Capítulo 1: O herdeiro das sombras.
Muito se fala sobre mim, Sebastian Stewart, mas são poucos os que têm coragem de enfrentar-me. Bem, os poucos que tiveram essa coragem não estão mais vivos para contar a história...
A máfia e a família Stewart assombram o país há décadas. Nossos crimes brutais e violentos marcaram gerações desde o seu surgimento. Até então, nem mesmo as autoridades conseguem lidar conosco.
Nosso império de terror erguia-se intocável, alimentado por mortes silenciosas e promessas de vingança cumpridas com precisão implacável.
No topo da cadeia, como um rei nas sombras, estava eu.
Eu não era apenas um criminoso. Eu era uma lenda.
Astuto. Estratégico. Calculista. Inteligente. Cauteloso. Furtivo. Um caçador nato, sempre à espreita. Minha mansão, oculta na vastidão de uma floresta proibida, era mais do que um refúgio — era um covil, cercado por criaturas que não pertenciam ao mundo dos vivos. Monstros. Seres das trevas. Criaturas sombrias e tenebrosas. E eu... era o pior de todos.
Noite de caçada.
A lua cheia pendia no céu, pálida e silenciosa, lançando um brilho espectral sobre as ruas desertas. O vento sussurrava através das árvores, carregando um frio cortante que se infiltrava até os ossos.
Apenas se ouvia o assobiar do vento, o cricrilar dos grilos, o chacoalhar das árvores. As sombras dançavam nos cantos escuros, e no ar pairava uma sensação de perigo iminente, um frio arrepiante na espinha.
O silêncio era denso, quase palpável, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas e pelo som ritmado de passos apressados no asfalto.
Erick corria.
Seu coração martelava no peito. Cada sombra parecia se esticar; cada beco escuro escondia olhos que o observavam. Ele sabia que não adiantava fugir de mim, mas o desespero era mais forte do que a razão.
Então, o ar ficou gélido...
O mundo ao redor pareceu desacelerar. Minha presença esmagadora tomou conta do ambiente, como se a própria noite tivesse ganhado consciência.
E então...
— Grrrr.
Meu rosnado gutural ecoou pelas ruas.
Erick congelou. O som de passos se aproximava — firmes, ritmados, predatórios. E, então, eu emergi das sombras.
Sebastian Stewart
Uma silhueta que a noite m*l conseguia conter. Eu não era alto; eu era uma montanha contra a lua. Minha silhueta bloqueava as estrelas, e cada passo fazia o chão tremer. Meu corpo híbrido mesclava o pior dos dois mundos: a ferocidade primal do lobisomem com a elegância mortal do vampiro. Uma pelagem n***a e sinistra cobria meus membros, e minhas garras reluziam sob a luz fraca, traçando linhas prateadas no ar. Mas eram meus olhos que capturavam a alma — um turbilhão dourado e avermelhado, como brasas em uma fornalha antiga, famintos não só por sangue, mas por desespero; um lugar onde nenhuma humanidade sobrevivia.
Eu sorri. Um sorriso c***l e afiado, de pura depravação sádica.
— Você acha mesmo que vai escapar dessa, depois de me desafiar, Erick? — Minha voz soou baixa, carregada de um divertimento sádico.
Enquanto falava, a escuridão ao redor pareceu se comprimir. Fiquei parado por um instante, respirando fundo. O cheiro do pânico dele era como um vinho raro, e eu deixei que ele enchesse meus pulmões, alimentando a fera dentro de mim.
Meus olhos não saíam dele enquanto eu começava a andar lentamente — não em linha reta, mas em um arco que o forçava a recuar para o centro da rua. Eu estava cercando minha presa.
— Que audácia. Quem você pensa que é?
— S-Sebastian… nós podemos negociar!
Ele recuava, cada célula tremendo.
Negociar.
A palavra ecoou dentro de mim, e a Criatura respondeu. Um rosnado surgiu do meu peito, um som que não era totalmente humano nem animal.
O sorriso desapareceu do meu rosto. Meus olhos brilharam ainda mais intensamente, como brasas prestes a incendiar tudo ao redor.
— Negociar? — Minha voz soou diferente agora, mais profunda, demoníaca. Fiz uma pausa, inclinando a cabeça como um animal curioso. Cheirei o ar. — O que você tem para negociar, além do seu sangue quentinho e do som dos seus ossos triturando?
— Nãoooo! Por favor, Sebastian!
Erick começou a correr em disparada.
Eu continuei rindo. — Não pense que pode fugir, meu brinquedinho...
Em vez de correr atrás imediatamente, dei mais um passo lento em direção à parede mais próxima e nela afiei as pontas das minhas garras, uma após a outra, com um cuidado teatral. Faíscas minúsculas saltaram do contato com o concreto.
— Eu sempre vou te encontrar... — sussurrei.
E então, num movimento mais rápido que o olhar, arremessei-me não diretamente para ele, mas para cortar seu caminho, aparecendo de uma sombra adiante, cercando-o completamente na rua sem saída.
Antes que Erick pudesse soltar um último suspiro, meus dedos — já não totalmente dedos, mas instrumentos de talho frio — cravaram-se em seu pescoço.
Um estalo úmido. Um jorro quente que tingiu o ar de ferro. Ele se debateu, um espasmo patético contra a força que o esmagava. Seus olhos, tão cheios de desespero há instantes, agora apenas refletiam o vórtice dourado e avermelhado dos meus — a última coisa que veriam.
Ele tentou falar. Um gargarejo de sangue respondeu por ele.
Aproximei meu rosto do dele, sentindo o calor fugaz da vida contra minha pele. Sussurrei, não para que ele ouvisse, mas para que a Criatura dentro de mim apreciasse a poesia do momento.
— A lição é sempre a mesma, Erick. E você... foi um aluno excepcionalmente devagar.
Meu aperto se firmou. Senti, mais do que ouvi, a cartilagem cedendo, os músculos se rompendo. Não foi um puxão bruto; foi um desenlace meticuloso, a conclusão lógica de tudo que veio antes. Um som de tecido sendo desfiado.
O corpo caiu com um baque surdo, um saco de ossos sem comando. A cabeça rolou alguns centímetros e parou, os olhos ainda arregalados, capturando para a eternidade o momento exato em que a esperança virou memória.
Fiquei observando. Não sorri. O triunfo era uma sensação profunda demais para um mero gesto facial. Era um calor no peito, um sussurro de satisfação nos meus ouvidos internos. Aqui estava o preço. Aqui estava a ordem.
Era assim que as lições eram aprendidas.
Sem mais uma palavra, virei-me. A escuridão não me engoliu — ela se fechou atrás de mim, como uma cortina após o ato final.
Dentro de minutos, o rugido do motor do meu carro era o único lamento naquela rua. Os pneus cantaram uma fuga curta e aguda, e eu me fundi às veias da cidade adormecida, a agitação da caçada ainda latejando nas pontas dos meus dedos — um eco que pedia o próximo movimento, a próxima peça no tabuleiro.