Savannah
Respire fundo. Hora de encarar a fera.
Bato na porta do Sr. Campbell, meu estômago dando voltas. Se ele estiver em um de seus humores característicos ou decidir estragar a estratégia de recrutamento na qual passei o dia inteiro trabalhando, será voltar à estava zero. E, considerando que já são sete da noite, a ideia de recomeçar me faz querer me encolher em posição fetal debaixo da minha mesa.
— Entre — ele late, sem nem sequer olhar para mim. Charmoso como sempre.
Entro em seu escritório, tentando não prestar atenção nas costas largas e musculosas que se destacam contra o horizonte iluminado de Londres.
Ele se vira, e por um segundo, perco o fôlego.
Está abotoando uma camisa social branca impecável, mas não rápido o suficiente para me impedir de dar uma boa olhada no peito definido e na trilha de pelos escuros que desaparece na cintura. É como se dissesse: Siga-me para a terra da felicidade, querida. Eu prometo que valerá a viagem.
Desvio o olhar, mas não antes de notar a tatuagem no lado direito de seu peito: uma âncora tradicional de marinheiro, com uma corda grossa enrolada em volta e algo inscrito nela. Uma sereia de longos cabelos ruivos está empoleirada na lateral da âncora, seu cabelo caindo em cascata pelas costas e sobre o desenho.
O Sr. Finanças aqui conhece o Popeye. Talvez seja uma referência ao amor dele por velejar. Ou quem sabe uma tatuagem de cruzeiro bêbado em Ibiza. Ou, pior, uma queda por ruivas. Ruivas como eu.
Controle-se, Savannah.
Não é como se eu nunca o tivesse visto deslumbrante antes, mas tente explicar isso aos meus ovários de mulher das cavernas, que estão praticamente aplaudindo de pé.
Faço um esforço monumental para manter meus olhos longe de suas calças.
— Enviei a nova estratégia de recrutamento para sua revisão — digo, lutando para soar profissional.
— Dê-me os destaques — ele responde, abotoando a camisa com uma lentidão que parece calculada para me testar.
Ele não se importa nem um pouco que eu esteja testemunhando esse espetáculo semi-nu. Só uma vez, queria vê-lo desequilibrado, corar ou gaguejar como qualquer mortal. Mas não, Campbell parece imune a qualquer desconforto, completamente à vontade com seu apelo s****l e o poder que exerce sobre todos ao redor.
Suspiro internamente. Ele é impossivelmente atraente. Uma maldição personificada.
Limpo a garganta, tentando dissipar o nó de luxúria que ameaça me sufocar.
— Certo. Primeiro, acho que precisamos reformular nossa abordagem de patrocínio nesses países. Vai custar mais no início, mas permitirá atrairmos os melhores talentos rapidamente.
Entrego o documento, e nossos dedos se tocam por um breve instante — um nanossegundo eletrizante que me faz desejar um buraco no chão para me enfiar.
— E se expandirmos os programas de patrocínio de visto para incluir esses países específicos — aponto para o final da página —, devemos conseguir preencher essas vagas rapidamente.
Ele analisa o papel, dá um breve aceno de cabeça e murmura:
— Ótimo.
Aliviada por não ser imediatamente rechaçada, continuo:
— Também acho que o senhor deveria assumir pessoalmente as entrevistas com os melhores candidatos. Mostrar o peso do Grupo Campbell diretamente.
Seus olhos se fixam nos meus enquanto ele enrola a gravata em volta do pescoço.
— O que há de errado com Thomas lidando com isso?
— Nada, senhor. Thomas é excelente. Mas uma entrevista com o próprio chefe pode ser o golpe final para convencer esses figurões de que estão sendo cortejados pela elite.
Espero que sua obsessão por controle pese mais do que qualquer impulso de delegar.
Ele pega as abotoaduras com uma calma irritante. Pelo traje de gala, claramente tem uma festa luxuosa à noite — provavelmente algo regado a champanhe e poder.
— Vou pensar nisso no carro — ele diz, curto, mas não exatamente hostil.
Solto um suspiro discreto. Ele não rasgou minha proposta, então isso é uma vitória.
— Grandes planos para esta noite? — pergunto, imediatamente me arrependendo da tentativa de conversa fiada.
— Jantar beneficente — ele responde, ajeitando as abotoaduras.
Imagino quem será sua acompanhante. Após uma leve pesquisada, não consegui identificar um padrão, exceto que todas são deslumbrantes. E provavelmente submissas.
— Parece divertido — digo, forçando entusiasmo.
— Não será.
Ele dá o nó final na gravata com a firmeza de quem quer estrangular a própria paciência.
— Aproveite sua aula de boxe.
Congelo. Como ele sabia disso? Tenho frequentado as sessões de boxe da empresa às quartas-feiras para desabafar. Mesmo que isso me deixe dolorida no dia seguinte.
— Hoje não. Minha gata precisa de mim — respondo automaticamente, antes de perceber o quanto isso soa patético.
— Certo.
Sua expressão deixa claro que ele não dá a mínima para os problemas digestivos da minha Mimi.
— Mais alguma coisa? — Sua voz é impessoal, quase cortante.
Abro um sorriso profissional, cheio de falsa cordialidade.
— Não, senhor. Tenha uma ótima noite.
Que você tropece no próprio ego e caia de cara nos aperitivos.
Com isso, saio de seu escritório.
Esse maldito do Campbell tem um talento especial para me fazer sentir como se tivesse acabado de lutar três rounds, e ele nem encostou um dedo em mim.