Capítulo 2 - Sem Revisão

2758 Words
Valentina  Quando amanheceu viram sobre o tronco uma folha grande repleto de diversos frutos de formatos estranhos, formas e cores diferentes. Como crianças experimentaram cada uma das frutas exóticas. Depois de satisfeitos guardaram as restantes dentro das mochilas e descemos. Agradecemos a árvore pela acolhida e iniciaram nossa jornada. As plantas abriram caminho como uma passarela indicando por onde devíamos passar. Durante toda caminhada seguimos a trilha que se abria a nossa frente, quando olhávamos para trás o caminha tinha desaparecido. Nas primeiras duas horas não conversávamos, mas depois Austin me pediu para lhe contar o que aconteceu. Respirei fundo e comecei a contar todo minha história passando pela minha descoberta, meu encontro com Marcelo, meu aprendizado, meu convívio com Marcelo, minha viagem para os USA para casa deles, meu encontro com pessoal, a descoberta que Gabriel e Adrian me conhecia, o acidente com Liriel... Bom, contei tudo. Não escondi nenhum detalhe. Não paramos para almoçar nem para descansar e continuamos andando. Austin não disse uma palavra enquanto eu relatava os fatos. Já estava anoitecendo quando descobrimos o que parecia ser uma ruína de uma casa ou templo sei lá. Mas a estrutura ainda era bastante sólida para dar p******o por uma noite. _ Podemos passar a noite aqui. - falei após inspecionar o interior da estrutura. _ Sim. - Austin colocou a mochila no chão e tentou balançar uma parede que permaneceu firme - Vou buscar lenha para uma fogueira. Uma hora depois estávamos alimentados, com o local limpo e uma bela fogueira. Austin se mantinha distante e calado depois que contei minha história toda até chegar ali. Lá fora grandes flores como sinos roxas com pendões dourados emitiam um som agradável, como uma canção de ninar. _ São lindas! - indiquei as flores - Como tudo aqui. Austin concordou com a cabeça admirando o ambiente. _ Algum problema Austin? - eu sabia o que era, mas prefiro que ele fale. Ele permaneceu calado por alguns minutos antes de se levantar ir lá fora e pegar mais lenha e jogar no fogo, antes de voltar a sentar. _ Austin... - o chamei e me sentei ao seu lado segurando sua mão - Me diga o que está acontecendo. - pedi. O ouvi respirar profundamente. _ Fiz alguma coisa errado? - uma pergunta ridícula eu sei, pois desde que cheguei só foi uma confusão atrás da outra. _ Pensei que éramos amigos. - falou ele magoado, soltando minhas mãos. _ Somos Austin, mas é como eu te disse. Eu não sabia nada ao certo. Ninguém me falava nada. Eu não podia simplesmente despejar isto em você. - expliquei. _ Mas podia ter me contado depois daquela noite. - me encarou irritado - Sabe, aquela noite que resgatamos Izzy? Eu vi os cães se transformarem naquelas... naquilo... - ele ficou nervoso - Vi luzes e raios saírem das mãos daquele cara. _ Por que não me contou? - o olhei preocupada. _ Pensei que estava vendo coisas por causa da tensão. - respirou fundo pesaroso - Depois você chegou ferida e foi aquela confusão toda. Vi Morgana entrar em seu quarto escondida, quando saiu parecia um fantasma de tão branca. Quando a confrontei, ela disse que era preocupação. _ Morgana é uma feiticeira. Uma wicca na verdade. - revelei o deixando surpreso. _ Nossa! - ele arregalou os olhos - E os outros? _ George também é um feiticeiro. Adrian é um príncipe. Os outros bom... tem suas particularidades. _ Adrian é um príncipe!? - deu um assobio curto - Se Izzy soubesse disto. Ambos sorrimos imaginando a cena. _ É os outros o que fazem? - quis saber curioso. _ Lembra daquele cachorro que me seguia para todos os lados? _ Arcanjo era como você o chamava. _ Sim. Era Gabriel. - sorri ao vê-lo arregalar os olhos surpreso - No começo eu não sabia, só depois que descobri. _ Então vocês... _ Não vou compartilhar minha vida íntima com você Austin. - franzi a testa o fazendo sorrir. _ Gabriel se transforma em mais alguma coisa? _ Num lobo gigantesco! _ Nossa! - ele deu um longo suspiro. _ Eu não conheço a extensão dos poderes dele e nem dos outros. - esclareci. Austin ficou quieto, absorvendo as informações. _ E quais são os seus poderes? - quis saber curioso. _ Como eu te disse não me lembro de nada. - me levantei e fui até a porta olhar para as três luas - Sei que tenho poderes e que fui treinada, mas não me lembro de nada. _ Pensou que quando chegássemos se lembraria? _ Eu não sei. - respondi me sentindo desolada - Queria muito me lembrar... _ Talvez... Um ruivo de lobo cortou a noite nos fazendo estremecer, pois estava perto das ruínas. Me levantei com um pedaço de p*u e fui para a entrada. Austin se levantou e também se juntou a mim. _ Pode ser Gabriel? - quis saber Austin olhando para fora. _ Não. - eu tinha medo de ser um dos amiguinhos de Aragon. Ouvimos os passos do animal se movimentando entre as plantas, mas não o viam. _ Ainda estamos no território da árvore. - ponderei falando baixinho - Ela não permitiria que algo nós fizesse m*l. _ Você fala daquela árvore como se... Fiz um sinal para que se calasse e apontei na direção que o barulho vinha. Uma pelagem branca feito a neve surgiu entre as flores, e dois olhos grandes amarelos surgiram. _ Não corra. - pedi a Austin segurando sua mão é o sentindo tremer. Lobo! Um animal gigante apareceu a frente deles, com sua densa pelagem branca, olhos amarelos, focinho longo, nariz vermelho... e as potentes e poderosas garras. Ele não rosnou ou fez movimentos bruscos quando começou a caminhar em nossa direção. O animal caminha com tanta elegância na nossa direção que não sentia medo, mas respeito. O lobo os olhava com curiosidade, mas eu sentia um certo receio e medo vindo dele. Ele ficou praticamente a nossa frente na porta. _ Você veio nós guardar? - lhe perguntei. _ Valentina... Fiz um sinal para que ele se calasse. O animal nós olhou por alguns minutos antes de olhar para trás e rosnar ou latir, eu não sabia ao certo. Para surpresa de ambos vimos dois filhotes aparecerem pulando alegremente entre as folhas. Ambos corriam desengonçados em nossa direção com as línguas para fora, e caiam às vezes. A pelagem de ambos era mais densa lembrando bichos de pelúcia. A loba rosnou para eles que pararam ao lado dela nós olhando. Ela se deitou na entrada da porta, inibindo então qualquer aproximação de outro tipo de animal. Austin se agachou e começou a chamar os filhotes igual a cachorros. _ Cuidado. - pedi me agachando ao lado dele - São filhotes com dentes bastante afiados. _ Eu sei. - sussurrou em resposta tirando biscoitos do bolso - Só quero tocá-los. Vem aqui amigão. - jogou um biscoito para os filhotes. Curiosos como todo filhote eles cheiraram antes de comerem. Não demorou muito para que Austin os tocasse. Por alguns minutos fiquei observando Austin e os filhotes brincarem como se fossem velhos amigos. A loba também os observava atenta deitada na entrada da porta. Tinha me deitado em meu saco de dormir quando um dos filhotes se joga sobre mim me lambendo o rosto, me fazendo sorrir. _ Coisa fofa! - exclamei afagando sua pelagem o fazendo rolar pelo chão com meus carinhos - Sem vergonha! _ Queria ter um destes. - afagou o pelo do outro filhote que se deitou ao seu lado - Estão com sono! - disse vendo o animal bocejar preguiçosamente. _ Sim. - o filhote que estava comigo também bocejou - Também temos que dormir. _ Sim. - Austin se deitou no saco de dormir é o filhote se ajeitou de seu lado - Boa noite Valentina. _ Boa noite Austin. Permaneceu acordada por alguns minutos olhando para o teto. Sempre seus pensamentos iam para única pessoa que fazia seu coração disparar, Gabriel. Onde você meu amor? - sussurrei sentindo as lágrimas rolarem por meu rosto. Tristeza consumia minha alma. Só teria paz quando estivesse em seus braços novamente. ***** Por dois longos e cansativos dias a loba os guiou junto com os filhotes, percorreram matas, pântanos, rios, escaladas leves... O esforço físico era exaustivo para uma pessoa comum como Austin, e isto me deixava preocupada. No início do terceiro dia iniciamos a nossa trilha nas montanhas que era estreito, íngreme e escorregadio. De onde estávamos víamos o abismo entre as montanhas. Era um extenso buraco n***o que não se ouvia som nenhum. Os filhotes andavam vacilantes e temerosos durante toda subida. Tivemos que muitas vezes ser estimulados e ajudados para continuarem a andar. Não paramos quando anoiteceu, mas continuamos mesmo cansados, nisto a lanterna ajudou muito. O dia estava amanhecendo quando iniciamos a descida. Podemos contemplar uma floresta abaixo de nós, parecendo mais densa, misteriosa e maior que a anterior. _ Olhe ali. - Austin apontou para frente deles e lhe passou um binóculo que tinha encontrado perdido dentro da mochila. Ao olhar para a direção que Austin lhe indicou, viu uma árvore que se sobressaía a todas, só que está era diferente da que viram anteriormente. O tronco era grosso e branco com as folhagem vermelhas, seus galhos pareciam que tinham quilômetros de extensão. Parecia impossível, mas ela parecia maior que a anterior. _ Talvez ela possa nós ajudar também. - Austin disse pensativo. _ Sim. Talvez ela nós leve a um dos reinos. _ Devemos demorar uns três dias para chegar até ela. - recomeçamos a andar. Estávamos exaustos quando paramos ao lado de um riacho para descansar. Assim que comemos dormimos imediatamente. Os filhotes caíram praticamente desmaiados ao nosso lado. Acordou se sentindo imprensada, só então percebeu que tinha um filhote a cada lado seu. Austin estava acendendo uma fogueira quando se sentou esfregando os olhos. _ Descansou? - quis saber preocupado. _ Estou bem. - olhou a sua volta e viu que tinha anoitecido é a lobo sumiu. _ Toma um banho. - sugeriu Austin - A água está perfeita! _ Vou aceitar sua sugestão. - me levantei sorrindo e fui até a mochila pegar roupas limpas. O suor em minha pele é a sujeira impregnada em mim estava me deixando doente - Como estão nossos suprimentos? _ Zerados. Só dá para hoje. _ Vamos colher mais amanhã. - me alonguei por alguns minutos - Onde está a loba? _ Saiu assim que eu acordei. _ Deve ter ido caçar. - observei. _ Sim. _ Fique atento. - pedi antes de sair. Desci um pouco pelo terreno acidentado até chegar ao rio e tirei a roupa. Austin tinha razão, a água estava perfeita! Me lavei bem como podia e boiei um pouco pensando nos outros. Tinha certeza de que eles à estavam procurando, mas a pergunta era, quem mais? Quando retornei a loba tinha voltado e estava amamentando os filhotes. _ Temos que sair cedo amanhã. - falei me sentando e guardando a roupa suja na mochila. _ Vamos descansar então. _ Sim. ***** Sentiu frio e um barulho sutil na mata a fazendo despertar. Seu coração disparou em expectativa. Levantou devagar e olhou a sua volta. Não foi a única a ouvir o barulho pois a lobo estava de pé cheirando o ar e em alerta. _ Austin. - o chamei baixinho o balançando. O perigo era real, eu sentia. Agora podíamos ouvir rosnados e galhos sendo quebrados. _ Austin. - o chamei com urgência. Estava escuro ainda, mas não demoraria a amanhecer. Mesmo assim eu podia enxergar olhos vermelhos entre as árvores se aproximando. A loba rosnava e mostrava as longas e poderosas presas. _ Suba na loba. - ordenei o vendo acordar. _ O que está acontecendo? - quis saber preocupado vendo a loba rosnar furiosa. Pela primeira vez fiquei feliz ao notar que ainda tinha forças para arrancar um galho ou raiz de árvore chão sem dificuldade. _ Vamos correr. - disse para a loba colocando a mão na lateral de seu corpo - Leve Austin e os filhotes. Corra o mais rápido possível. - percebeu quando ela parou de rosnar e me encarou preocupada - Vou estar logo atrás, não se preocupe. _ Valentina... O joguei sobre a loba e lhe passei os filhotes. _ Se segure bem. - Vá. - ordenei a lobo que me olhou antes de sair em disparada. Uma figura n***a pulou a sua frente. Parecia um lobo, só que era esquelético com os pelos secos e ouriçados com grandes olhos vermelhos. O uivo que deu causou arrepios em seu corpo. _ Vamos ver o quanto você corre bicho f**o. - falei antes de bater nele e sair correndo. Corri como nunca naquele dia. Alcancei a loba sem grande problema que estava sendo seguida por uma matilha daquelas coisas esqueléticas. Austin se mantinha firme nas costas da loba, enquanto segurava os filhotes amedrontados. Conseguimos nós desviar daquelas criaturas, mas pressentia que eles estavam nos cercando. Ataquei três que se colocaram a nossa frente. Um deles pulou, tentando arrancar Austin de sobre a loba, mas o interceptou antes. Gritei quando as garras arranharam minha perna, mas consegui me manter longe da loba feroz enquanto caímos no chão. Foi um alívio sentir o animal ser atingido e cair do meu lado com um gemido. _ Valentina... - Austin me ajudou a me levantar preocupado. A loba agora estava em nossa frente e estávamos cercados. A ferida na minha perna sangrava e doía horrores. _ Você devia ter ido. - gemi de dor respirando fundo. _ Estamos cercados. - Austin lhe disse ignorando meu comentário olhando para todos os lados. _ Sim. - olhei para os filhotes que estavam atrás dos pés de Austin. A lobo ruivou tão alto que minha cabeça doeu e meus tímpanos reclamaram. _ Proteja os filhotes. Quando vir uma brecha não quero que pense em nada, fuja com os filhotes. - orientei me armando de outro pedaço de p*u. _ Não vou a lugar nenhum sem você. - rebateu. Não houve tempo para debater, pois aquelas coisas começaram a atacar. Consegui colocar dois fora de combate, enquanto a loba lutava ferozmente com três. Os outros avaliavam eu e Austin para saber a melhor forma de nós atacar. _ Tente cegá-los. - orientei temerosa pela vida de meu amigo. O soco que dei no lobo que se jogou sobre mim o fez voar. O som dos ossos sendo quebrados foi repugnante. Eles estavam receosos, mas não menos ferozes. _ Faça os filhotes subirem numa árvore. - falei a Austin. Um lobo se jogou contra mim e lutamos, mas outro se jogou contra nós. Rolamos morro abaixo e consegui acertar o crânio de um com uma pedra, mas não sai ilesa. Bati numa árvore, partindo o seu tronco e algo rastejou em minhas costas. O lobo tentava abocanhar minha cabeça de qualquer forma enquanto suas garras penetravam em minha coxa e braços. Eu queria gritar de dor, mas no momento estava com minhas mãos ocupadas na mandíbula daquela criatura fétida. A baba dele deslizava pelos meus braços enquanto o animal forçava sua cabeça para baixo. Eu tenho que ajudar Austin, a loba e os filhotes, pensei desesperada. Eu não podia deixar o medo e desespero tomar conta de mim agora, pensei enquanto lutava por minha sobrevivência. Gritei de dor ao sentir a garra rasgar mais minha coxa. Estava prestes a quebrar sua mandíbula quando a criatura tombou morta com um buraco de queimadura enorme nas costas. O cheiro fétido de carne e pelo queimado encheu minhas narinas me deixando enjoada. Levantei minha cabeça e vi uma raposa vermelha, não seria nada incomum se ela não estivesse pegando fogo e tivesse seis rabos, também tinha um pequeno cristal azul em formato de losango na testa. Assim que apoiei meu braço para me levantar aconteceu algo surpreendente a raposa falou. _ Majestade não. - gritou. Sentiu uma picada em meu braço que me fez gritar de dor e desespero. Quando olhei vi uma mancha n***a e dois furos em meu braço. _ Majestade. - uma garota de traços fortes orientais e longos cabelos vermelhos me amparou quando comecei a ficar zonza. Meu corpo começou a queimar rapidamente enquanto um suor pegajoso impregnava meu corpo. Meu Deus, eu ia morrer logo agora que cheguei?, pensei enquanto a garota me arrastava. ****************************** Me digam o que acharam até agora? Estou curiosa! Quero ver muitos comentários. Beijocasssssssss
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