- O sonho de uma família unida é o sonho de toda menina, sempre vemos em filmes como é a vida de alguma garota que tem pai e mãe, os desejos, a proteção que um pai proporciona, carinho e apoio, a mãe cuida, ama, zela, dá carinho e isso completa a vida de uma criança como um todo, faz ela sentir que pode ganhar o mundo inteiro se quiser, sonhar não tira pedaço e eu sonhei com isso muitos anos da minha vida mesmo. A família do meu pai, avós, tios e tias são protestantes evangélicos e tem muito preconceito com pessoas de outras religiões e principalmente homoafetivos em toda a sua extensão. É um estilo de vida que eles não concordam e não aceitam na família e pode até ser que tenha algum, mas, eles se escondem bem, também são pessoas que aderem o plano do pecado, tudo aquilo que foge à convenção da igreja evangélica para eles é pecado e demonizado e logo falaremos sobre demonização!
- Bom, eu particularmente fui criada nos dois mundos, evangélico e católico! A minha mãe passou um tempo com uma pessoa e esse padrasto que eu tinha era católico, a família toda dele era, e nós íamos para a igreja aos domingos, rezávamos o terço, sabíamos todas as orações e credos, a minha mãe claro, sempre foi cética em relação às religiões, não era ateia, mas, costumava dizer até hoje, só acredito no que vejo, se não ver não existe! Sou batizada pela igreja católica desde os sete anos e minha irmã também, isso me dá certa prioridade para dizer que eu nunca sentí desconforto em igrejas, gostava bastante e sempre ia. Mas, ao voltar de São Paulo e me aproximar mais de minha família paterna, eles puxaram à mim e minha irmã para a igreja evangélica, eu ia mais por causa da minha prima, houve um tempo que até parte do coral eu fiz, mas, a igreja me dava muito sono, odiava quando os pastores gritavam, olha, uma coisa que me mata, a pessoa estar em um microfone e gritar, isso acabava comigo e o pior, quando começava à falar sobre televisão, calça, cabelo curto, tudo era do d***o, que ia para o inferno quem fizesse tatuagem e passei longos anos ali naquele meio, mesmo duvidando de tudo. Para ter uma ideia de como era o preconceito, eu jogava futebol e amava, a minha mãe não tinha condições de comprar meu uniforme, chuteira, então ela pediu para que eu falasse com o meu pai, mas, ele disse que jamais faria isso, porque ele tava criando uma menina e futebol era coisa de menino, então acabei não entrando para o time. Aí pensa comigo, como que um cara que nem ao menos te viu crescer e te abandonou sem aviso, que passava do outro lado da calçada para não passar perto de você e de sua irmã, para não falar e não ver, como que ele queria proibir de algo? Hoje penso que dei importância demais à questões de pouca trivialidade, já que a minha mãe era a pessoa que estava ao meu lado e mesmo naquele momento se eu não tivesse levado para o coração, poderia estar em um time e ser uma grande jogadora hoje, mas, o meu pai jogou os meus sonhos no ralo do banheiro, eu permiti! Enfim, esse preconceito e essa rejeição me quebrava sempre, mesmo assim acreditava nele, fui morar com ele porque me enganou e me arrependo amargamente de tudo o que ví e ouvi dele e da família, a minha tia, irmã dele, falava tudo da minha mãe, menos que ela era santa e olha que por algumas vezes conseguiu me colocar contra ela. A minha avó materna também, até hoje gostaria de entender como uma mãe pode falar tantas coisas ruins de sua própria filha, enfim, tudo o que desejamos levianamente, pagamos na terra mesmo, não em outro lugar, isso é bem certo!
- Passou um tempo e quando estava com 10 anos, tive a minha primeira visão, estava só com a minha irmã, nesse dia a minha mãe dormiu no trabalho e fomos deitar muito tarde, criança sozinha em casa significa, medo e achar que viu coisas! Eu deitei para dormir e no meu sonho eu parecia voar, fui para um caminho longo, parei no presídio em que o meu tio caçula estava preso, eu vi tudo lá dentro, mas, parecia vazio e escuro, então saí de lá, fui parar na casa da minha avó na praia, ela morava por lá, eu entrei, vi tudo o que ela tinha e achei que estava alucinando, mas, me aproximei, ela não me viu, senti até o cheiro do perfume que ela usava, do creme para o rosto e vi o meu avô deitado ao lado dela, até que ela abriu os olhos e de repente eu fui puxada para um lugar escuro, aí acordei. Hoje eu sei que aquela foi a minha primeira viagem astral (desdobramento), e foi algo surreal, acordei sentindo o cheiro da minha avó, o gosto do creme dela eu pude sentir, falei com a minha mãe e ela me ouviu atentamente, mas, não respondeu o que eu queria saber, porque ela também não entendia o que acontecia comigo. Falei com a minha avó e ela concordou que me viu, porém, para ela, foi apenas um sonho! Tempos depois, a minha mãe levou-me à um centro espírita, um centro de mesa branca, onde se estudava a filosofia médium de um famoso escritor espírita, ao contar para os irmãos do centro, a minha mãe já sabia, porém, não me dizia, eu era médium e via coisas que uma pessoa normal não via, detalhe, a minha mãe também é médium! Nesse tempo a minha mãe namorava um homem que eu não gostava nada dele, podia ser implicância minha na época, mas, hoje eu sei que ele não prestava mesmo, a minha mãe chegou à morar com este homem e eu claro, fiz a vida dela impossível, pois não batia o meu santo com o dele, simplesmente nunca gostei de pessoas que queriam mandar em mim como se fosse o meu pai, em parte porque queria que ele e minha mãe voltassem, por outro lado, eu não gostava dele mesmo e tinha razão em tudo, pois quando engravidei do meu primeiro filho, ele me viu grávida e me disse coisas que me fizeram ver que ele era mesmo um ser capcioso e nada confiável, pois ele me assediou diretamente. No tempo em que a minha mãe viveu com ele tive altercados com a mãe dele e a irmã, pois elas mandavam que a minha mãe não me levasse para a casa deles, eu via coisas lá e falava para a minha mãe, eles falavam que eu inventava mentira. Naquele tempo eu via mais coisas que antes e não gostava, ser médium apesar de bonito é dolorido e complicado, pois você é excluído e não tem muitos amigos, o pior é que os adultos não te escutam e na igreja você é exorcizado, julgado e acusado de compactuar com demônios, mesmo o pastor me pedindo para não pensar no m*l que me assolava, há coisas nessa vida e na outra que te fazem lembrar e te obrigam à ver, isso não parou, por mais que eu rezasse, pedisse, eu via mais, e eles falavam comigo e eu não podia fugir, e eu tinha paralisias do sono, e via os famosos monstros que atormentam o povo da igreja, hoje sei quem eles são! Um dia vi o namorado da minha mãe mexendo na minha irmã adormecida, eu tinha certeza do que ví e falei para a minha avó, claro que ela se aproveitou da situação e gerou mais brigas com a minha mãe...