Na escuridão de sua cela, muito depois do toque de recolher, um pequeno ponto de luz se acendeu. Vitória tirou o celular secreto de um compartimento oco atrás de um tijolo solto na parede, um privilégio que o dinheiro e a influência dos Fontana haviam comprado facilmente. Ela esperava, impaciente. Pontualmente, o aparelho vibrou. Número restrito. Ela atendeu, a voz um sussurro. — Vovó. — Vitória — a voz de Olívia Fontana do outro lado da linha era calma, desprovida de qualquer emoção. — Tive uma noite interessante. Estava eu passeando por São Pietro com meu motorista, resolvendo alguns assuntos. E vi um homem que reconheci como sendo parte do seu antro de inimizades. Gabriel Cruz. Vitória se endireitou na cama estreita, a atenção subitamente aguçada. — O médico — continuou Olívia

