O corredor do hospital era um purgatório branco. As portas da sala de trauma permaneceram fechadas, uma barreira intransponível que separava Gabriel da batalha pela vida do seu irmão. Ele deveria ter ido para a capela do hospital, para rezar. Mas não conseguia se mover. Estava congelado, um fantasma em seu próprio local de trabalho, o conhecimento médico uma tortura que lhe mostrava todos os caminhos pelos quais aquilo poderia dar errado. Sentado no banco frio, a cabeça entre as mãos, as memórias vieram sem serem chamadas. Imagens de uma infância sob o sol do México. O cheiro de carnitas e o som da risada de sua mãe nos almoços de domingo. Ele e Mateo, dois diabinhos de cabelo molhado, mergulhando e bagunçando na piscina na casa do tio Fernando, travando guerras de água até o anoitec

