Capítulo 20

2209 Words
Steven Eu a ofendi tanto que estou prestes a perdê-la para sempre. Poucas pessoas conseguem me pegar desprevenido hoje em dia, mas Savannah fez isso várias vezes no intervalo de uma semana. Surpresa não consegue descrever como é vê-la se demitir, bem na minha cara. — Sente-se, Savannah. — Não. Qual é o sentido? — Ela puxa a alça do vestido, toda enrolada. Fica bem nela. Eu me permito aproveitar a vista por um segundo antes de voltar ao trabalho. Por mais que eu tenha me divertido ao ver aquelas rachaduras se formarem em sua armadura polida, tenho que dar crédito a ela. É preciso muita coragem para ficar ali e tentar virar o jogo, e me repreender sobre minha "ética". Mas meu negócio não é sobre perder. E agora, perder Savannah não é uma opção que eu esteja disposto a considerar, apesar do seu momento de insanidade temporária. Eu não queria que ela se levantasse e desistisse. — A questão é que você não vai a lugar nenhum. Ela zomba, cruzando os braços sobre o peito. — O que você está dizendo? Você não vai me demitir? Por quê? Porque todo esse fiasco te diverte? Eu me inclino para trás, apoiando um tornozelo no meu joelho enquanto a olho para cima. — Oh, isso definitivamente me diverte. Mas o mais importante, eu não tenho interesse nenhum em ver você sair por aquela porta para sempre. — Não posso ficar. Nada valeria a pena depois... disto. — Agora, nós dois sabemos que isso não é verdade, não é? Na verdade, eu tenho uma pequena proposta para você. Você continua no trabalho, e eu acrescento um belo e gordo... digamos cinquenta por cento de aumento no seu salário atual. Com uma condição fundamental. Os olhos dela se arregalam. — Isso é algum tipo de piada? — Parece que eu estou brincando aqui? Inteligentemente, ela não responde àquela pergunta retórica em particular, apenas me olha boquiaberta, chocada. — Qual é o problema então? Qual a condição? — Você claramente tem desabafado seus pensamentos, Savannah. Fique, e me dê essa honestidade sem filtro. Nada mais de se esconder, nada mais de esforços para me apaziguar. Se você tem algo a dizer, diga — diretamente e sem restrições. Ela pisca rapidamente. — Eu realmente não estou entendendo. Eu suspiro, minha paciência se esgotando. — Eu disse para você sentar. Em câmera lenta, ela se abaixa rigidamente no sofá de couro à minha frente. Eu me levanto e vou até o bar. Preparo para ela um coquetel à base de uísque, algo que ela consegue lidar enquanto processa minha oferta em silêncio. — Estou cercado de bajuladores e bajuladoras que só me dizem o que acham que eu quero ouvir — explico enquanto me aproximo dela, copos na mão. — Com essas... fantasias suas sobre me estrangular com minha gravata, você mostrou algumas percepções astutas. Você é boa com pessoas, e agora preciso de uma pessoa direta e sociável comigo. Coloco o copo na mão dela e observo enquanto ela imediatamente toma um gole generoso, estremecendo com a queimação. — Você é bom nisso. Se essa coisa de finanças não der certo, você sempre pode voltar a ser barman — ela brinca, com a voz áspera por causa do uísque. — Sou bom em muitas coisas. Suas bochechas coram. — Modéstia não é uma delas. — Não. — Eu rio. — Modéstia nunca foi meu forte. Ela tira um cigarro da bolsa e acende, dando uma tragada profunda. — Eu me limito a um por dia — ela diz, quase na defensiva. Como se eu não soubesse que metade da minha equipe se entrega a vícios muito piores. — E esta situação definitivamente exige isso. — Só um? Eu imaginaria que lidar comigo diariamente exigiria pelo menos um maço ou dois. Isso me rendeu um quase sorriso dela — o primeiro desde que essa pequena conversa começou. Recostando-me na minha cadeira, eu a nivelo com um olhar expectante. — Então? O que vai ser? Você vai ficar comigo? — Deixa eu ver se entendi: você realmente não vai me demitir por todas as coisas terríveis que escrevi sobre você? — Ela franze a testa, como se estivesse esperando o que vem a seguir. — Você quer que eu fale com você, meu chefe, desse jeito? Sarcasmo, ousadia e tudo mais? — É exatamente isso que eu quero. — Mas eu chamei você… — Ela para de falar, parecendo mortificada. — Um tirano, controlador, um p*u grande e balançante? — eu falo, incapaz de esconder a diversão da minha voz. — Entre uma série de outros adjetivos criativos. Estou ciente. Ela exala um jato de fumaça. — Você nunca vai esquecer essa, vai? — Temo que não. Não é todo dia que sou tão eloquentemente insultado. — Ok, tudo bem. Talvez isso tenha sido um pouco infantil. Mas você sabe que pode ser um homem irracional às vezes. Você honestamente vai sentar aí e me dizer que discorda da minha avaliação do seu caráter? Uma coisinha ousada ela, não é? Já gosto dessa Savannah nova e sem filtros. — Um homem irracional? Nossa, certamente não estamos nos segurando agora, estamos só nós dois, não é? Ela encontra meu olhar de frente, sem pestanejar. — Imaginei que é melhor assumir logo o papel que você quer. Eu sorrio. — Bem, eu discordo. Veja, de onde estou sentado, eu sou o dono da razão. Eu pago meu pessoal bem o suficiente para se aposentar aos trinta anos se eles forem espertos com isso. E eu deixo minhas expectativas claras desde o primeiro dia. Ninguém assina com a Financeira Campbell às cegas. Eles sabem exatamente no que estão se metendo, e escolhem de qualquer maneira. Então você vai ter que me perdoar se eu tiver pouca paciência para choro quando eu os pressiono a serem as melhores versões de si mesmos. Ela estreita aqueles olhos verdes e ardentes para mim, um músculo pulsa em seu maxilar. — Talvez o problema não esteja nas suas expectativas, mas a sua abordagem. Você pode ser... vamos ver, como eu coloco isso delicadamente? Um pé no saco exigente e egocêntrico. Eu jogo minha cabeça para trás e rio, genuinamente encantada com sua honestidade descarada. — Savannah Jones, solta e sem censura. Estou gostando bastante dela até agora. Mas não tenho a noite toda para sentar aqui e discutir verbalmente, por mais divertido que seja. Então, o que vai ser? Você ainda está pensando em pular fora ou vai continuar comigo? Ela dá uma longa e contemplativa tragada no cigarro, exalando lentamente. — Desculpe. É um não. — O que? Eu a encaro por um longo momento, avaliando-a. Quando ela não move nem um músculo do rosto, solto um suspiro frustrado. Que funcionário não aceita a um aumento de cinquenta por cento? Eu me pego fazendo algo chocante. — Tudo bem. Vou dobrar seu salário. Ela não consegue evitar o sangue escorrendo de seu rosto, suas pupilas dilatando com o choque. E droga, com certeza estou reagindo também. Esfrego minha palma com força contra a poltrona de couro. Posso ser um bilionário, mas não é uma oferta que faço levianamente. Sei exatamente quanto ela recebe e quanto essa façanha vai me custar. A Srta. Jones vai ganhar mais do que a maioria dos meus principais executivos. — Ok. Vou considerar sua proposta — ela diz finalmente. — Mas eu tenho uma condição minha. — Sou todo ouvidos — Thomas não deveria estar gerenciando tantos executivos junior. Eles não podem ir até ele com problemas — ele não tem paciência para inexperiência. Ele faz críticas mordazes, o que funciona em um certo tipo de pessoa até certo ponto. Mas ele lança insultos humilhantes aos funcionários junior para afirmar seu domínio. Ele não tem escrúpulos em repreender ou humilhar publicamente eles na frente dos outros. Outras instituições financeiras já acordaram para o fato de que os funcionários não podem ser tratados dessa forma. — Esse assunto de novo não — eu resmungo, apertando a ponta do meu nariz. — Ótimo. Ela se levanta abruptamente, me desafiando com uma inclinação desafiadora de seu queixo. — Savannah — eu rosno. — Eu não posso simplesmente mudar o cargo de alguém por um capricho só porque você disse. — É apenas uma mudança de protocolo. Os funcionários junior não devem ser jogados direto no tanque de tubarões com Thomas. Temos outros gerentes mais bem equipados para orientá-los, alavancar o seu potencial. Quando eles estiverem prontos para o Rottweiler Thomas, nós os entregamos. Podemos dizer a ele que estamos preparando-os para seu esquadrão de elite — ela diz com um tom sarcástico. — Coloque-me no comando da reestruturação, Steven. Deixe-me cuidar disso, e eu prometo que você verá uma melhora marcante na retenção e no desempenho dos junior. Ela me encara sem pestanejar, fios de fumaça se enrolando ao redor dela. Tenho que admitir, estou impressionado. Com todos os incentivos que ela poderia ter exigido, todas as vantagens e aumentos salariais, ela escolhe lutar pelos membros mais vulneráveis da empresa. É admirável, mesmo que eu não esteja totalmente convencido de que a mudança seja necessária. — Não sei por que, mas você está desesperado para tirar a Vertex do mercado do Reino Unido — ela diz. — O que significa que garantir essa aquisição massiva da ILS é a prioridade número um. E você precisa de mim agora mais do que nunca. Estou sinceramente chocado com a audácia do jogo de poder dela. E o mais irritante é que ela não está errada. Custe o que custar, venceremos a disputa pela ILS. Não vou deixar que aquele i****a arrogante do Harrington me supere em meu próprio território. Não nesta vida. — Tudo bem. Você deixou claro seu ponto — concordo, erguendo uma mão em sinal de rendição. — Vamos discutir os detalhes dessa reestruturação amanhã. Ela tenta e não consegue esconder o breve lampejo de triunfo que ilumina seu rosto antes que a máscara de profissionalismo volte ao lugar. — Ótimo. Você verá os benefícios a longo prazo, acredite em mim. Mas vou precisar dessa garantia por escrito. — Não é problema. Viu como posso ser razoável? Ela solta um pequeno bufo irônico. — Por favor. Nós dois sabemos que você me jogaria de lado num piscar de olhos se isso servisse para o seu orçamento. — Felizmente para você, manter um bem valioso como você se alinha com meus interesses atualmente. Eu a encaro friamente, uma sobrancelha arqueada. — Você está satisfeita agora? Ela engole em seco, suas armaduras começando a diminuir. — Eu ficaria muito mais satisfeita se toda essa provação mortificante nunca tivesse acontecido. Como eu vou olhar nos seus olhos depois de... — Depois que eu tive o distinto prazer de examinar suas fantasias? — Eu sorrio, totalmente ciente de que estou sendo um babaca. Sua cabeça se levanta bruscamente, olhos verdes brilhando como fogo. — Não pense por um segundo que isso significa que eu tenho qualquer afeição por você, Steven. Eu te detesto tanto quanto sempre. — Você deixou isso bem claro. Mas nós dois sabemos que não é assim que a atração s****l funciona, não é? Você pode me odiar com cada fibra do seu ser e ainda querer se fedida por mim em um nível primitivo que você não pode controlar. Ela respira fundo ao ouvir minhas palavras descaradas, e suas bochechas ficam vermelhas quando a verdade flagrante explode entre nós. — Bem, pelo menos eu sei que sua única testemunha dessas pequenas fantasias foi sua b****a — acrescento casualmente, tomando um gole lento da minha bebida. — Minha... b****a? — ela resmunga, com os olhos arregalados. Eu confirmo, balançando a cabeça. — Tenho que admitir, eu estava com pena da sua vida s****l patética. — Oh, p***a. Eu escrevi sobre minha gata, Mimi. Jesus, isso literalmente não pode ficar pior. Ela parece estar murmurando mais para si mesma do que para mim neste momento. Eu levanto uma mão, cortando seu pânico crescente. Deslizando minhas mãos sobre seus s***s percorro sua pele. Eu arranco o cigarro de seus dedos e o apago em um cinzeiro. — Você vai sair e voltar para aquela festa e estar em sua mesa bem cedo amanhã de manhã. Você vai apagar aquele seu diário e nunca mais cometer um erro de novata. E então você vai continuar sendo o trunfo brilhante que eu sei que você é. E nós vamos fingir que essa sua birra ridícula nunca aconteceu. Entendido? Sua mandíbula se aperta rebeldemente, mas ela concorda. — Entendido. — Excelente. — Eu aceno uma mão desdenhosa. — Agora vá embora. Ela se vira, claramente lutando para manter a compostura até sair da minha vista. — Ah, e Savannah? — eu grito quando ela chega na porta. Ela para e olha cautelosamente por cima do ombro. — Essas suas fantasias nem arranharão a superfície da realidade. — Deixei meu olhar avaliar descaradamente sua forma, minha mão apertando o apoio da cadeira. — Pena que você nunca terá o prazer de descobrir em primeira mão o quão completamente eu poderia te destruir. Eu não misturo negócios com sexo. É uma regra. Seu rosto se contorce de raiva e ela sai furiosa, batendo a porta.
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