Capítulo 2

1469 Words
Eu não queria soltar minha mãe, queria ficar o máximo que eu conseguia antes de ir, antes de embarcar no avião. — Ah, minha filha — ela falou —, quero que você seja muito feliz. — Eu vou ser. Me soltei dela, e olhei para os olhos verdes que eu não herdei. Sorri para a minha mãe,para a mulher maluquinha que me deu a vida. — Eu amo vocês — meu pai, Charlie e minha mãe me envolveram em um abraço em grupo, um abraço que eu não queria deixar. ~•~ Eu tinha afivelado o meu cinto forte de mais, mas sempre detestei a decolagem do avião. Olhei pela janela, o mundo ficando pequenininho na medida em que o avião ia subindo,subindo,subindo. Até mais Nova York. — Você aí da frente — uma voz masculina me fez olhar para trás —, poderia levantar sua poltrona so um minuto enquanto eu pego meu laptop? — Claro. Eu tinha todos os motivos para ser cordial com ele,mas principalmente, porque ele é um gato. — Aqui, obrigada — ele falou, me mostrando o laptop cor de prata. — Não tem de quer — ofereci um sorriso a ele e o homem ao meu lado riu baixinho. — Tá indo pra Los Angeles? — Sim — meu óbvio, já que todos estamos no mesmo avião,indo pro mesmo destino. —Vai ficar em que hotel? Eu não fiz reserva e nao tenho ideia para onde ir — ele sorriu mostrando os dentes. — Tem o Hudson, é bem famosinho, mas se quiser um mais simples tem o Gold Heaven que também é bom — falei,não ia dizer para onde eu ia,mas não custava nada ajudar ele. — Ah, sim — ele pegou uma caneta da mochila em seus pés e escreveu em sua mão —, obrigada. — Por nada. Me virei para a cadeira em minha frente e relaxei na poltrona. O voo demoraria algumas horas,mas eu não estava com sono o suficiente para dormir. — Sou o Ethan, a propósito. O homem ao meu lado riu novamente e eu revirei os olhos. Por que as pessoas não cuidam da própria vida? — Sou a Elena. — Belo nome Elena. — Obrigada — sorri, qual as chances de ele está flertando comigo? ~•~ O aeroporto estava uma bagunça, algo que escutei ser uma coletiva de mais de cinquenta advogados,com suas equipes estava vindo para Los Angeles para um evento e eu, me senti perdida em meio a tanta gente. Com sorte encontrei minha mala e a saída mais vaga. Agora eu só preciso procurar Anthony, ele tinha combinado com meu pai de vir me buscar no aeroporto,mas até agora, nada dele. Pego meu celular e faço o que qualquer pessoa faria, mandaria uma mensagem. "Estou te esperando no desembarque" -Elena. E cinco minutos depois enviei outra. Ele poderia ter me esquecido? Ah, é óbvio que ele esqueceu. Tinha que ser o Anthony Lover e eu não precisava me esforçar muito para saber aonde ele estava. Tudo bem, eu me viro. O taxista foi legal comigo, me falou sobre algumas das ruas pela qual passamos como "Essa aqui, a Britney Spears é vista sempre, o cabeleireiro dela fica no fim da rua" ou "Os Jonas Brothers amam as lanchonete desse bairro, são todas tão caras que eu teria que vender meu carro para pagar a conta" . — Está entregue mocinha — falou o motorista Carlos, que eu descobrir que ele e a esposa vieram da Espanha e que eles tem dois filhos, Juiz e Péricles. — Obrigada,Carlos — entreguei as botas a ele,com uma gorjeta amigável. — Eu que agradeço menina — ele me estendeu um cartão branco com um número anotado —, aqui, se você precisar de um táxi é só ligar. — Vou ligar — e eu ia, precisaria de um meio de ir para a faculdade e eu tenho certeza que Anthony não me levaria. Eu já estive na casa do Anthony umas mil vezes, no Natal, fim de ano, férias de verão, todos encontros orquestrados pela dupla inseparável de Anthony e Michael. A diferença de idade entre meu pai e ei amigo sempre me surpreendeu, afinal são quase sete anos de diferença e os dois são opostos completos. Um escolheu a família enquanto o outro escolheu a...vida? Não sei dizer se o que Anthony tem pode se chamar assim. — Oi? — chamei alguém, qualquer pessoa. Eu tinha tocado a campainha, tinha batido na porta mas ninguém veio abrir então eu entrei. — Anthony?! — gritei. Consegui ouvir algo cair no andar de cima. Tem alguém em casa. Deixei minha mala na sala e minha mochila em cima do sofá branco onde eu sentei. Ah,que cansaço. — Quem é você? — uma voz feminina falou atrás de mim. Me virei no sofá e vi uma loira enrolada por um roupão — Ou você sai daqui ou eu chamo a polícia garota! — ela berrou. — Essa aqui é a casa do Anthony Lover? — perguntei, um sorrisinho sarcástico em meus lábios. — Como você... — Ele é meu pai, não sabia? — brinquei — Claro que não, afinal minha mãe está viajando...esses homens — sacudi a cabeça, fingindo,mentindo e adorando. O rosto da mulher ficou vermelho e eu não sabia se era por vergonha ou raiva, se era por mim ou por Anthony, mas eu não queria saber. Me divertir com ela tentado formar uma frase, ou simplesmente se explicar. Caramba, ela tá cogitando mesmo que ele é meu pai? Segura a risada, Lena. —Elena — no alto da escada, trajando nada mais que uma calça moletom, Anthony falou. — Oi papai — falei meiga,mas com toda a brincadeira em meus lábios. Ele desceu as escada e a loira se preparou para discutir com ele. — Você disse que era solteiro! — ela cruzou os braços sob o peito. Anthony lançou um olhar mortífero para mim. — Ela não é minha filha, e sim, eu sou solteiro — ele olhou para a loira — suba para o quarto, ainda não acabamos. Eca. E como um cão obedece ao dono, ela olhou para mim com um olhar que dizia muito — que ela não gostou nem um pouco de mim, mas eu também não gostei dela —, e subiu escadas acima. — Quando chegou? — perguntou ele, caminhando até o sofá em que eu estou. — A alguns minutos, — respondi — você não foi me buscar. — Eu estava... — Eu sei bem aonde você estava, não preciso de explicações — me levantei ficando frente a frente com ele e por algum motivo, os olhos de Anthony percorreram o meu corpo e eu não sei como reagir —, eu agradeço a hospitalidade, mas acho que vai ser melhor para nós dois agir independentes,eu não preciso de uma babá e você não quer ser a minha, então cada um com a sua vida, certo? — Sim — ele sacudiu a cabeça — , mas tem regras, minha casa ainda é... — Fala logo que eu tô muito cansada e sua amiga tá te esperando — e eu só queria ir para longe dele. Por que ele me olhou daquele jeito? Tem algo de errado na minha roupa? Será que caiu catchup na minha blusa e eu não vi? — Sem garotos, sem festas, sem drogas e sem bagunça — ele falou e eu anotei mentalmente o que ele disse. — Tudo bem — peguei minha mochila de cima do sofá e joguei ela sob o ombro —, ah, meu pai mandou um abraço e disse que vai vir até o final do mês fazer uma visita. — Tudo bem, — ele suspirou, com um sorrisinho no rosto — fale para ele trazer a b***a branca dele logo antes que eu vá até Nova York. — Humrum. Anthony me ajudou com a mala, o que eu achei estranho já que ele não é muito de fazer nada pelos outros, e me levou até o quarto onde eu ficaria. Era um corredor antes do dele e eu gostei, não precisava ouvir o que acontecia atrás da porta do quarto de Anthony. — Obrigada — falei para ele, pegando minha mala e a arrastando até o centro do quarto. — Sinta-se a vontade — ele falou — , coma alguma coisa também, tem lasanha no forno, e pode pegar o que quiser dá geladeira — ele ia saindo,mas eu falei ( Porque não me calarão? Se anjo da guarda existe porque ele não tampou a minha boca?) — Tudo bem daddy — falo baixinho, mas ele ouviu. — Não me chame assim — ele falou e então saiu. Merda Lena, você perde todas as oportunidades de ficar com a boca calada,não é?
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