Steven
— Ele não vai ganhar uma Lamborghini — rosno, sentindo minha paciência no limite.
Estou sentada à cabeceira da mesa da sala de reuniões com meu conselho de diretores. São oito da manhã, bem antes da reunião geral da equipe, quando distribuímos os bônus pelos melhores desempenhos.
— O cara carregou o time inteiro neste trimestre, Steven — lamenta Thomas, com o rosto contorcido em uma expressão quase infantil. — Depois desses números, ele merece um brinquedo à altura.
Lanço um olhar duro para ele.
— Ele também jogou uma cadeira na janela. — Ergo uma sobrancelha, me perguntando se preciso desenhar para ele entender. — Não sei por que tenho que explicar o óbvio.
— Mas ele é, de longe, o melhor gestor de fundos que temos! — rebate Thomas, insistindo.
— Não posso permitir que minha equipe se comporte como animais, não importa o quanto de dinheiro tragam para a empresa. Peter deveria ter pensado nas consequências antes de ter seu momento de fúria no meu escritório, no trigésimo quinto andar.
— Você não pode guardar rancor disso para sempre... — diz Thomas, hesitante, como se percebesse que estava cutucando a onça com vara curta.
Me inclino para frente, apoiando ambos os cotovelos na mesa, cansado de ainda estar discutindo isso.
— Vai funcionar assim: Peter vai se controlar pelos próximos seis meses. Nada de explosões infantis, nada de redecorar meu escritório com móveis voando. Se ele se comportar, a Lamborghini será dele. Que escolha a cor, coloque um laço bonito, tanto faz. Mas, se ele fizer merda de novo, se eu ouvir qualquer cochicho de outra crise, o acordo está cancelado. Ele terá sorte se ainda tiver um emprego... ou um carro de luxo para dirigir.
Thomas engole seco.
Solto um suspiro e volto minha atenção para o restante da sala.
— Chris, me passe as outras alocações de bônus do trimestre.
Enquanto Chris lista os nomes e os valores, minha mente inevitavelmente deriva para a crítica mordaz de Savannah. Ela estava certa sobre as personalidades voláteis, não há como negar.
Quase no piloto automático, meus dedos encontram o caminho para a pasta que ela compartilhou por engano. O arquivo ainda está lá. Os devaneios de Savannah. Claramente, ela ainda não percebeu o tamanho do erro que cometeu ao enviá-lo.
Qualquer CEO racional e profissional já teria demitido Savannah no mesmo instante, mandado o segurança acompanhá-la até a porta e garantido que ela nunca voltasse.
E, ainda assim... há algo deliciosamente irresistível em vê-la se afundar ainda mais. Quantas críticas mordazes e insultos recheados de sarcasmo mais ela escreveu, acreditando que ninguém nunca leria?
Pois bem.
Uma notificação no arquivo mostra que ele foi atualizado ontem à noite. Savannah tem estado ocupada.
Abro o documento, inclinando-me para frente como uma criança com a mão no pote de biscoitos.
Querido Diário...
Caramba. Ela escreve mesmo como uma adolescente cheia de rancor.
Por onde eu começo? Hoje foi ainda mais caótico do que ontem. Ultimamente, parece que não consigo um momento de respiro. Cheguei atrasada para revisar e aprovar as mudanças nas normas da empresa e, para piorar, esqueci completamente de aprovar os relatórios de despesas de dois membros da minha equipe.
E não sou a única sentindo isso. A equipe inteira está se desgastando, brigando por pequenos contratempos enquanto lutamos para acompanhar o ritmo do nosso crescimento e expansão.
Aqui vai um pequeno fato que o nosso estimado líder, Campbell, convenientemente escolhe ignorar em sua infinita sabedoria: não importa se alguém ganha um salário modesto de cinco dígitos ou um obsceno de sete dígitos — se estiver preso em um ambiente de pressão constante, com demandas irreais e um estresse interminável, essa pessoa vai desmoronar. Só porque somos bem pagos, isso não torna a tensão mais suportável.
Mas o que eu sei? Sou apenas do RH.
Eu me mexo na cadeira, meu maxilar cerrado. Meu pessoal está aqui porque quer estar. Se quisessem algo fácil, estariam em outro lugar. Nós só contratamos aqueles que conseguem lidar com a pressão. Eles são talentosos, motivados. Eles prosperam com a adrenalina, com as altas apostas, com a oportunidade de fazer parte de algo importante. Essa é a natureza do mercado financeiro em Londres.
— Steven? — A voz de Chris me tira da distração. Pisquei, percebendo que todo o conselho estava me encarando. — Os números estão todos de acordo com sua satisfação, chefe?
— As finanças estão sólidas — digo, dispensando-o com um aceno de mão. — Mas quero abordar outra coisa — a equipe. Como todos estão se saindo?
Sou recebido por um mar de rostos confusos. Será que sou tão rígido a ponto de perguntar sobre o bem-estar deles e isso ser motivo de alarme?
— Não falem todos de uma vez — digo, com sarcasmo.
— Alguma reclamação ou processo que precisemos resolver? — Mike, o chefe do Jurídico, finalmente quebra o silêncio.
— Não, nada disso. — Balanço a cabeça, abafando um suspiro irritado. — Estou perguntando sobre o quadro geral — o moral da equipe. Com essa expansão, como todos estão lidando?
— Eles estão atingindo as metas financeiras — responde Thomas.
— Não foi isso que perguntei, Thomas. Quero saber sobre o bem-estar pessoal deles, não apenas sobre números.
Uma pausa estranha se instala enquanto eles tentam encontrar uma resposta para meu questionamento inesperado.
— Olha — rosno. — Quero uma avaliação honesta do estado mental e emocional da nossa equipe, além de números e resultados. Como estão os níveis de estresse deles, considerando nossas metas ambiciosas?
A sala mergulha em um silêncio desconfortável.
Finalmente, Chris limpa a garganta.
— Bem, chefe, muitos estão fazendo horas por causa das novas propostas. Mas já oferecemos psiquiatras, massagistas e check-ups médicos no local. A menos que queira explorar outro tipo de suporte, não sei o que mais poderíamos fazer.
Ele não está errado. Oferecemos tudo isso. Mas aquela voz irritante na minha cabeça — os comentários mordazes de Savannah na noite passada — não para.
Cruzo as mãos sobre a mesa e balanço a cabeça.
— Vou discutir isso com o RH. Próximo ponto na agenda?
A reunião segue, mas não consigo me concentrar. Meus olhos voltam para aquele maldito diário na tela do meu computador. Sei que deveria prestar atenção, mas não consigo resistir. Preciso saber o que mais irritou Savannah ontem à noite.
Enquanto a mesa discute o próximo tópico, abro novamente o arquivo, pronto para outra dose de sua raiva sem filtro.
E Campbell estava esquisito pra caramba hoje. Num minuto, me dá uma bronca por chegar atrasada pela primeira vez. Depois reclama da minha estratégia de recrutamento, mas nem diz qual é o problema. No fim, diz: “Está tudo bem, vá em frente.” Talvez estivesse de ressaca depois da festa de ontem. Ou talvez essa seja sua maneira de me levar à loucura.
Uma risada baixa escapa antes que eu possa contê-la, e a sala de reuniões fica em silêncio.
— Steven, precisa resolver algo? — pergunta Sophie, limpando a garganta. — Podemos continuar isso depois.
— Não, não. Continue.
Enquanto retomam a discussão, volto ao diário de Savannah.
E essa nem foi a parte mais perturbadora do meu dia. Ah, não, esse prêmio vai para a minha sessão de m*********o esta noite.
Eu me mexo na cadeira, pego de surpresa. p**a merda. Não esperava que o diário dela tomasse esse rumo.
Eu estava tão perto. Podia sentir aquele tremor no meu corpo. Não acredito que fiz isso olhando para a foto corporativa do Sr. Campbell. São os malditos coletes que ele usa. O que há com um homem de colete? Deus, o que há de errado comigo? O homem é um babaca manipulador e sem alma que parece sentir prazer perverso em me atormentar. E, no entanto, até uma foto inofensiva tem o poder de me reduzir a uma bagunça trêmula e culpada.
Solto um suspiro pesado, meus olhos grudados na tela.
Então ela realmente se masturbou pensando em mim ontem à noite? Consigo imaginar: Savannah Jones, em seu apartamento, furiosamente esfregando seu clítoris enquanto fantasia sobre me destruir verbalmente.
Eu me mexo novamente, tentando encontrar uma posição mais confortável enquanto meu p*u começa a inchar, forçando o tecido apertado da calça.
Eu me pego imaginando marchar até o escritório dele, empurrando-o contra aquela mesa de mogno milionária e mostrando exatamente o que penso sobre suas jogadas de poder idiotas. Na minha cabeça, eu o empurro para trás, r***o suas calças, seguro seu p*u e monto nele até ele implorar para gozar. E então, me recuso a deixar ele gozar. Porque, uma coisa é certa: eu estou no controle. Ele pode se curvar na minha frente e dizer: “Por favor, senhora.”
Jesus, Savannah. Você não pode simplesmente jogar algo assim no universo e esperar que um homem mantenha a compostura.
Porque, f**a-se, as fantasias que ela descreveu aqui... são sonhos tão deliciosamente pervertidos que nem eu me permiti ter. Pelo menos, não conscientemente.
Não posso pensar assim.
Mas, meu Deus, como quero puxá-la para o meu escritório pelo r**o de cavalo vermelho, dobrá-la sobre minha mesa e mostrar exatamente o que acontece com garotas safadas que não sabem guardar suas fantasias para si mesmas.
Isso ultrapassa tantas linhas, mesmo na privacidade da minha própria cabeça.
Percebo que devo ter feito algum barulho porque todos os olhos na sala estão em mim.
— Continue — murmuro asperamente, tentando parecer que não estava, momentos atrás, mentalmente me masturbando com a ideia da minha gerente de RH se masturbando.
Eles trocam olhares, mas continuam a discussão. Inclino-me para trás na cadeira, tentando projetar um ar de indiferença, embora esteja ficando mais duro a cada segundo. Seguro minha caneta com força, como se fosse a única coisa me impedindo de perder o controle ali mesmo, na maldita mesa.
Savannah Jones, você é cheia de surpresas, não é?
Então eu leio a próxima parte.
Mas então a maldita Mimi entrou. Miou até que eu a deixasse entrar na sala. Por mais que eu dissesse que precisava de um tempo para mim, ela não desistiu. Tive que ir até a porta, no meio do prazer, e deixá-la entrar. Ela não só testemunhou meu estado desgrenhado e ofegante, como a bola de pelos atrevida simplesmente se jogou no chão como se fosse um show de perversão! Não desviou os olhos, não se desculpou, nada. Apenas ficou ali sentada, se lambendo como a degenerada que é.
Puta merda. Faço uma leitura dupla, relendo a última parte para ter certeza de que meus olhos não estão pregando uma peça doentia em mim.
Quem diabos é essa Mimi? Sua faxineira? Sua colega de quarto atrevida? Estou descobrindo todo tipo de coisas novas e intrigantes sobre Savannah hoje.
E como se isso não bastasse, ela me brochou com o pum mais tóxico e eu não consegui terminar.
Jesus Cristo — murmuro. Isso é algum tipo de fetiche estranho e perverso que a Savannah curte? Alguma metáfora que não estou entendendo?
— Não poderia concordar mais, chefe — alguém diz do outro lado da mesa, supondo que minha exclamação tenha sido em resposta a qualquer outra coisa que deveríamos estar discutindo.
Concordo distraidamente, sem nem olhar para cima. Minha mente está ocupada demais tentando processar o que acabei de ler. Se fosse qualquer outro funcionário, eu já teria dado uma bronca neles por estarem tão distraídos em uma reunião.
Não sei o que pensar ou fazer sobre isso. Mas uma coisa é certa: isso não pode continuar. Preciso dar um fim nisso antes que as coisas piorem ainda mais.