A tarde se arrastava no quarto particular de Mateo, no andar de neurologia. Ali, o silêncio era diferente do da UTI. Era mais suave, menos mecânico, mas de alguma forma, mais pesado. Gabriel estava em uma poltrona perto da janela, um artigo médico aberto em seu colo, mas ele lia o mesmo parágrafo pela décima vez, incapaz de se concentrar. Seus olhos não saíam da figura na cama. Mateo ainda não tinha acordado. Ele estava ali, pálido, respirando por conta própria, o que era um milagre em si, mas seu rosto estava imóvel. Parte da sua cabeça havia sido raspada para a cirurgia do traumatismo craniano, e um curativo branco e limpo cobria a lateral de seu crânio. Fios discretos conectavam seu peito a um monitor cardíaco que emitia um bipe lento e constante, o único metrônomo daquela espera.

