Capítulo 2

1945 Words
Savannah Aparentemente, 4% das pessoas são no mundo sã sociopatas. Mas aqui no Grupo finaneiro Campbell, nós nos esforçamos para ser acima da média — e isso significa que excedemos nossa cota de sociopatas. Farejar por indivíduos cruéis é nosso ganha-pão. Especialmente para mim, que sou a chefe do RH. Caçar esses pequenos psicopatas adoráveis está literalmente na descrição do meu trabalho. Eu passo meus dias cercada por um bando de tubarões famintos por dinheiro que alegremente chutariam uma senhorinha no trânsito para comprar um relógio caro. Na verdade, isso não é justo, mas é a lei da vida. Tubarões comem peixes pequenos. Até minha gatinha adorável é uma v***a sem coração. Mas o maior e mais malvado sociopata de todos? É o dono daqueles olhos castanhos ardentes tentando me incendiar através das paredes de vidro do seu luxuoso escritório em formato de aquário. Steven — Eu-faço-homens-crescidos-chorarem-como-bebês Campbell. O figurão financeiro mais implacável de Londres e o chefão do Grupo Finanzeiro Campbell. Basta ouvir seu nome e até os mais durões precisam de um novo par de cuecas brancas. Ah, e eu o chamo de Sr. Campbell, como se estivéssemos em algum pornô de escritório dos anos 70, porque ele nunca se preocupou em me corrigir durante minha entrevista. Nunca disse — Por favor, me chame de Steven. Então, no meu primeiro dia, eu o chamei de Sr. Campbell, esperando um caloroso — Me chame de Steven! Bem-vinda a equipe. — Mas não, eu só recebi o mesmo olhar pensativo e frio. Meu escritório, convenientemente situado do outro lado do caótico andar financeiro no andar trinta e cinco, me oferece uma visão desobstruída de seu rosto devastadoramente bonito. Todo Maldito dia. A Cada Maldita Hora. Claro, ter meu próprio escritório com uma vista incrível é uma vantagem. Mas quando você é a terapeuta residente da empresa e a portadora de más notícias, é quase uma necessidade. Eu me levanto da cadeira e atravesso o mar de pessoas engravatadas gritando, com o telefone colado no ouvido enquanto critico verbalmente os recrutadores incompetentes do outro lado da linha. O olhar m*l-humorado de Campbell me encontra através do vidro. Ele está esparramado em seu trono de couro, mãos entrelaçadas atrás da cabeça enquanto Thomas, seu gerente sênior, empoleira-se na beirada da mesa como um cãozinho de colo bem treinado. No piloto automático, eu mostro a ele meu sorriso se insentivo. Anos trabalhando para Campbell fixaram esse sorriso no meu rosto — a única maneira de sobreviver enquanto lida com caras como ele. Nunca deixe que eles vejam você nervosa e suando. Sim, Campbell é injustamente atraente — olhos ardentes, mandíbula esculpida, músculos que fariam você babar. Mas isso é só seu traje humano, a isca que ele usa para atrair vítimas desavisadas antes de despedaçá-las. A Mãe Natureza é uma v***a, tornando as criaturas mais mortais as mais irresistíveis — como aqueles animais fofos, mas altamente perigosos. E esse filho da p**a não é exceção. Mas não se deixem enganar. Por baixo daquele exterior bonito bate o coração n***o de um babaca completo. Ele é um monstro gostoso e sem coração. Observar as novas contratadas ao redor dele é cômico. Como RH, tenho um lugar na primeira fila para ver seus rostos se transformando de "quero dar para esse gostoso" para "p**a merda, esse bastardo assustador vai me demitir antes que o dia termine" em um piscar de olhos. Ele levanta o queixo, me chamando como se eu fosse uma colegial m*l comportada. Eu aperto o botão de desligar no meu telefone e aliso meu blazer já impecável por reflexo. Respirando fundo, entro no escritório do Campbell. — Sente-se — ele ordena, as mãos ainda presas atrás da cabeça. Sua camisa estica contra seu peito, como se apenas uma respiração profunda dele fosse fazer um botão voar direto para o meu olho. Eu me pergunto se ele está se contendo fisicamente para não torcer meu pescoço. Meu pulso acelera, recrimino-me mentalmente. Cinco anos. Cinco malditos anos, e esse homem ainda me faz sentir como se eu tivesse agarrado um fio desencapado toda vez que ele me encara. — Olha, se não é a adorável Savannah — Thomas diz com desprezo. — Thomas — respondo secamente enquanto me sento. — Você teve boas férias, senhor? — pergunto a Campbell. Ouvi dizer que ele fez um passeio e Esquiou no Chile. Conhecendo-o, sua ideia de férias relaxantes provavelmente envolve lutar com ursos gigantes e beber seu próprio xixi para se hidratar. — Sim. — Ele diz frio como a neve chilena. E lá se vai a conversa descontraída para o ralo. — Até eu retornar a essa situação inaceitável de recrutamento, é claro. O sotaque de cão raivoso engrossa, transformando cada palavra em uma surra verbal. — Então, me esclareça. Trinta novos funcionários deveriam estar naquele andar esta manhã. E como aritmética básica parece não ser o seu forte, devo dizer que metade dessas mesas ainda estão vazias, acumulando poeira. O que aconteceu? Eles se perderam? Eu me mexo no meu assento, descruzando e recruzando as pernas. — Estou totalmente ciente da situação, senhor. Minha equipe tem trabalhado dia e noite. Expandimos nossos esforços de recrutamento globalmente e estamos buscando agressivamente os melhores talentos. Basicamente, bastava apenas conhecerem as regras para se trabalhar aqui, para ele se esconderem nos arbustos. — Então procure com mais empenho — ele esbravejou, revelando uma arcada dentária que parecia vindo de um anúncio de pasta de dente. — Eu precisava de pessoas enchendo aqueles assentos na semana passada. Então, a menos que você tenha decifrado o código da viagem no tempo, você já está falhando miseravelmente. Eu seguro a vontade de sugerir que ele diminua um pouco o ego gigante. Simplesmente não existem mercenários financeiros sem alma o suficiente para atender às suas demandas absurdas. Mas algo me diz que essa desculpa não vai colar. Em vez disso, ofereço a ele um sorriso confiante — embora um tanto nervoso. — Teremos os cargos preenchidos em breve, tenho certeza disso. Mesmo que eu tenha que encher as mesas com bonecos de papelão. Ele se inclina para frente, os cotovelos apoiados na mesa, e o aroma da sua colônia chega até mim. — Inaceitável. Esses assentos já deveriam estar ocupados. Você é a líder de RH mais bem paga de Londres por um motivo. Prove que seu salário vale a pena. Ele está de mau humor. Não deve ter acordado com uma supermodelo na cama esta manhã. Mas, por mais que eu odeie admitir, o homem tem razão. Em qualquer outra empresa, eu teria sorte de ganhar metade do que recebo na Financeira Campbell. A troca? Minha sanidade e a inexistência de uma vida fora destas paredes. Ele ainda não terminou. — Eu aprovei todos os aumentos de orçamento que você pediu. Então, repito: por que diabos estou olhando para um lugar vazio? Ok, não está tão vazio assim, mas não vou perder tempo discutindo isso com ele nesse humor. — Vamos, Savannah, se recomponha — Thomas entra na conversa, tão prestativo quanto sempre. — É meio difícil entregar resultados sem a mão de obra completa. Eu o encaro. Enquanto Campbell governa com uma autoridade silenciosa e ameaçadora, Thomas é como uma bomba-relógio ambulante — um segundo fazendo piadas ruins, no outro socando a máquina de vendas se algum estagiário ousar olhá-lo errado. Um típico gerente financeiro i****a. — Houve alguns desafios com a taxa de aceitação — digo, cuidadosamente. — Parece que alguns candidatos têm reservas sobre a... cultura do local de trabalho da empresa. — Cultura? — Campbell repete a palavra como se fosse algum conceito exótico e incompreensível. — Oferecemos o pacote de remuneração mais competitivo da cidade. Eles deveriam estar brigando por uma chance aqui. Seu tom é uniforme, mas a ameaça implícita é tão clara quanto cristal. — Parece que você não está atrás do tipo certo de talento. Por fora, sou a imagem da profissionalismo — um perfil do LinkedIn em carne e osso. Mas, por dentro, estou a dois segundos de me lançar sobre a mesa e envolver as mãos no pescoço dele e... E nem sei o que faria depois disso. Porque, aqui está a questão: nos últimos cinco anos, eu trabalhei duro na Para a Financeira Campbell, mas nunca tanto quanto nos últimos seis meses. E considerando que um "dia tranquilo" por aqui ainda significa mais de dez horas colada à minha mesa, isso diz alguma coisa. Trabalhamos duro aqui. E por "duro", quero dizer que cercamos empresas em dificuldades, atacamos para matar e, então, as "reestruturamos" — o que significa: cortamos metade da equipe, vendemos os ativos e extraímos cada gota de lucro que conseguimos. Parece glamoroso, não? Mas, ultimamente, é como se Campbell tivesse um foguete enfiado... bem, em algum lugar. Quase dá para acreditar que ele recebeu um diagnóstico de seis meses de vida, do jeito que age como um louco possuído. Eu contenho minha frustração crescente com uma cara de paisagem bem ensaiada. — Acredite em mim, estamos atrás do talento certo. Nosso processo de seleção é extremamente rigoroso, projetado para atrair os melhores. Contudo, cortejar candidatos excepcionais leva tempo. Eu aprendi, da pior forma, a nunca mostrar fraqueza perto dele — não depois de vê-lo destruir verbalmente o antigo Chefe de Marketing de forma tão fria que o cara precisou de um ano sabático para melhorar saúde mental. A última vez que ouvi falar dele, estava no Himalaia, tentando juntar os pedaços de sua sanidade. — Você tem ideia de quanto cada um desses assentos vazios me custa? — Campbell segura a caneta com tanta força que eu quase espero que a tinta comece a jorrar. — Não é tão simples assim, senhor. — É exatamente tão simples quanto eu digo que é. Sou um homem de números. E os números estão horríveis. Vocês sangraram o orçamento, mas metade desses assentos ainda estão vazios, zombando de mim. Então, me diga: como vamos corrigir essa situação terrível? — O perfil de talento que buscamos é raro. São pessoas de alto padrão. Além disso, administrar as... personalidades voláteis que já temos consome muitos recursos — digo, mantendo a diplomacia. Thomas revira os olhos, como se eu estivesse fofocando sobre a última cirurgia plástica da Sarah. Eu lanço meu sorriso mais frio para ele. — Um exemplo: Peter tentou arremessar sua cadeira pela janela ontem. O i****a do Thomas ri. — Bem, a janela ainda está intacta, não está? O cara só precisava desabafar. — Duvido que nossa seguradora concorde. Talvez devêssemos considerar reter parte do bônus de Peter até que ele mostre que consegue se comportar. Eu pareço uma professora de pré-escola. Mas, honestamente, não é muito diferente, exceto que meus "alunos" usam Armani e comem notas de cem dólares no café da manhã. Campbell lança um olhar afiado para Thomas, que se cala imediatamente. — Da última vez que verifiquei, estávamos administrando uma empresa financeira, não um circo. Thomas sai resmungando, deixando a sala. E, como sempre, a tensão aumenta quando fico sozinha com Campbell. Ele esfrega o maxilar. — Vou cuidar da situação do Peter. — Com todo respeito, não é só Peter. Quando homens adultos arremessam móveis e ninguém pisca de medo, temos um problema. Ele suspira. — Tudo bem. Compile uma lista dos problemas mais críticos no ambiente de trabalho, e eu verei o que faço. Mas você terá que arranjar um plano de recrutamento impecável até amanhã. — Entendido. — Ótimo. Adie a reunião de sexta-feira. Algo surgiu. Eu reprimo o impulso de revirar os olhos e sorrio profissionalmente. — Considere feito. Porque, no final, engolimos sapos e seguimos em frente. Afinal, é assim que se sobrevive neste hospício.
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