A porta da sala de reuniões se fechou atrás de mim com um clique suave, mas em meus ouvidos, soou como o estrondo de um canhão. A humilhação era um gosto amargo e quente na minha boca. Do lado de fora, a cidade de São Pietro seguia seu ritmo em um dia ensolarado de 2009, alheia à guerra que acabara de ser declarada dentro de mim. Minha empresa, a Fontana Logística, era meu orgulho. Pequena, sim, mas estruturada, eficiente e com lucros que cresciam a cada trimestre. Uma fusão com a Oliveira Transportes, ligeiramente maior, nos colocaria em um novo patamar, nos tornaria uma força a ser reconhecida. Eu preparei a proposta por meses. Cada número, cada projeção, era impecável. E Ricardo Oliveira, um homem cuja única virtude era ter herdado o negócio do pai, nem sequer olhou os gráficos. Ele

