A madrugada era um breu impenetrável, quebrado apenas pelos faróis do carro de William e pela luz fria do GPS no painel. Aquelas ruas do Rio de Fevereiro eram um labirinto de galpões industriais e chaminés que cuspiam fumaça contra o céu sem estrelas. O silêncio dentro do carro era pesado, denso com o cheiro adocicado e nauseante que escapava sutilmente do porta-malas. — A próxima à direita — disse Vitória, a voz cortante. — Vê se não erra o caminho e vai parar no Morro do Príncipe, igual a filha daquele CEO i****a. William apertou o volante, sem saber do que ela falava. — Deixa comigo — ele respondeu, a voz rouca. Seguindo as últimas instruções irritadas de Vitória, ele finalmente parou nos fundos de um complexo industrial gigantesco, um monstro de metal e concreto adormecido na

