Vinte minutos depois da ligação de Gabriel, o corredor frio do hospital deu lugar ao silêncio abafado da capela. As velas votivas tremiam em seus suportes, lançando sombras dançantes sobre os bancos de madeira escura. Ali, abraçados na penumbra, Alessandra apenas segurava Gabriel, deixando que ele chorasse, o corpo dele tremendo contra o seu. Após minutos que pareceram uma eternidade, os soluços dele diminuíram, dando lugar a um sussurro rouco, quebrado pela culpa. — Isso só aconteceu porque ele me salvou — disse Gabriel, o rosto ainda enterrado no ombro dela. — Porque eu não consegui dizer não para um maldito sorvete. É culpa minha, Ale. É tudo culpa minha. Alessandra se afastou um pouco, segurando o rosto dele entre as mãos, forçando-o a olhá-la. — Não. Não se atreva a dizer is

