A madrugada se arrastava na mansão Mendonça. Alessandra não conseguiu dormir. Sentada na penumbra da biblioteca, com uma xícara de chá intocada esfriando ao seu lado, ela esperava. Cada som de carro na rua distante fazia seu coração disparar. Ela sabia que seu pai estava agindo, mas o "como" a aterrorizava. Tinha medo de que ele, em sua fúria protetora, cruzasse uma linha da qual não haveria mais volta. Tinha medo de que ele se tornasse o monstro que estavam caçando. Finalmente, ela ouviu o som suave do carro dele parando no pátio. Minutos depois, a porta da biblioteca se abriu. Cesar Mendonça entrou, parecendo exatamente o mesmo de quando saíra horas antes. O terno impecável, o cabelo no lugar, a expressão calma. Nenhuma gota de suor, nenhuma mancha de sangue. Apenas a aura de poder

