7 - O bebê não morreu

1086 Words
A senhora Colin não conseguia tirar a visita do alfa da cabeça. Wolfgang parecia interessado em encontrar a estranha que cruzara seu caminho na montanha na noite anterior. Ela viu uma oportunidade de aproximar sua filha do homem mais poderoso da matilha e enlaçá-lo para o benefício de sua família. O anseio por influência e poder falava alto em seu coração. "Acha que ele pode encontrar essa estranha, mãe?" Elisa olhou para Stella. "Sim, claro que pode. Mas não vamos pensar isso. Você tem a oportunidade de ficar com ele, passar um tempo com ele usando a desculpa de ajudá-lo a achar essa estranha." "Ele perceberia." "Você não quer arrumar um bom partido?" "Vou como ele parece grande e intimidador?" "Bons homens são assim, filha." Falou Elisa, em um tom pessoal. "Nada disso, você tem que ter alguém forte ao seu lado." Stella, no tom leve apenas sacudiu os ombros. Por mais influenciada que fosse por Elisa, ela tinha um coração que batia e uma personalidade própria. Talvez não conhecesse a maldade que a mãe tinha. Elisa foi a filha mais velha, viu sua irmã, Elisabete ficar com cada vitória que podia ser dela. Saiu de um lar desfeito. Armou contra sua família. Ela traiu a irmã quando fingiu ser amiga e alguém pra chamar de irmã. Ela tentou se livrar de um bebezinho. Um simples bebezinho! Elisa era r**m, não média esforço. Era uma psicopata. Mesmo tendo naquele momento um homem respeitado ao seu lado, uma casa e dinheiro de sobra pra ela e pra sua filha. Ela. Queria mais. "Papai também e um homem bom, não parece um brutamonte." "Deixe Colin fora disso, não use-o como padrão. Filha, você precisa ser melhor que isso. Tem que arrumar o melhor lugar. Já imaginou você como a escolhida do alfa?" Elisa sorriu, com um tom de poder e ganância. Stella sabia que a mãe tinha um lado. Stella não sabia que Elisa era sua mãe de verdade, para ela, era como se fosse. Sentia a ligação. Quando se transformou em loba, sentiu a energia de Elisa. De alguma forma boa e carinhosa "Eu não sei." "Eu não passei anos criando você ao lado do seu pai pra não se casar bem. Wolfgang é um alfa, um homem poderoso na alcateia e respeitado." "Não seja boba. Vamos fazer ele sair com você, se conhecê-lo vai saber se gosta ou não. Certo, Stella?" "Tudo bem, mãe." Falou. Elisa era uma mulher de postura firme, com passos decisivos e um olhar perspicaz que não escapava de detalhes. Movia-se com determinação e eficiência, qualidades que definiam sua personalidade imponente. Quando ouviu seu nome pronunciado em uma conversa sussurrada, ela parou imediatamente, captando a menção de Dominik, um nome que despertou seu interesse. "Estou te dizendo, ele estava aqui." A voz de Mary ecoou enquanto ela falava ao telefone. Seu tom carregava uma urgência dissimulada. Mary, uma funcionária de longa data, conhecida por sua competência, parecia inquieta. "Eu não sei o que dizer. Você deveria ter cuidado. Ele é o alfa, Lina." Houve uma breve pausa, durante a qual Elisa permaneceu imóvel, quase invisível. "Eu sei que dormir com alguém como ele é assustador, mas o que aconteceu tem uma explicação." Elisa, para anunciar sua presença, bateu levemente o pé no chão. Ajeitando sua roupa com um gesto rápido e decidido, ela adentrou a cozinha, trazendo à memória a sobrinha de Mary. Mary, ao notar a presença de sua patroa, desligou o celular e encarou Elisa. "Tudo bem por aqui?" indagou Elisa. "Claro, senhora", respondeu Mary. Elisa percebeu o nervosismo nos gestos da funcionária. "Por que sua sobrinha não veio?" perguntou Elisa, com seu olhar penetrante. "Ela não estava se sentindo bem. Eu disse que assumiria o lugar dela." "Ela está doente?" "Não, ela está bem. Apenas teve um imprevisto." Elisa, notoriamente ciosa de detalhes, ponderou sobre a inusitada situação. Uma empregada associada a um alfa? Era um ponto curioso para ela. Ela recordava da sobrinha de Mary, uma jovem bonita, porém notavelmente desastrada. "Você sempre cuidou tanto dessa garota. A criou sozinha?", questionou Elisa enquanto circulava pela cozinha, pegando uma garrafa de água. O olhar inquisitivo e a questão pessoal causaram surpresa em Mary, já que todos que conheciam Elisa estavam cientes de seu comportamento geralmente brusco e autoritário. Mary m*l percebeu o tom incisivo das perguntas de Elisa, tão imersa estava no seu próprio universo. "Sim", respondeu ela brevemente. "Onde está a mãe dela?", inquiriu Elisa. Mary pegou uma bandeja e hesitou por um instante. "Ela não teve a sorte de ter uma mãe. Eu a adotei quando era ainda uma criança." "É mesmo?" "Sim, era um bebê muito pequeno e frágil. De alguma forma, sabia que ela fazia parte da nossa matilha, mas ninguém apareceu para procurá-la." "Apareceu para procurá-la?" Elisa ergueu um olhar sério para a empregada. Mary estranhou o tom, mas decidiu continuar. "Ela foi abandonada." "Quantos anos ela tem?" Elisa sentiu uma sensação desagradável se instalando dentro dela. Parecia que fantasmas do passado estavam ressurgindo em seu caminho. "Ela completou dezoito anos. Ainda é bem jovem. Trabalha comigo desde que era uma menina. A senhora deve se lembrar." O rosto de Lina veio à mente de Elisa. Seria possível? Elisa havia se livrado daquele bebê. "Não, eu não me lembro. Mas é uma história triste. Eu não fazia ideia." "Quem abandonou aquele bebê não estava bem, ou talvez estivesse em apuros", disse Mary honestamente. "Ela cresceu e se tornou uma garota esforçada, inteligente e dedicada. Eu gostaria de ter podido oferecer mais oportunidades para ela, mas não pude." "Eu entendo. É realmente triste", respondeu Elisa, desviando o olhar para o relógio na parede e depois para Mary. Ela queria que essa sensação desaparecesse, mas agora estava profundamente intrigada. "Ela tem a mesma idade que a senhorita Stella." Aquilo fez ainda mais ela ficar curiosa. Com uma perspectiva r**m e uma sensação que não terminou o que começou dezoito anos atrás. Aquela garota não podia ser o bebê que ela se livrou no passado. "Faça o seu trabalho." Elisa disse por último, antes de dar as costas. Com a cabeça cheia de coisa. Ela precisava confirmar se Lina pudesse ser aquele bebê. Se fosse, ela precisava se livrar de Lina. Ainda mais se estivesse com algum envolvimento com o alfa. A energia s a troca iria acontecer. Ela não iria esperar pra ver seu castelo cair. Não depois de todos os sacrifícios e coisas que teve que suportar. Ela estava pronta pra ser vilã de novo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD