Valentina
Eu não podia morrer, pensei.
_ Majestade. - a garota a minha frente me lembrava uma das inúmeras namoradas de Marcelo. Ela era japonesa e lhe ensinou a comer com hashi. A diferença nas duas era que está era mais jovem e trazia um cristal na testa.
Minha cabeça pesou quando ela começou a examinar meu corpo, quando viu meu braço, vi o alarme em seus olhos.
_ Temos que procurar ajuda.
Fiquei ainda mais surpresa quando ele me levantou nós braços.
Duas espadas estavam presas nas costas dela.
_ Quem é você? - consegui perguntar me sentindo estranha, olhei para meu braço e vi a mancha n***a crescer um pouco - Cobra. - murmurei vendo os dois furos.
_ Sim. - a ouvi suspirar enquanto me carregava se arrastando pelo terreno - Stolk... Stolk... - chamou aos gritos.
Sorri reconhecendo o nome do gato que me ajudou com Aragon.
Mesmo zonza pude enxergar os vários cadáveres espalhados pelo chão. Também pude ver Stolk com vários outros lobos próximo a um Austin assustado que correu ao meu encontro.
_ Valentina... - pelo olhar dele eu devia estar h******l. Ele ajudou a garota a me colocar no chão.
_ Stolk... - a garota começou a dizer preocupada - Temos que procurar ajuda para ela. - senti a mão dela tocar meu braço onde fui picada - Kalusa.
O gigante gato rosnou irritado.
_ Se ela não for medicada logo morrerá. - o tom da voz de Stolk era alarmado - Temos que levá-la a um dos reinos.
_ Quanto tempo? - quis saber Austin vendo a mancha crescer.
_ Conheço alguém que pode ajudar. Fica a meio-dia daqui. - disse a desconhecida.
_ Prateada. - Stolk chamou. Vi a loba que nós guiava se aproximar - Pode levá-la? Mas terá que correr como nunca.
_ Me mostre o caminho. - respondeu a loba branca.
Devia estar delirando, pois ouviu a loba responder na minha cabeça.
Com cuidado me colocaram sobre a loba e me amarram nela.
Acho que estava tendo alucinações, pois agora vi a garota se transformar em raposa novamente e um assustado Austin montar num dos lobos com os filhotes.
_ Vá. - ordenou Stolk.
_ May, mostre o caminho. - ordenou Stolk - Prateada não pare por nada.
O impulso que a lobo deu me fez balançar enquanto meu corpo queimava. Trincava minha mandíbula enquanto a dor consumia meu corpo. Sentia que o veneno da picada caminhava lentamente por meu corpo, contaminando tudo enquanto a dor irradiava.
Apesar de estar me sentindo mortalmente ferida, sentia flutuar por causa da maciez do pelo da loba. Estavam tão velozes que se sentia voar, mas ao contrário das outras vezes está sensação era boa.
_ Aguente firme. - lhe dizia a loba mentalmente.
Atravessamos rios e descemos ao que parecia ser um vale, meu corpo suava as picas enquanto minha boca ficava seca. Estava ficando desidratada.
Uma floresta de árvores brancas com folhas vermelhas se ergueu a nossa frente. Ouvi pássaros cantarem, independente de nossos problemas, mas eu só enxergava borrões.
_ Ela está piorando! - falou a loba preocupada - Está queimando de febre.
_ Já estamos chegando. - gritou a raposa em resposta.
Minha cabeça começou a doer. Olhei para o céu com um suspiro, estava lindo com seus tons entre azul e rosa, mas começou a ficar preto. Pouco a pouco senti a escuridão me sugar até não sentir mais nada.
(...)
Vozes alteradas me despertaram de minha inconsciência, mas não conseguia abrir os olhos e me mover.
Sentia minha pele estava pegajosa e grudento como se estivesse sido mergulhada num tanque cheio de melado.
_ Eu não posso. Já fiz tudo que é necessário. Leve-a para algum reino. - dizia uma voz estranha de mulher.
_ Não é o suficiente. Você sabe. Ela vai morrer! - reconheci a voz da garota com traços orientais.
Consegui ouvir um estrondo como se algo fosse arrebentado.
_ Não a toque. - ordenou Stolk furioso - Se eu soubesse que você a traria aqui...
_ Ela está morrendo Stolk. - gritou a garota.
Alguém estava tocando meu rosto e levantou meu braço enquanto isto a discussão se seguia acalorada entre a garota e Stolk.
_ Calem a boca. - ordenou Austin furioso gritando - Valentina está morrendo. E vocês ficam aí discutindo.
_ Ela foi banida. Uma renegada! - falou Stolk furioso.
_ O reino mais próximo fica a três dias daqui, isto é se estivéssemos correndo. Ela não vai aguentar. - argumentou a garota.
Ouvi passos e algo ser arrastado.
_ Por favor a ajude. - a voz de Austin saiu baixa.
Tentei me mover, mas foi em vão. Parecia que estava presa dentro do meu corpo.
_ Eu não posso. - gemeu a mulher.
_ Você é a única esperança dela. - insistiu Austin.
_ Depois eles vão vir atrás de mim. - disse a mulher temerosa.
_ Stolk. - chamou Austin.
Senti a tensão no ar.
Involuntariamente eu gritei de pura dor e agonia. Meu corpo começou a se debater contra a mesa ou cama. Eu não sabia se ia aguentar tanta dor.
_ Stolk. - o grito agora de Austin era puro desespero.
_ Vamos guardar sua casa. - prometeu Stolk contrariado.
Alguém me segurou, mas parecia em vão.
_ Darla... - gritou a garota.
_ Saiam todos. - pediu a mulher e escutei algo sendo vasculhado - Agora. - ordenou - May fique.
Passos e algo sendo fechado com força.
_ Tire a roupa dela. - orientou a mulher - Quando ele souber...
_ Vai agradecê-la. - garantiu a garota confiante.
Suas roupas foram arrancadas e seu corpo ser envolvido em algo frio, lhe trazendo um alívio.
_ Ou me negar ainda mais. - falou a mulher pesarosa.
_ Tudo vai acabar bem. - a garota falou.
Alguém passou a mão em meu rosto.
_ Assim espero. - a ouviu suspirar profundamente depois segurar minha mão - Lute minha querida. Vou tentar ajudá-la. - sussurrou.
Tentei lutar contra a escuridão que me envolvia, mas não consegui.
Meu corpo começou a tremer novamente e fiquei inconsciente.
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Austin
Já estava sentado do lado de fora da cabana de Darla umas seis horas.
Valentina tinha lhe contado sua história e achava aquilo ainda muito irreal com animais falando e árvores com vida. Pior, quando olhava para o céu e via aquelas três luas. Se um dia contasse, ninguém acreditaria.
_ Viu alguma coisa? - perguntei ao imenso gato que me lembrava um lince, que se aproximar lentamente.
_ Não. Mas isto não quer dizer que estamos seguros. - respondeu seco.
Nas últimas horas viu o mesmo ir e vir várias vezes, preocupado.
_ Que ótimo! - passei a mão pela cabeça cansado devido à falta de sono e stress passado - Onde está a loba?
_ Prateada? - me olhou intrigado.
Assenti.
_ Darla limpou e lhe deu remédios para os ferimentos. Deve estar cuidando dos filhotes. - explicou.
Olhei para o imenso gato sentado do meu lado depois para o céu, pensativo.
_ Como você nós achou? - o perguntei ainda olhando para o céu.
_ Pelo ruivo da Prateada. Estávamos a procurando quando a ouvimos. - explicou.
_ Você se encontrou com os outros?
_ Não. Mas mandei alguém os avisar onde estamos.
_ Como você soube então? - o olhei.
_ Boatos. Quando cinco jovens quebram leis antigas e vão atrás de uma princesa desaparecida é a perdem quando voltam...
_ É motivo para boatos. - completei para ele.
_ Sim. Tive que vir procurá-la.
_ Por quê?
Stolk ficou quieto, depois me olhou se levantando.
_ Não vai responder? - insisti.
_ Devo minha vida a família dela. - me respondeu antes de sair.
Que maravilha! Estava preso em um mundo ou sei lá o que fosse, com coisas que só imaginou em séries científicas. E a única pessoa que podia ajudá-lo estava lutando pela vida inconsciente deitada numa cama.
Estava no céu ou no inferno!?
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Bom gatas,
Até semana que vem.
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Beijocasssssssss