Cedo pela manhã, a cobertura de William Abner era um retrato da normalidade. A cozinha estava impecável, a geladeira de volta ao seu estado original, abastecida com produtos gourmet. O freezer extra, a testemunha silenciosa de seu crime, havia sido retirado por uma transportadora na noite anterior sob a desculpa de um "defeito de fabricação". A sujeira física fora limpa. A mancha em sua alma, no entanto, permanecia. Vestido em um terno sob medida, William segurava uma xícara de café expresso e o celular, o rosto uma máscara de controle empresarial. — Bastos, bom dia. Sou eu — ele disse, a voz firme. — Preciso de um favor. Daquele tipo. Do outro lado da linha, a voz de seu velho amigo de negócios soou, uma mistura de curiosidade e cautela. — Corporativo? Temos um novo alvo? — Não

