O carro de William cortava a escuridão da rodovia, deixando para trás o brilho doentio das chaminés do Rio de Fevereiro. O cheiro de fumaça industrial ainda parecia impregnado em suas narinas, mas a evidência de seu crime havia se transformado em cinzas. Ou menos que isso. Ele deveria se sentir aliviado, mas apenas um vazio frio preenchia seu peito. Ao seu lado, Vitória estava em silêncio, o rosto iluminado intermitentemente pelos faróis dos poucos carros que passavam. Ela não olhava para a paisagem sombria, mas para a tela do celular, revendo as mensagens não respondidas de Jean. — Eu ainda não consigo acreditar na audácia dela — Vitória disse de repente, a voz baixa e venenosa. — Convidar e ter uma conversa a sós com o meu marido. E ele... ele simplesmente foi embora. William solto

