Capítulo 11

1970 Words
Savannah  Charlotte retorna logo depois das onze, trazendo consigo os cheiros de bebidas e sexo. — Você está atrasada — observo, tentando não soar tão acusatória quanto me sinto. — Parei para tomar uma ou duas bebidas com um dos caras do escritório. — E o sexo também faz parte dessas bebidas? — Preciso tirar os p****s para fora se quiser continuar no escritório — ela responde casualmente. Eu pisquei. — E você está bem com isso? Ela acena com a mão, despreocupada. — É normal. Às vezes, a gente merece um pouco de prazer e diversão. Seus olhos vidrados encontram os meus. — E é melhor você não estar mais trabalhando, sua louca. Com relutância, fecho meu notebook. — Acabei de terminar. — Você precisa aprender a relaxar mais — ela diz, inclinando-se para me dar uma massagem nos ombros que eu absolutamente não pedi. — Estou perfeitamente relaxada — insisto, tentando ignorá-la. — Seus músculos parecem concreto! — ela suspira, massageando meus ombros com força exagerada. — Como você não quebrou ainda com toda essa tensão? — Estou literalmente deitada no sofá com uma taça de vinho — digo entre os dentes cerrados. — Como não pareço relaxada? Devo estar levitando ou algo assim? — Ah, Sah... — Ela inspira dramaticamente, soltando o ar com exagero. O cheiro de tequila me inunda. — É tudo sobre entrar no estado de espírito certo. É sobre abraçar a incerteza de tudo isso. Ela está claramente bêbada. — Não tenho tempo para abraçar incerteza nenhuma — digo, começando meu itinerário de desgraças, marcando cada tormenta com os dedos. — Amanhã de manhã tenho que acordar cedo, pegar uma amostra fresca da caixa de areia da Mimi, chegar ao escritório com o cocô, participar de uma reunião obrigatória de 'formação de equipe' com todos os funcionários, e depois, de alguma forma, correr para o veterinário no intervalo ridiculamente curto do almoço antes de voltar para conduzir entrevistas consecutivas até Deus sabe quando. Charlotte ergue uma sobrancelha. — p**a merda. Não tem uma parte do seu dia que pareça minimamente divertida, tem? Dou de ombros. É algo em que podemos concordar. Mas ninguém anuncia empresas de patrimônio privado como divertidas, certo? Não é algo que eu colocaria em um texto de recrutamento. O rosto dela suaviza enquanto me observa. — Você parece exausta. Deixe que eu leve o cocô da Mimi ao veterinário para você amanhã, ok? Pisco para ela. — Tem certeza? — Não se preocupe, eu cuido disso. Me avise se precisar de mais alguma coisa. Exalo lentamente. — Saúde. Pelo menos uma coisa a menos na minha lista. Charlotte sorri, satisfeita consigo mesma por ser prestativa. Se ao menos ela canalizasse essa energia para algo mais útil — como não deixar calcinha no chão da sala. Quando estou prestes a começar um sermão sobre soluções de armazenamento adequadas e por que sutiãs não devem ser pendurados em abajures, o telefone dela toca alto. — Ooh, número desconhecido! — ela exclama, mergulhando para pegar o celular. — Pode ser o diretor que estou esperando. Mas sua excitação desaparece tão rápido quanto surgiu. — Ah, oi — diz, agora com a voz monótona. Ela faz uma pausa enquanto a pessoa do outro lado fala. Reconheço vagamente uma voz masculina. — É, desculpa. Tenho estado muito ocupada ultimamente. Outra pausa. — Hum, na verdade, minha amiga acabou de... morrer. Então não é um bom momento. Talvez possamos retomar em algumas semanas. Eu a encaro, incrédula. — Sim, a amiga com quem moro — continua, ignorando minha expressão. — Foi tão trágico e triste. — Ela solta um suspiro dramático. "Que diabos você está fazendo?", sussurro. Ela faz um gesto para me calar. — Foi um acidente de carro terrível. Devastador. Estou simplesmente um desastre. De repente, ela começa a esfregar o telefone na almofada do sofá como se estivesse tentando acender um fogo. Mimi, profundamente ofendida pela invasão ao seu espaço, mia furiosa e dá um tapa inútil na mão de Charlotte. Depois de alguns segundos desse comportamento bizarro, Charlotte traz o telefone de volta ao ouvido. — Alô? — choraminga. — Você ainda está aí? Mais esfregadas na almofada. — Estranho. Está dando interferência. A ligação está r**m. — Esfrega, esfrega. — Acho que estamos perdendo a conexão. Ela sorri para mim. — Ops, desculpe, estou passando por um túnel. E, com uma última esfregada, encerra a chamada. Eu a encaro boquiaberta. — Sério? Você me matou só para evitar um encontro r**m? — Foi aquele cara da semana passada — ela suspira. — Sabe, o que não me deixou ir embora e esfregou minha bochecha como um tio assustador? Concordo lentamente. — Ah, o que você achou que parecia o Príncipe William? — Fiquei um pouquinho embriagada, pensei que ele era um verdadeiro sonho e transei com ele em um momento de péssimo julgamento. Mas era só a bebida falando. Acordei na manhã seguinte e, desculpe, sou superficial, ok? Percebi que ele não era o mesmo cara da noite anterior. Seu rosto estava todo estranho, como se alguém tivesse tentado esculpir o príncipe William de massinha de modelar e desistido no meio do caminho. E sua voz, meu Deus, sua voz. Era mais estridente que o rato de brinquedo da Mimi. Ela estremece, como se a lembrança a doesse fisicamente. — Eu estava tão vergonhosamente afim dele naquela noite, praticamente pronta para bebés com ele. Muitos deles. — Eu simplesmente não posso dispensá-lo gentilmente agora sem parecer uma completa hipócrita. Eu a encaro, com a mão no quadril. — Então, naturalmente, a solução mais lógica e madura era fingir a morte da seu colega de quarto e então fingir que você está em um túnel no metrô, em vez de apenas dizer a ele que você não está interessada como uma adulta. — Eu entrei em pânico, ok? Eu não sou boa sob pressão. Eu ia escrever uma mensagem longa e linda para ele para dispensá-lo facilmente. Como uma carta de amor ao contrário – uma merda. Mas então ele me emboscou com um número privado! Ele jogou sujo, o filho da p**a sorrateiro. Ela coloca o rosto entre as mãos e solta um gemido tão lamentável que quase me sinto m*l por ela. — Eu sou um ser humano de merda. Eu sabia que tinha cometido um erro depois de três segundos de sexo. Sabe quando você vai para uma massagem e o massagista está sendo muito delicado? E eles continuam perguntando 'essa pressão está boa?' E você fica tipo, 'Não, Marie, você pode usar suas malditas mãos e não só seu dedo mindinho?' Mas então eles só pressionam um pouquinho mais forte. Eles m*l roçam sua pele até você ficar tão frustrada que está pronta para gritar na sua cara. Então, durante toda a massagem, você fica deitada lá, insatisfeita, se perguntando por que se deu ao trabalho de tirar a roupa para isso? — Eu concordo. — Eu vejo onde isso está indo. — Exatamente assim que foi t*****r com esse cara. Ele continuou falando comigo durante o ato, mas não de um jeito sexy e dominador do tipo 'de joelhos, sua vagabunda imunda'. Não, era mais 'esse ângulo está bom para você? Você precisa de outro travesseiro? Você está hidratada o suficiente?' Quer dizer, pelo amor de Deus, apenas me agarre pelos cabelos e me xingue de p*****a. Concordo com a cabeça. Um pequeno sorriso puxando meus lábios. — Eu posso imaginar como é. — Oh meu Deus Savannah você é virgem? Oh meu Deus eu não consigo acreditar. — ela faz um 'O' com a boca, incrédula. — Eu tive que me dedicar na faculdade, correr atrás dos meus sonhos, não tive tempo pra essas bobagens românticas. Charlotte suspira, jogando-se de volta nas almofadas do sofá. — Você é tão obcecada em trabalho que esqueceu de t*****r. — Esqueça isso. Continue falando dos seus gostos. — Eu não sou uma boneca de porcelana. Preciso de um homem que não tenha medo de deslocar um ombro. Me torça um pouco. Eu rio. — É, acho que trabalho com alguns desses tipos. Os olhos dela brilham. — Eu realmente preciso ir junto na sua próxima confraternização no escritório. Vamos dividir um p*u, Savannah. Ninguém gosta de uma virgem, enfiada em um escritório, vamos nos divertir. Reviro os olhos. — Ok, antes de tudo, não vou 'participar' de nenhuma suruba no escritório, muito obrigada. — Estremeço. — Uma RH é a última pessoa que deveria ter casos no escritório. Nós é que deveríamos ser os que impedem essa merda, não fazer isso. E segundo, os banqueiros menosprezam o RH. Eles acham que somos assistentes qualificadas na melhor das hipóteses, e completamente redundantes na pior. Para eles, estamos lá apenas para limpar suas bagunças e garantir que não sejam processados por assédio s****l a cada duas semanas. — Você é tão certinha — ela provoca. — Se eu tivesse seu emprego, provavelmente seria demitida em uma semana por t*****r com metade do escritório. Você nunca se sente tentada a misturar negócios com prazer? Eu paro, minha mente traidora imediatamente evoca uma imagem de Campbell me jogando sobre sua mesa e fazendo sua maldade comigo. Minhas bochechas esquentam. — Eu nem tenho mais certeza de que tipo de cara eu quero — confesso, balançando a cabeça para limpar as imagens mentais perturbadoras. — Estou cercada por todos esses tipos de banqueiros machos alfa dia após dia. Talvez o que eu realmente precise seja de um cara com um lado mais suave, sabe? Como um professor ou algo assim. Ela ri. — Chato. Parei de ter vontade de ficar com professores quando tinha dezessete anos. — Ela se senta, olhos arregalados. — Ok, preciso que você me faça um favorzinho. Quero verificar se a coisa da ligação corta era crível. Você pode ir para o outro cômodo, e eu te ligo e faço a coisa de esfregar o telefone de novo? — Sabe, a maioria das mulheres bem-ajustadas na faixa dos trinta anos enviam uma mensagem educada dizendo — obrigada, mas não, obrigada. — Por favor, Sah? ela implora, me dando aquele olhar de cachorrinho. — Tudo bem — resmungo, pegando meu telefone e indo para o quarto. Um minuto depois, meu telefone toca. — Alô? — Oi, é a Charlotte — diz Charlotte. — Eu sei que é você, sua i****a. — Você consegue me ouvir bem? — Eu posso ouvir você. Na verdade, eu posso ouvir vocês duas. Você e a Mimi. Vocês estão na sala ao lado. — Ok, ótimo. Agora vou começar a parte de esfregar a almofada, e você me diz se soa convincentemente como se eu estivesse perdendo o sinal, certo? Belisco a ponta do meu nariz. — Ótimo. Eu escuto Charlotte reencenar seu show solo, completo com efeitos sonoros vigorosos de esfregar o sofá. No fundo, eu posso ouvir os miados ofendidos de Mimi. Quando ela termina, desligo e volto para a sala de estar. — Bom? — Ela olha para mim, um pouco sem fôlego. — Convincente? Como se eu estivesse no subsolo? Reviro os olhos. — Não, Charlotte. Você parecia estar transando com minhas pobres almofadas do sofá. Mas não se preocupe, querida, estou bem confiante de que sua pequena performance foi mais do que suficiente para convencê-lo de que você é uma completa e absoluta maluca. Tenho certeza de que ele não vai querer namorar você depois disso. Ela sorri. — Que alívio. Obrigada, Sah. Você é a melhor amiga falsa morta que uma garota poderia pedir. Eu te devo muito. Eu bufo, balançando a cabeça em descrença divertida. — Sim, sim, apenas adicione isso à lista cada vez maior de favores que você me deve. Toda essa situação ridícula captura perfeitamente o contraste gritante entre meus dois mundos drasticamente diferentes.
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