Na manhã seguinte, Vitória não se encontrou com Enrique em um restaurante de luxo ou em um lobby confortável. Ele a convocou para a cobertura no Edifício Paradise, como na última noite. Para Vitória, voltar àquele lugar na fria luz do dia, não mais como a dona, mas como uma convidada, era uma afirmação de poder que ela compreendia perfeitamente. Quando ela entrou, a primeira coisa que viu foi que a vasta parede da sala de estar continuava como na noite anterior: um altar profano da sua investigação, o quadro de guerra com as fotos e os fios vermelhos conectando todos os jogadores. — Sem perda de tempo. Gosto disso — disse Enrique, que a esperava perto da parede, um tablet na mão. Ele não a convidou para sentar. Foi direto aos negócios, entregando-lhe um dossiê grosso e encadernado.

