Começando!
- Olá, me chamo Evelly, essa é a minha história de magia, uma história que nasceu do abandono, do sofrimento, da ignorância, das palavras cortantes, aquelas que ferem, não é uma história de ataque às crenças e demais religiões, também não é uma história de varinhas mágicas, de vassouras voadoras, ou de pós-mágicos coloridos e poções do amor, é uma história de magia de verdade, aquela que nasceu nas entranhas da natureza, que vem das plantas e da terra, que vem das águas e dos ventos, que vem de ancestralidade, de Deuses passados e há muito esquecidos, venho contar para vocês um pouco sobre o livre arbítrio e a importância de saber e aprender o significado dessa palavra, para que os erros já cometidos não se repitam e espero poder abrir os olhos daqueles que tem dúvidas e queiram se libertar dos dogmas impostos pela sociedade puritana, que usa da sabedoria para acorrentar e manipular com infernos e punições à aqueles que pensam diferente à eles, que vivem sua própria verdade.
- Como disse, não estou aqui para julgar religiões e tampouco impor a minha verdade para vocês, mas, trazer um pouco do que sei que até hoje ainda aprendo, não com seres que podemos ver, mas, com seres que hà muito nos passaram seus conhecimentos e nos deram o dom da evolução e que nós, em profunda ignorância os esquecemos e abandonamos.
- Eu sou a filha mais velha de uma grande mulher e mãe, tenho uma irmã caçula que é um ano mais nova que eu, nasci em Junho de 1989 e hoje tenho 36 anos, a minha mãe nos criou, a mim e minha irmã sozinha, pois o meu pai, assim como outros pais que existem por aí abandonaram o barco sem ao menos explicar o porquê, que acreditem até hoje não sei. Parece uma história comum, uma história qualquer, mas, como toda ela, tem a sua particularidade.
- A minha mãe claro, voltou para a casa de minha avó comigo e minha irmã ainda bebês, eu já tinha 1 ano e minha irmã apenas 6 meses de nascida quando nosso pai nos deixou e claro, a minha mãe lutou sozinha pelo nosso bem estar, sempre trabalhando e nós ficávamos com a minha avó e os meus tios que eram adolescentes na época, a minha mãe como a filha mais velha sempre trabalhou, ela claro, tinha mais 4 irmãos, naquela época do meu nascimento o meu tio mais velho já morava em outro estado, e minha tia mais velha era casada e morava em outro bairro, claro que ela casou uma menina ainda, mas enfim, meus tios estavam sempre com a gente, mesmo não sendo adultos. A minha avó não era uma mulher fácil de lidar que digamos, ela sempre foi muito bruta com os filhos e principalmente com a minha mãe, pois ela sempre foi diferente de todos, sempre obediente, nunca metida em vícios e cigarros, a minha mãe sempre se deu o seu lugar e jamais alguém poderá dizer que ela era uma mulher duvidosa. Após o meu pai ir embora ela nunca pensou casar com outro homem, claro que como toda mulher ela teve namorados, ao longo da vida claro, mas, casamento não era com ela e até hoje não é, ela sempre disse não conseguir viver com ninguém, pois homem era muito difícil de lidar, ela jamais teria capacidade de ceder, e se fosse para viver com alguém, que a pessoa cedesse e não o contrário, óbvio que essa é a visão dela até hoje, nem toda mulher tem cabeça para homens, pois sejamos sinceras, é difícil encontrar alguém que queira o mesmo que nós queremos e homens tem o pensamento prático, nós mulheres somos mais coração e sentimentos. Crescemos no meio deles e vamos combinar que, os meus tios eram mentirosos e tramavam o tempo todo, acho que a minha avó falhou muito como mãe, mas, quem a julgaria? Uma mulher que criou 5 filhos sozinha, trabalhava para pôr a comida na mesa e sem ajuda nenhuma tinha ainda que estar presente e educar, naquela época era bem complicado mesmo, mas, o que fazer não é? A minha mãe ao contrário dela é muito cuidadosa e sempre esteve presente em tudo o que podia, apesar de trabalhar muito, a minha avó a mandou para outro estado, São Paulo, pois lá ela conseguiria dinheiro e fazer tudo por "nós", mas, sabemos que a pior volta que levamos é de família certo?
- Sim, para você que não sabe, não existe dor pior ou ferida maior do que aquela causada pela família, pois dalí você espera apoio, e se a pedrada vem do teu berço, claro que um estranho na rua não te causará mais dor, mas, um dia contarei a história de minha mãe, se ela permitir e vocês quiserem ler também.
- A minha mãe teve que ir de surpresa e lá padeceu por estar longe de suas filhas, ainda amamentava nós duas e sofreu com acúmulo de leite, outras situações ruins que prefiro deixar de lado neste momento, e ela ficou por lá muito tempo, porém voltou para nos buscar e foi a melhor escolha de sua vida e fomos com ela para São Paulo, ainda pequenas, moramos em favela, barracos de madeira, passamos algumas necessidades, mas, sobrevivemos e assim seguimos a nossa vida, logo, voltamos para a cidade que nascemos em Pernambuco, nordeste do Brasil, claro que aqui o custo de vida não é caro, mas, em questão de emprego, é bem complexo. A minha mãe trabalhou sempre como empregada do lar, e sempre deu conta de tudo, eu e minha irmã ficávamos sozinhas, ela sempre teve as regras para que não nos faltasse nada e sempre nos ensinou a ser independentes e não precisar de ninguém, já que não podíamos contar com pessoas de fora, nem ao menos de familiares então ficávamos sozinhas em casa, eu cuidava da minha irmã e ela de mim, não tínhamos o costume de brincar na rua, falar com pessoas estranhas e mesmo quando ficávamos chateadas ou reclamávamos, depois entendíamos que era uma forma de estarmos seguras e de estar com a minha mãe e não a prejudicar junto com os órgãos públicos, não queríamos ir parar em um orfanato não é?
- Óbvio que não! Então a minha mãe sempre conversava conosco sobre tudo, tudo o que poderia nos afastar de mentes e de pessoa perigosas que pudessem nos machucar. Tínhamos vários brinquedos, os mais caros eram poucos, pois eles a minha mãe comprava, mas, também ganhamos vários deles, pois apesar de trabalhar como doméstica a minha mãe tinha boa relação com as patroas dela e graças à isso, nós tínhamos tudo do bom e do melhor que ela podia nos proporcionar, nossa alimentação era a melhor e tudo era bem preparado por ela, sempre à frente de tudo, acreditam que mesmo assim eu não me levava bem com a minha mãe?
- Olha, não vou entrar em detalhes, pois a história é para outro dia, mas, hoje em dia me arrependo muito de não ter dito mais a ela o quanto à amo e me arrependo por querer algo que naquela época era impossível, ter o meu pai junto a nós, pois era algo que apenas eu desejava e pedia muito e como eu não o conhecia, claro, sentia a falta dele, queria ter uma família tradicional, uma mãe e um pai ali comigo, a família do meu pai tinha os piores conceitos da minha mãe e claro que depois de adulta é que eu pude ver o que era verdade e o que era parte de uma mentira e óbvio, se vocês já se deram conta, meu pai colocou toda à família dele contra a minha mãe.