Capítulo 6

1002 Words
Sua voz falhou no momento em que percebeu que tudo que vivia era real, não era um sonho estranho e conturbado. Ela não acordaria e voltaria a sua vida normal com tudo aquilo sendo esquecido. Alessandra Mendonça, seu nome de solteira que voltaria a usar em breve, se tornaria mãe. O teste de gravidez ainda estava sobre a bancada do banheiro, as duas linhas azuis olhando para ela de forma fria enquanto ela olhava com todo amor do mundo, alisando com a mão o local onde seu filho estava se formando agora. A única tristeza era que aquela criança estaria, de forma irremediável, ligada ao homem que ela aprendeu a desprezar com uma naturalidade absurda. Seu teatro, no entanto, ainda precisava ficar de pé. Pelo seu bem e do seu neném. Ao ouvir a voz de Richard do outro lado da linha, toda a frieza que ela havia cultivado nos últimos dias caiu por terra, não havia mais espaço para tanta ira no seu peito, nele só haveria amor para o seu filho. — Richard... eu... — falou novamente, com a voz trêmula, como se para reafirmar para si mesma a veracidade de tudo que vivia. — Eu vou ser mamãe. Do outro lado da linha, houve um silêncio. Não era de se surpreender, era uma notícia inesperada até para ela poucas horas atrás. Nem um advogado experiente como Richard Schneider escutaria a notícia sem ficar chocado. O homem esperou mais alguns segundos, respirou fundo e então falou, com uma voz calma e autoritária, dizendo o que mamãe precisava ouvir naquele momento: — Minhas felicitações, Alessandra, porém, quero que me escute com atenção agora. Eu entendo sua felicidade, é de fato uma dádiva gerar uma vida, contudo, não me entenda m*l agora. Eu peço para que você se acalme. A partir de agora, se você seguir com o processo de divórcio, esse filho também fará parte dele. E a gravidez não é um problema, muito pelo contrário, ela é a sua maior vantagem. — Eu não paro esse divórcio por nada, Richard — Alessandra respondeu. — É claro que vou até o fim. Você não está pisando em ovos, sei que já pensou em uma estratégia, se quiser usar a minha gravidez, não o meu filho, como “arma” contra aquele cretino, eu vou ouvir com atenção. Richard, no seu escritório, sorriu. — Continue com tudo o que você já está fazendo. Não deixe William saber de nada. Amanhã, saia quando ele não estiver, sempre nesse padrão, vá a um médico de confiança. Precisamos de uma confirmação formal da sua gravidez para anexar ao nosso processo. Se já estava favorável para gente antes, agora o jogo é nosso. A lei nos dará todas as ferramentas para garantir que você e seu filho tenham tudo o que precisam. Alessandra escutou a tudo atentamente, o celular grudado na sua orelha. Ela começou sua batalha sozinha, mas agora tinha o melhor aliado ao seu lado, e não estava falando do advogado, mas da vida que gerava no seu ventre. Depois de se despedirem, ela desligou o telefone e jogou o teste na lixeira do banheiro. Não se sentia mais uma vítima de traição em busca de vingança mas uma mãe em uma batalha para não ter o pior pai do mundo para seu filho. *** Horas mais tarde, o som da chave girando a fechadura denunciou a chegada de William. De onde ele vinha, pouco importava. Alessandra não perguntaria e não ouviria mentiras. O homem andava com a mesma alegria e vivacidade de quem não tem culpa no cartório, alguém íntegro, sem erros. Ao ver a esposa na sala de estar, ele sorriu e se aproximou para beijá-la, no entanto, Alessandra se esquivou, fingindo que ajeitava uma almofada. — Ô, amor, você está bem? — Indagou o traste, a voz preocupada. — Você está tão branca, parece que viu um fantasma. — Já me disseram isso hoje, mas estou bem, sim, obrigada. É só uma dor de cabeça, as coisas da Boreal... a ansiedade do trabalho me pegou. — Certo — ele assentiu, aceitando a mentira facilmente. — Descansa. Eu vou tomar banho para jantar. Alessandra teria ido dormir, mas sabia que ouviria mais perguntas e mais frases melosas de preocupação. Eles jantaram juntos, e o tempo pareceu correr como uma lebre dormindo. William falava alegremente sobre os negócios, as ações, os novos parceiros, etc. A baboseira de sempre. As palavras dele antes a entediavam, porém agora causavam enjoos, ou os pioravam. Ele a via, ela percebia cada vez mais claramente, não como uma esposa, alguém para amar, mas como mais uma de suas posses, uma peça de sua vida perfeita. A cada garfada que o infeliz dava, a cada vez que a praga limpava a boca com o guardanapo de linho, Alessandra o observava. Ela via o covarde que a traiu, o pai de seu filho. O miserável que, em breve, sentiria a força não só de uma mulher traída, mas de uma mulher protegendo a sua cria. Cantinho da divulgação (09/11/2025): A Virgem da Máfia Vermelha Vendida por sua família. Forçada a um casamento. Emanuele Santos, 18 anos, é arrancada da sua vida no Brasil e levada para a Sicília, direto para a fortaleza da Máfia Vermelha. Seu novo dono: o impiedoso Don Vittorio Rossi. Sua missão: casar-se com Dante, o filho quebrado do Don, e gerar um herdeiro para a Famiglia. Um herdeiro com o sangue do Novo Mundo. Mas Dante é um homem atormentado que ama outra mulher. Em um pacto desesperado, ele jura não tocar em Emanuele por um ano. Quando uma tragédia brutal destrói o que resta da alma de Dante, sua fria indiferença se transforma em um ódio perigoso. E Emanuele, trancada com ele em uma suíte luxuosa, se torna o alvo de toda a sua fúria. Ela sobreviveu ao ser vendida. Mas conseguirá sobreviver ao próprio marido? Gostou? Leia aqui na Dreame, é só acessar meu perfil ou clicar no livro recomendado! Aproveita enquanto é grátis!
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