor comprou quando eu fingi gostar de Frozen, ele tinha que coloca-lo no hall de entrada? Esse som rítmico parece contar cada minuto que Caio não passava comigo. Onde ele está? Como pôde sair assim? Ele vai se arrepender de me deixar de lado . Toquei minha barriga, sentindo o vazio que não vinha apenas da falta dele, mas da atenção que ele agora desviava para “ela”. Passei muito tempo criando essa imagem, colocando Caio onde ele deveria estar, fazendo o acreditar que ele matou o irmão e agora um encontro, algumas palavras e aquela mulher estava na vida dele. Ele me mandou para casa para “descansar”, mas como posso descansar sabendo que a “pobretona” do estacionamento agora habita o centro dos pensamentos do meu marido? . O Caio não é meu marido, me casei com Heitor Montenegro, mas ele fatidicamente morreu e eu fiquei com um bebê dentro de mim. Dois anos cultivando a imagem de mulher perfeita para conseguir me casar com Heitor, e uma semana depois de nós casarmos ele resolve sair pra pescar com o irmão mais velho e morre. Depois de tudo eu descubro que ele não é rico porcaria nenhuma e que me deixou com um bebê na barriga, pensei em tirar, mas já que Heitor era um pobretão o irmão dele causador do acidente seria obrigado a cuidar dessa coisa que agora estraga meu corpo perfeito. Eu não posso perder a oportunidade, Caio não pode ficar com essa mulher. Eu não sou nenhuma i****a se Caio acha que eu sou feita de cristal, e que qualquer sopro de confusão podia me quebrar, eu faria ele entender que o cristal, quando se quebra, corta fundo. Eu vi como ele a olhou no hospital. Havia algo naqueles olhos cinzentos, ele pareceu se interessar naquela mulher eu não posso arriscar a herança do feto. Eu sou a esposa viúva frágil, do irmão dele e ele jurou cuidar de mim, e não vai descumprir a promessa por causa de uma pobretona ridícula. — Ahhhhh– suspirei cansada sentindo o feto chutar mais uma vez Se Gudan tivesse feito o trabalho dele direito ela não estaria na cidade agora. Quando disse a ele que tive problemas com o vestido do chá de bebê eu não esperava que ele ligaria para Caio para pedir permissão. Caio lhe deu poder suficiente pra resolver sozinho, mas ele tinha que ligar pra falar sobre. Agora ele acha que deve algo para a pobretona. Eu tenho que destruir ela, destruir qualquer resquício de piedade que ele sente por ela, ou ela vai tomar tudo de mim. Olhei para o celular sobre a mesa de centro, são duas da manhã, Caio não dormia fora de casa, desde a morte do irmão e agora ele não queria nem atender minhas chamadas e as mensagens sequer eram visualizadas. O silêncio dele era o meu maior insulto. Levantei-me com dificuldade, a mão espalmada na base da coluna, não era falsidade, essa barriga realmente me causa dor nas costas . Se ele não vinha por amor à memória do irmão, viria pelo medo de perder o que restou dele. Peguei o vaso de cristal legítimo sobre o aparador um presente de núpcias de Heitor que eu sempre detestei e o deixei escorregar pelos dedos. O som do cristal estraçalhando no chão de mármore ecoou como um tiro. — Diaaaaaa ! — gritei, forçando a voz a sair embargada, trêmula. — Dina , me ajude! Minha barriga,.. está doendo muito! Alguns segundos depois, ouvi os passos dela desesperados subindo a escada e imaginei o que Caio iria pensar quando ela contasse a ele a cena que viu. Enquanto ouvia os passos apressados do segurança no corredor, peguei o celular e disquei para Caio pela décima vez. Ele não atenderia, eu sabia. Mas o registro da chamada perdida, seguido pelo desespero de Dina no seu ouvido, o traria de volta para onde ele nunca deveria ter saído. Do meu lado é óbvio.
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