A caminhada para fora do Hospital São Lucas deveria ter sido um corredor da vergonha. Como médico, Gabriel estava acostumado a ser o observador, a figura de autoridade. Agora, escoltado por dois policiais, ele era o espécime. Seus colegas de trabalho, enfermeiros e médicos, paravam nos corredores para observá-lo passar, os rostos uma mistura de choque, pena e fofoca sussurrada. Ele os via, mas não os sentia. A humilhação era um ruído distante, abafado pela única palavra que pulsava em sua mente: Vivo. O seu irmão estava vivo. Ele foi colocado no banco de trás da viatura. A porta se fechou com um baque surdo, isolando-o do mundo que ele conhecia. O cheiro de plástico e desinfetante. A grade de acrílico separando-o dos policiais. Ele olhou pela janela, observando a cidade passar. A mes

